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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

BOLETINS DO PADRE REGINALDO DO ANO DE 2026

 


Filhos e filhas,

 

Um abençoado e feliz 2026! Que o Espírito Santo seja nossa companhia constante ao longo de todo este ano, conduzindo nossos passos para que permaneçamos firmes no caminho do Senhor.

 

Quero refletir com vocês sobre a importância da alegria em nossas vidas. E não por falta de outros temas, mas justamente por ser um assunto que exige nossa atenção constante, proponho essa reflexão nesta primeira mensagem de 2026. A alegria cristã não é algo superficial nem passageiro; ela nasce de uma experiência profunda com Deus.

 

Somos chamados a viver a alegria dos Reis Magos que, ao verem novamente a estrela, ficaram radiantes de alegria (cf. Mt 2,10). Alegraram-se porque reencontraram o caminho, porque perseveraram na busca e puderam chegar até o Deus Menino, envolto em faixas, para adorá-Lo e oferecer seus presentes. Essa alegria é fruto da fidelidade e da confiança.

 

Devemos também nos alegrar como as mulheres na madrugada da Ressurreição que, ao encontrarem o túmulo vazio, correram cheias de alegria para anunciar aos discípulos que Jesus está vivo (cf. Mt 28,8). Essa é a alegria que transforma, que move, que impulsiona à missão.,

 

A alegria nos enche de energia e entusiasmo. A própria origem da palavra entusiasmo nos ajuda a compreender isso: significa “ter um deus dentro de si”, “ter alma”, “ter ânimo”. A alegria é um estado interior pleno, que nasce quando experimentamos a presença de Deus agindo em nossa vida.

 

São Paulo nos exorta a sermos alegres no Senhor. Por isso, precisamos cultivar a alegria todos os dias. Precisamos exercitar a surpresa boa, aquela capacidade de nos deixar tocar por Deus nas pequenas coisas. Não é maravilhoso quando, de repente, descobrimos um novo ensinamento ou compreendemos, pela primeira vez, um sentido mais profundo de uma passagem bíblica?

 

Muitas pessoas já partilharam comigo dizendo: “Padre, eu já tinha lido esse texto tantas vezes, mas quando o senhor explicou daquela forma, eu parei, refleti e compreendi algo que antes não percebia”. Esse processo da descoberta alegre também acontece comigo. Ao reler a Palavra de Deus, quantas vezes os versículos parecem saltar aos olhos, revelando novos significados. Essa ação do Espírito Santo alegra profundamente o meu coração.

 

Essa alegria simples nos prepara para a alegria plena que um dia viveremos em Deus. Por isso, precisamos estar atentos: o mundo oferece prazer, não alegria. Cria expectativas exageradas e responde a elas com frustrações. Deus, ao contrário, gera alegria verdadeira, que sustenta e permanece.

 

O próprio Catecismo da Igreja Católica nos ensina onde está a fonte dessa alegria: reconhecer que somos totalmente dependentes de Deus. Ele não nos abandona, mas a cada instante nos mantém no ser, nos sustenta e nos conduz. Reconhecer essa dependência é fonte de sabedoria, liberdade, confiança e alegria (cf. CIC 301).

 

Que neste ano que se inicia possamos permanecer alegres, conscientes de que somos criaturas amadas, cuidadas e sustentadas por Deus.


Deus abençoe,

Padre Reginaldo Manzotti

Boletim do dia 14 de Janeiro de 2026

 

Filhos e filhas,

 

Tudo posso naquele que me fortalece” (Fl 4,13).

 

Inicio a mensagem desta semana com o lema do meu sacerdócio, porque nesta quarta-feira, dia 14, completo 31 anos de vida sacerdotal. Antes de qualquer coisa, quero agradecer a Deus. Foi Ele quem me chamou, foi Ele quem confiou em mim. Sou realizado, sou feliz como padre, e não me canso de repetir, porque é verdade: se eu nascesse de novo, padre eu seria.

 

Agradeço também a todas as pessoas que partilham comigo a alegria de celebrar esses 31 anos de sacerdócio. De modo especial, agradeço à minha família. Meu pai, vicentino, e minha mãe, do Apostolado da Oração, são para mim exemplos concretos de fé, de entrega e de espiritualidade. Muito do que sou nasceu nesse chão simples e fecundo.

 

Quando Deus me chamou, Ele me confiou uma missão da qual eu ainda não tinha plena consciência. Entrei no seminário aos 12 anos, idade em que ninguém sabe exatamente o que quer da vida. Mas Deus sabia. E Ele chamou. Assim como aconteceu com Samuel, Deus falou, mas foi preciso aprender a escutar. Samuel precisou do ouvido atento de Eli para reconhecer a voz do Senhor. Eu tive essa graça: muitos ouvidos treinados, muitas pessoas que me ajudaram a discernir, orientar e confirmar o chamado de Deus na minha vida.

 

Tenho consciência de que ninguém segue a Deus de uma só vez. A vocação se revela aos poucos. O que Deus sonhou para mim, eu nunca sonhei. O que Ele pensou foi infinitamente maior do que eu poderia imaginar. Reconheço minhas fragilidades, mas, inspirado em São Paulo, eu não fico olhando para trás. Eu corro, eu avanço, eu busco o prêmio que é Nosso Senhor Jesus Cristo. Evangelizar não é apenas uma missão, é uma urgência. Tenho pressa de falar de Deus, pressa de anunciar a Boa Nova, pressa de levar esperança.

 

Louvo a Deus por sua paciência comigo. Ele espera o tempo da maturidade e se vale das minhas fraquezas para manifestar a sua grandeza. Isso é muito claro para mim: onde a fraqueza é maior, aí se revela ainda mais a força de Deus.

 

Quero louvar profundamente a Igreja que me ordenou. Ninguém se ordena a si mesmo. A Igreja viu em mim sinais vocacionais e disse: este pode ser padre. Sou muito grato aos frades carmelitas. Recebi muito da Ordem do Carmo: formação, disciplina, espiritualidade e uma mãe que me acompanha até hoje, Nossa Senhora do Carmo. Mesmo não estando mais no Carmelo, a Mãe continua comigo.

 

Saí de Paraíso do Norte, uma cidade simples, para chegar a uma evangelização que hoje alcança capitais, milhares de emissoras, uma TV com alcance nacional e internacional. Isso só pode ser obra de Deus. Sou prova viva de que, quando Deus quer, Ele faz, e quando nós deixamos, Ele conduz.

 

Agradeço a todos vocês que sonham comigo e tornam esse sonho realidade, agora juntos conquistando um terreno que chamamos Nossa Terra Prometida, lugar de prodígios e graças de Deus. Somos todos vocacionados.

 

Cada pessoa que ajuda a Obra Evangelizar é Preciso faz parte dessa missão. Estou entregando minha vida por esta obra de evangelização e caridade. Muitas vezes não são oito, mas doze, quatorze horas de trabalho diário. Estou oferecendo o que tenho de melhor: meu tempo, minha força, meu vigor. É tempo de plantar, e vocês são os instrumentos que Deus usa para que essa obra exista e floresça.

Este Santuário é a minha casa. Depois de tantas viagens e tanto cansaço, é aqui que me sinto em família. Ao olhar para vocês, descanso o coração. Louvo a Deus por todos os colaboradores e por essa relação de comunhão que nos une.


Enquanto Deus me permitir viver, quero ser esse intermediário: ouvido atento à voz de Deus, olhar fixo em Jesus, o Cordeiro de Deus. Que Ele continue me usando para a sua glória e para o bem do seu povo. 


Filhos e filhas,

Nesses dias de Quaresma, me deparei com esse ensinamento do nosso Papa Leão XIV:
“O verdadeiro problema da fé não é acreditar ou não acreditar em Deus, mas procurá-Lo! Ele deixa-se encontrar pelo coração que O procura e, talvez, a distinção correta a fazer não seja tanto entre crentes e não crentes, mas entre aqueles que procuram e aqueles que não procuram Deus”.
Essa foi uma resposta do Papa a uma carta de um poeta que se dizia “um ateu que ama a Deus”. Na resposta, Leão XIV lembra de Santo Agostinho e diz que “não pode ser ateu quem ama a Deus, quem O busca com coração sincero”. E é baseado nesse ensinamento do Papa que faço a mensagem dessa semana.
A vida é busca e encontro. Nossa grande busca é Deus, Ele é o Amado de nossa alma, como diz São João da Cruz, num dos seus poemas espirituais:
“Buscando meu Amor, meu Amado, vou por montes e vales, sem temer mil perigos. Nem flores colherei no caminho, pois segui-lo é preciso sem deter-me ou parar. Já não tenho outro ofício, só amar é o exercício. Solidão povoada, presença amorosa do Amado. Viver ou morrer, sem Ele eu não quero ser”! (São João da Cruz)
Busquemos encontrar Deus e Ele se deixará encontrar. O próprio Deus nos diz, através do profeta Jeremias: “Vocês me procurarão e me encontrarão se me buscarem de todo o coração” (Jr 29,13).
Não importa se é como nos diz a Parábola dos trabalhadores da vinha (Mt 20,1-16), ao amanhecer, ao meio dia ou ao entardecer de nossa existência vamos ter um encontro com Deus, se não pelo amor, pela dor. Deus espera pacientemente que o pecador se converta e se volte para Ele.
E assim como Papa Leão XIV, cito Santo Agostinho. Ele deu um trabalho imenso para sua mãe Santa Mônica. Ele era da “pá virada”, chegou a ter um filho com uma prostituta, era ateu e precisou ser forjado com muito custo por Deus para se tornar um homem de fé. Depois de sua experiência com Deus, Santo Agostinho diz que nossa alma foi feita para Deus e não encontraremos a paz enquanto não repousarmos em Deus. Santo Agostinho é o reflexo do anseio de todos nós.
Onde está a resposta da existência humana? Em Deus! Foi isso que Santo Agostinho descobriu. Tanto que chega um momento em sua vida que ele diz:

“Tarde te amei Senhor. Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu fora. Estavas comigo e não eu contigo. Exalaste perfume e respirei. Agora anseio por ti. Provei-te e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz”.
Jesus nos revelou o Pai, Ele é o caminho que nos leva ao Pai. Ele é a luz que dissipa as trevas. Ele disse eu vim como luz (cf. Jo 12, 46), mas o mundo preferiu as trevas. Quem vive no pecado não quer luz. Todos fomos crianças e quem tem filhos sabe que quando a criança é arteira e apronta alguma coisa errada, entra dentro de casa e vai pelos cantos escuros para não ser vista, para não chamar a atenção e passar sem levar bronca e ser castigada. É a mesma coisa quem anda no pecado. Não quer luz, não quer discernimento, quer se afastar da Igreja, quer se afastar dos sacramentos, das pessoas de bem.
Pecado gera pecado, quem está no meio do pecado quer andar na escuridão do pecado, para que a podridão não venha à tona. Então, se aproximar da luz de Jesus significa olhar para nossa própria podridão, olhar para nossos pecados e dizer: “Sou eu, Senhor. Dissipe as trevas da minha vida”.
Jesus é verdade! Não a verdade do mundo que é idêntica a analgésico, tira a dor, mas não cura. A verdade do mundo fascina, ludibria, cega e engana. A verdade de Deus, muitas vezes dói, mas sempre liberta. A felicidade que buscamos e que sei que todos buscamos, só encontraremos em Deus, por Jesus. Não depositemos a razão de nossa felicidade em pessoas, não arrisquemos todos os trunfos da nossa vida em alguém. Arrisquemos em Deus, Ele é fiel.

Busquemos a luz sem trevas, a verdade sem mentiras, a felicidade absoluta que é Deus, em Cristo Jesus.
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti 
Boletim do dia 18 de Fevereiro
Filhos e filhas,
Convertei-vos e crede no Evangelho! (Mc 1,15)

É isso mesmo, filhos e filhas, já estamos na Quaresma, tempo favorável! No início desse tempo, recebemos as cinzas em sinal de que aceitamos e queremos fazer uma caminhada de purificação, de arrependimento e de conversão.
Ao recebermos a Imposição das Cinzas, lembramo-nos da nossa condição humana, cheia de incoerências, fraquezas, infidelidade. O gesto da Imposição das Cinzas é externo, mas deve ser fruto de uma vontade interna de mudança e conversão.
As cinzas são dos ramos bentos do ano anterior e cada um, ao recebê-las, deve ter em seu coração a vontade de se voltar para Deus e se deixar reconciliar com Ele. É o próprio Deus quem nos dá essa oportunidade, esse presente e nos propicia essa reconciliação. Como diz São Paulo: “Em Nome de Cristo nós vos suplicamos deixai-vos reconciliar com Deus” (2Cor 5,20b).
Esse é o sentido da Quaresma; nos permitir reconciliar com Deus através daquilo que nos diz a profecia de Joel: rasgando o coração (cf. Jl 2,13). É muito forte! Não é abrir o coração, é rasgar o coração. É dizer: “Senhor eu não sou nada. Eu rasgo meu coração e me derramo na Vossa presença. Eu rasgo meu coração e tiro todas as resistências à minha conversão”.
Jamais devemos olhar a Quaresma como um fardo pesado, mas sim como escreveu São Paulo na Segunda Carta aos Coríntios, que no momento favorável Deus nos ouviu e no dia da salvação, Ele nos socorreu. É agora o momento, é agora o dia da salvação (2Cor 6,2).
Tempo de Quaresma é o tempo favorável. É o tempo de conversão. É a volta à casa do Pai. É o tempo em que a nossa abertura para Deus nos faz reconciliar com Ele. É o tempo também de grandes batalhas e tribulações. Então permaneçamos cada vez mais perto de Deus para que consigamos vencer todas as lutas que nos forem apresentadas.
Filhos e filhas, muitas vezes o Inimigo quer nos afastar de Deus através do pecado, e o pecado nos aniquila, nos vicia e a Quaresma é o tempo oportuno de ajustar a nossa vida com a proposta de Deus. É o tempo de graça e de retiro, para a reflexão e conversão espiritual.
Deus quer se reconciliar conosco, porque Ele nos amou primeiro. Se alguém virou as costas, fomos nós, não Deus! O esforço da Quaresma é se deixar tocar por Deus e se deixar envolver pela Sua misericórdia. Logo não sejamos indiferentes e deixemos Deus, no seu Espírito, nos provocar.
Por isso, eu sugiro que, o propósito para a Quaresma desse ano seja diferente. Além de suprimir comidas e bebidas específicas, mais que isso é fazer o sacrifício que Deus nos propõe. Quaresma é tempo favorável para a graça, a cada ano, devemos ser pessoas melhores e esse deve ser também o intuito da Quaresma, criar novos hábitos, para sermos homens e mulheres renovados em Cristo.
Papa Leão XIV nos convida nessa Quaresma a uma forma de abstinência “muito concreta e frequentemente pouco apreciada”, ou seja, a abstinência de palavras que atingem e ferem o nosso próximo.
“Comecemos por desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário, ao falar mal de quem está ausente e não se pode defender, às calúnias.”
O Papa propõe aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social e nas comunidades cristãs. “Assim, muitas palavras de ódio darão lugar a palavras de esperança e paz.”
Que saibamos viver bem esse tempo, muito propício para lembrar a Infinita misericórdia de Deus e que tenhamos uma santa e frutífera Quaresma.
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti 
Boletim do dia 04 de Março 


Filhos e filhas,

 

“Deus amou de tal forma o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que n’Ele creia não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).

 

Nós amamos porque Deus nos amou primeiro (cf. 1Jo 4,19). Somos constantemente perdoados por Deus, que nos amou primeiro. E, porque somos perdoados e amados por Deus, devemos também perdoar.

 

E qual a medida do perdão? Pedro chega para Jesus e faz essa pergunta: “Senhor, quantas vezes devo perdoar?” (cf. Mt 18,21). E é impressionante que Pedro faz a pergunta e nem espera resposta, ele mesmo sugere: “Até sete vezes?” (Mt 18,19,21). Como ele foi afobado na resposta e mostrou que ele não compreendeu o mestre, Jesus explicou: “Oh! Pedro! Não sete, mas setenta vezes sete, isto é, sempre!" (cf. Mt 18,22).

 

É importante perceber isso, pois se trata de perdoar muitas vezes a mesma pessoa, às vezes pelos mesmos erros, pelos mesmos equívocos. Isso exige tolerância, isso exige misericórdia. Mas também pede força de vontade e empenho, porque, na maioria das vezes, trata-se de pessoas mais próximas. Primeiro, porque as atitudes de outras pessoas não nos causam tanto sofrimento e decepção quanto aquelas de quem amamos e, por isso, não esperamos receber um tratamento hostil ou deliberadamente prejudicial. Em segundo lugar, porque, muitas vezes, nesses casos, o perdão exige reconstruir a confiança, a convivência e o próprio relacionamento.

 

Sem querer ser egoísta ou incentivar o egoísmo, ao perdoar não devemos nos preocupar se o outro vai mudar. Não devemos nos preocupar com os efeitos que o nosso perdão vai provocar, se trará a pessoa de volta, se restaurará a amizade ou se ela também irá nos perdoar. A reconciliação é uma consequência do perdão que nem sempre acontece. O amor, para ser vivido, precisa ser recíproco; o perdão pode ser unilateral. Isso não significa que o outro precise nos perdoar, significa que nós vamos perdoar. É diferente. O perdão deve ser gratuito, unilateral. Não se devem impor condições para perdoar. Deus não age assim conosco; por mais egoístas, miseráveis e pecadores que sejamos, Ele sempre nos perdoa.

 

O perdão deve acontecer, principalmente por se tratar de um preceito de Nosso Senhor. Sejamos sinceros: ao perdoar, não agimos apenas movidos por amor, complacência ou benevolência; perdoamos porque foi isso que Jesus nos pediu. Quem se fecha à graça do perdão fica preso ao passado, à dor, à mágoa, à raiva e, às vezes, até ao desejo de vingança, sentimentos tóxicos que acabam bloqueando o futuro. Além disso, podem provocar doenças psicossomáticas, pois diminuem a imunidade do organismo e abrem espaço para enfermidades oportunistas.

 

Há também aqueles que encontram dificuldade para perdoar, porque ainda não compreenderam que perdoar não significa desculpar ou minimizar a ofensa sofrida e fingir que nada aconteceu. Agir assim é mascarar o problema, como colocar um curativo sobre uma ferida que ainda está suja. Ela pode até parecer cicatrizada, mas, por baixo da casca, a infecção permanece. Insisto: a ferida precisa ser limpa, precisa sangrar, para que possa cicatrizar.

 

Desculpar não é perdoar, e o perdão só cura quando reconhecemos a dor, conversamos sobre a ofensa e, mesmo admitindo ao outro que ele agiu mal e nos feriu, escolhemos não alimentar a tristeza, não guardar ressentimentos e, em Deus, perdoamos suas fraquezas e limitações.

 

Pode parecer difícil, mas, se fizermos de Jesus a nossa rocha firme, teremos a graça de conseguir perdoar e também de sermos perdoados.

 

Deus abençoe,

Padre Reginaldo Manzotti

Boletim do dia 11 de Março


Filhos e filhas,

 


Já estamos na terceira semana da Quaresma, isso mesmo, Carnaval já acabou e precisamos viver plenamente esse tempo se quisermos ressuscitar novas pessoas no domingo da Páscoa do Senhor.

 

E essa preparação obrigatoriamente passa pela confissão. O Sacramento da Reconciliação é um convite a fazer a experiência da misericórdia pelo perdão, por intermédio do sacerdote que age em nome de Deus e da Igreja.

 

Nosso Senhor Jesus Cristo, sabendo de nossas fraquezas, instituiu o sacramento da confissão e escolheu seus representantes, dando-lhes o poder de perdoar os pecados em Seu nome, como ensina São João: “Jesus soprou sobre eles, dizendo: ‘Recebam o Espírito Santo. Os pecados daqueles que vocês perdoarem, serão perdoados. Os pecados daqueles que vocês não perdoarem, não serão perdoados’” (Jo 20, 22b-23).

 

Jesus já havia dito em outra ocasião: "Tudo quanto ligardes na terra será ligado no céu, e tudo quanto desligardes na terra será desligado também no céu" (Mt 18, 18). Sendo assim, o sacerdote não age em seu nome, mas com a autoridade concedida por Jesus. Ou seja, mesmo sendo uma pessoa sujeita ao pecado, como todas as outras, ele atua em nome de Deus e da Igreja para absolver os pecados. É instrumento do perdão de Deus, e o fato de também possuir fraquezas o faz compreender a conduta humana e sua inclinação ao pecado, não se colocando na posição de juiz intransigente. Vale mencionar ainda que, segundo o cânon 1388, o segredo de confissão é inviolável.

 

Costumo dizer que a confissão é um banho espiritual que lava a alma. Da mesma forma que é preciso tomar banho todos os dias para manter o corpo limpo, há a necessidade de confessar-se para garantir a limpeza espiritual. A confissão apaga completamente os pecados, mesmo os mortais, e concede a graça santificante. Aumenta os méritos diante do Criador e permite desenvolver todas as virtudes, além de proporcionar tranquilidade de consciência, alívio das mágoas e consolo espiritual.

 

Para realizar uma confissão adequada, são necessárias, pelo menos, cinco condições:

 


1. Fazer um exame de consciência, que consiste em lembrar os pecados mortais cometidos desde a última confissão. Para que seja caracterizado pecado mortal ou matéria grave (praticar ato que caracterize grande ofensa aos Mandamentos de Deus e da Igreja) é necessário: conhecimento (estar ciente, saber que o ato a ser praticado é pecado); consentimento (ter tempo para refletir e, mesmo assim, cometer o pecado por livre e espontânea vontade). Quando falta um só adjetivo a esses 3 requisitos, é pecado venial ou leve.

 

2. Estar sinceramente arrependido por ter ofendido a Deus e ao próximo.

 

3. Ter o firme propósito de não cometer mais o(s) erro(s), confiando no auxílio da graça de Deus.

 

4. Confessar objetivamente os próprios pecados e não o dos outros.

 

5. Cumprir a penitência que o confessor indicar.

 

Confesse seus pecados com a fé em Jesus Cristo. E, lembre-se:

“Se confessarmos nossos pecados, fiel e justo é Ele para perdoar-nos e purificar-nos de toda iniquidade" (1 João 1, 9).

 

Que o Espírito Santo ilumine e impulsione sempre à confissão principalmente neste tempo de Quaresma.

 

Deus abençoe,

Padre Reginaldo Manzotti


  Boletim do dia 18 de Março

Filhos e filhas,


 

Amanhã, dia 19 de março, a Igreja celebra a Festa de São José, esposo da Virgem Maria, Padroeiro da Igreja Católica, como elevado pelo Papa Pio IX em 1870. Nessa data, a Igreja celebra esse santo homem, silencioso e obediente. Nós da Obra Evangelizar o temos como protetor, pois esse santo é referência nas causas temporais, para que nunca nos falte recursos na evangelização.

 

Eu particularmente, tenho muita devoção a São José e cada vez mais aprendo com esse grande santo. São José é apresentado como um homem justo que observa a lei, um trabalhador, humilde e apaixonado por Maria, como nos ensinou Papa Francisco.

 

Diante do incompreensível, São José prefere colocar-se de lado, mas depois Deus lhe revela a sua missão. E assim José abraça a sua tarefa, o seu papel, e acompanha o crescimento do Filho de Deus, sem julgar. Ele ajudou Jesus a crescer, a se desenvolver. Assim procurou um lugar para que o filho nascesse; cuidou dele; ajudou-o a crescer; ensinou-lhe a profissão e certamente muitas outras coisas.

 

Em todos lugares procuro ter uma imagem de São José dormindo, propago o que aprendi com o Papa Francisco: “No meu escritório, eu tenho uma imagem de São José dormindo, e dormindo, ele cuida da Igreja. Quando eu tenho um problema ou uma dificuldade, e o escrevo em um papelzinho e o coloco embaixo da imagem de São José, para que ele sonhe sobre isso. Isso significa: para que ele reze por este problema”. (Encontro com as famílias filipinas em Manila, em janeiro de 2015).

 

São José, mesmo dormindo, continua intercedendo por nós, pelas famílias e pela Igreja. O culto a São José começou no século IX e um dos primeiros títulos que utilizaram para honrá-lo foi “nutritor Domini”, que significa “guardião do Senhor”.

 

No Experiência de Deus, junto com a novena, estamos vivendo a experiência do Cordão de São José, um verdadeiro caminho de oração e perseverança, no qual somos convidados a rezar durante 30 dias, apresentando nossas intenções e confiando na intercessão de São José, enquanto refletimos as sete dores e alegrias do santo Patriarca.

 

É gratificante acompanhar tantos testemunhos que não param de chegar, relatando graças e bênçãos alcançadas ao longo dessa caminhada de fé, vivida com confiança e entrega a Deus.

 

Por isso, convido todos a fazerem essa experiência, meditando sobre as dores e alegrias de São José, que nos ajudam a conhecê-lo mais profundamente e a compreender que, assim como nós, ele também enfrentou desafios, mas permaneceu fiel ao Senhor.

 


Primeira Dor: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo (Mt 1,18).

 

Primeira Alegria: O anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho, e lhe disse: José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo (Mt 1, 20-21).

 

Segunda Dor: Veio para o que era seu, e os seus não o acolheram (Jo 1,1).

 

Segunda Alegria: Foram às pressas a Belém e encontraram Maria e José, e o recém-nascido, deitado na manjedoura (Lc 2,16).

 

Terceira Dor: Quando se completaram os oito dias para a circuncisão do menino, deram-lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo anjo antes de ser concebido (Lc 2,21).

 

Terceira Alegria: A quem porás o nome de Jesus, será chamado Filho do Altíssimo..., e o seu reino não terá fim (Lc 1, 31 e 32).

 

Quarta Dor: Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus: Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações (Lc 2, 34).

 

Quarta Alegria: Porque meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos: luz para iluminar as nações (Lc 2, 30.32).

 

Quinta Dor: O Anjo do Senhor apareceu em sonho a José e lhe disse: Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito! Fica lá até que eu te avise! (Mt 2,13).

 

Quinta Alegria: Ali ficou até à morte de Herodes, para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: 'Do Egito chamei o meu Filho' (Mt 2,15).

 

Sexta Dor: José levantou-se, pegou o menino e sua mãe, entrou na terra de Israel. Mas, quando soube que Arquelau reinava na Judeia, no lugar de seu pai Herodes, teve medo de ir para lá (Mt 2, 22).

 

Sexta Alegria: Depois de receber um aviso em sonho, José retirou-se para a região da Galileia, e foi morar numa cidade chamada Nazaré. Isso aconteceu para se cumprir o que foi dito pelos profetas: Ele será chamado Nazareno (Mt 2,23).

 

Sétima Dor: Começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. Não o tendo encontrado, voltaram para Jerusalém à sua procura (Lc2, 44).

 

Sétima Alegria: Três dias depois, O encontraram no Templo. Estava sentado no meio dos mestres, escutando e fazendo perguntas (Lc 2,45).

 

Que ao contemplarmos as dores e alegrias de São José, possamos também aprender a confiar nos desígnios de Deus, mesmo quando não compreendemos os caminhos que Ele nos apresenta. São José nos ensina o silêncio que escuta, a obediência que acolhe e a fé que persevera.

 

E, assim como ele, que sejamos capazes de cuidar daquilo que Deus nos confia: nossa família, nossa missão e nossa própria vida espiritual. Que não nos falte coragem diante das dificuldades, nem gratidão nas alegrias, mas, em tudo, um coração fiel ao Senhor.

 

Peçamos hoje, com confiança, a intercessão desse grande santo, para que ele continue passando à frente de nossas causas, abrindo portas, sustentando nossas necessidades e conduzindo-nos sempre mais perto de Jesus.

 

Deus abençoe,

Padre Reginaldo Manzotti

Boletim do dia 26 de Março

Filhos e filhas,

 


Nesta mensagem quero convidar a uma reflexão sobre a Anunciação do Senhor, uma festa natalina comemorada dia 25 de março. Essa celebração nos apresenta Maria, que sempre nos é um modelo de fé.

Sobre isso disse Santo Agostinho: “Mais bem-aventurada, pois, foi Maria em receber Cristo pela fé do que em conceber a carne de Cristo. A consanguinidade materna, de nada teria servido a Maria, se Ela não se tivesse sentido mais feliz em acolher Cristo no seu Coração, que no seu seio”.

 

A Anunciação a Maria inaugura a “plenitude dos tempos” (Gl 4,4), isto é, o cumprimento das promessas e dos preparativos para a chegada do Messias. O Anjo a saúda: “Ave cheia de graça” (Lc 1,28). Na fé, Maria acolheu o anúncio, questionou, mas não duvidou, acreditou que para Deus “nada é impossível” e deu seu consentimento: "Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”. (Lc 1,26-38).

 

A cheia de graça, como disse o Arcanjo, buscou a luz. E não pensemos que ela tinha clarividência, ela não entendia os fatos que aconteciam na sua vida e na de seu filho, mas em nenhum momento reclamava ou se revoltava. Ao contrário, com paciência, “guardava tudo em seu coração”.

 

Essa expressão mostra que enquanto humana Maria também teve momentos de obscuridade. Que não compreendia tudo. Mas diante do que não compreendia, ela mergulhava em oração. Ela buscava esclarecer em Deus. Ela buscava uma luz numa vida de escuta de Deus.

 

Maria foi a primeira anunciadora do Filho, ao visitar sua prima Isabel, é portadora da alegria da boa-nova e da luz do Espírito Santo. Foi pela fé que ela, ao dar à luz a Jesus, entre os animais em um estábulo, acreditou que ele era o Filho de Deus. E, quando o viu maltratado, crucificado acreditou que ele era o Salvador. Humilde e obediente, Maria se sujeita à lei mosaica da purificação, embora o mistério da concepção e do parto virginal a preserve de qualquer impureza e apresente no Templo, Aquele que é o Filho de Deus, o próprio Deus (Lc 2,22-24).

 

Foi pela fé e confiança em Deus que se manteve firme quando ouviu do velho Simeão a profecia, que mãe nenhuma suportaria ouvir com resignação: “Eis que este menino vai ser causa de queda e elevação de muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. Quanto a você, uma espada há de atravessar-lhe a alma. Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações”.(Lc 3,34-35).

 

Foi pela fé, confiança e esperança em Deus, que a motivou quando precisou fugir para o Egito com o Menino Jesus nos braços para salvá-lo da morte pelo extermínio, que Herodes ordenou se fizesse aos recém-nascidos (Mt 2,13-14). No acontecimento do Calvário, aos pés da cruz, o Evangelista João (que esteve ao seu lado) mostra a mãe, mulher forte, junto do Filho, em pé, acolhendo o legado de mãe da humanidade, que Jesus deixou em Suas palavras: “Filho, eis aí tua mãe. Mãe, eis aí teu filho”. (Jo 19,25-27).

 

Nesses tempos, aprendamos com Maria a ter fé em Deus e assim como Ela, confiar no Deus do impossível que tudo pode, porque afinal, a tempestade vai passar.

 

E não quero terminar sem antes pedir uma prece pela Obra Evangelizar é Preciso, para que o Espírito Santo conduza e abra os caminhos. E também peço que ofereça uma Ave Maria pela pelos frutos do II Evangelizar é Preciso Rio de Janeiro, para que seja de bênçãos e graças.

 

Deus abençoe,

Padre Reginaldo Manzotti

Boletim do dia 08 de Abril

Filhos e filhas,

 


Ressuscitou Aleluia! Verdadeiramente ressuscitou, aleluia!

 

A vitória com Deus é certa! Temos essa certeza porque Jesus Ressuscitou, venceu a morte e nos garantiu a vida eterna. Ele fez nova todas as coisas!

 

No primeiro dia Deus fez a luz, Ele começa a criar o mundo dizendo, faça-se a luz, primeiro dia da criação. Ele podia ter feito o homem, mas Deus fez a luz. (cf. Gn 1,1-3). E no primeiro dia da semana, no raiar do sol, as mulheres foram ao túmulo e não encontraram Jesus. No primeiro dia da semana Deus disse: faça-se a luz e no primeiro dia da semana Jesus fez a luz nascer de novo para a humanidade. A ressurreição! (Mt 28,1-10).

 

A ressurreição vai contra qualquer princípio humano, antropológico, biológico, escatológico. Ele venceu o diabo, Ele venceu seus algozes, Ele venceu o sepulcro, e aqui reside a minha e a tua fé! Se você caminhar até a Sexta-feira Santa ou Sábado Santo e parar por aí, tudo acabou, porque a vitória de Jesus está no primeiro dia da semana. Cristo ressuscitou, essa é a diferença!

 

Se Jesus tivesse terminado num sepulcro eu não seria padre e você não seria católico, porque morrer todo mundo vai, não tem glória nenhuma em morrer, se olharmos para os grandes imperadores todos morreram, e os grandes impérios ruíram. Então, o que fez a diferença é o fato de Jesus Cristo ter morrido na cruz? Também não! Pouco antes de Jesus morrer na cruz mais de seis mil judeus foram crucificados de Roma até a Judeia. O que faz a diferença em Jesus Cristo é o fato de que foi o único que morreu e voltou à vida.

 

O sepulcro estava vazio, aqui tem algo de novo. Na nossa vida há uma única certeza, a certeza de que ninguém vai viver eternamente na Sexta-feira Santa, não se iluda, a maior parte da nossa vida é peleja, é sofrimento, é tribulação. Todos têm dificuldades, a diferença é a certeza da vitória seja nessa ou na outra vida, garantida por Cristo na Ressurreição.

 

Por tudo isso quis inserir na imagem de Jesus das Santas Chagas a superação da morte, as chagas de Cristo, são chagas gloriosas. Pode-se notar que são feridas cicatrizadas, são marcas de quem amou até o fim.

 

Outro detalhe é a pedra que está atrás de Jesus, sim a pedra do sepulcro não é mais empecilho para Cristo, ela está atrás dele, menor que ele, sendo apenas mera memória de um cárcere mortuário incapaz de reter em si a vida que resplandece com a força da ressurreição.

 

Não posso terminar essa mensagem sem citar que estamos prestes a celebrar a Festa da Misericórdia, agora no segundo Domingo da Páscoa. Jesus garantiu que, para aqueles que na Festa da Misericórdia recorressem a Ele, faria abrir todas as comportas de graças e bênçãos.

 

Ele disse a Santa Faustina:

“Nesse dia estão abertas as entranhas da Minha misericórdia. Derramo todo um mar de graças nas almas que se aproximam da Minha misericórdia. (Diário 699). E prometeu: “Todos os que clamarem minha misericórdia, pela minha própria honra, eu os defenderei na vida e principalmente na hora da morte”.

 

É a Festa de Cristo que, pela Sua Morte e Ressurreição, nos justifica através do Sacramento do Batismo e nos alimenta pelo Sacramento da Eucaristia.

 

Digo a vocês que ninguém se arrepende de recorrer à misericórdia de Jesus. Ninguém se arrepende de dizer: “Jesus pelas minhas forças eu não consigo, eu clamo à Vossa misericórdia”. Aí está a nossa salvação.

 

Deus abençoe,

Padre Reginaldo Manzotti

 


Boletim do dia 15 de Abril

Filhos e filhas,

 

É para a liberdade que Cristo nos libertou (cf. Gl 5,1)

 

Neste tempo pascal, eu convido você a refletir comigo sobre expressões que muitas vezes repetimos com facilidade, mas nem sempre compreendemos em profundidade: “O Senhor ressuscitou. O Senhor nos libertou”. Mas libertou de quê? Somos livres para quê? Como podemos afirmar que somos verdadeiramente livres?

 

Com frequência, nós ouvimos: “faça o exame de consciência”. Mas o que é a consciência? Se ela existe, por que tantas vezes insistimos no erro? Porque a nossa consciência pode estar deformada, enfraquecida… e assim, o pecado acaba convivendo dentro de nós.

 

São Pedro nos ensina:

“Pois o batismo não serve para limpar o corpo da imundície, mas é um pedido a Deus para obter uma boa consciência, em virtude da ressurreição de Jesus Cristo” (1Pd 3,21).

 

Filhos e filhas, nós somos livres para praticar o bem. A liberdade que Cristo nos conquistou na cruz e na ressurreição não é qualquer liberdade, é uma liberdade que nasce do sepulcro vazio, uma liberdade em Jesus, que deve nos conduzir a uma consciência reta.

 

Deus nos concedeu o livre-arbítrio, ou seja, a capacidade de escolher: fazer ou não fazer, agir ou não agir. Mas essa liberdade só encontra sua plenitude quando está em sintonia com Deus.

 

Como nos recorda a Palavra no Livro do Eclesiástico:

“Deus criou o homem e o deixou em poder de suas próprias decisões” (cf. Eclo 15,14).

 

Por isso, tudo o que fazemos tem consequências: para nós, para os outros e para a nossa salvação. Deus é misericordioso, mas respeita a nossa liberdade. E o caminho para escolher o bem é formar, endireitar a consciência, iluminando-a pela razão e pela graça.

 

No dia a dia, somos chamados a decidir o tempo todo. Não existe um roteiro pronto, precisamos usar a nossa liberdade. Mas então, como não errar? Como fazer as escolhas certas?

 

O ser humano pode escolher seguir a Deus ou não. Enquanto não estivermos totalmente unidos a Ele, sempre haverá essa luta: escolher o bem ou o mal, crescer na graça ou permanecer no pecado. A decisão é nossa.

 

Por isso, formar a consciência é um trabalho para toda a vida. A educação, a busca das virtudes, da prudência… tudo isso precisa nos conduzir à cura do medo. Muitas vezes, a pessoa se aproxima de Deus por medo, e isso pode até ser um começo. Mas a nossa relação com Deus não pode parar no medo, ela precisa amadurecer no amor.

 

Deus não nos quer como servos assustados, mas como filhos e filhas que amam, que confiam e que entregam a Ele a própria liberdade. A cura do medo, do egoísmo e da culpa é um caminho, um exercício constante. E quem busca uma consciência reta encontra a verdadeira paz.

 

Estamos todos em processo de conversão. Uma conversão que acontece todos os dias: na caridade com os pobres, na defesa da justiça, na correção fraterna, no exame de consciência, na aceitação das cruzes de cada dia.

 

Tomar a cruz e seguir Jesus: eis o caminho da verdadeira liberdade.

 

Deus abençoe,

Padre Reginaldo Manzotti

Boletim do dia 06 de Maio

Filhos e filhas,

 


“A mais bela obra-prima do coração de Deus é o coração de uma mãe.”

 

Começo a mensagem de hoje com essa frase de Santa Teresinha de Lisieux porque a maternidade é um dos mais belos mistérios que Deus confiou à humanidade. Mais do que um fato biológico, ser mãe é uma vocação, um chamado profundo ao amor que se doa, que se entrega e que se renova todos os dias. É um amor que não se explica, mas se vive, com o poder de transformar tudo ao redor.

 

Encontramos o modelo mais perfeito de maternidade em Nossa Senhora. Maria não teve uma vida fácil. Sua maternidade foi marcada por desafios, incertezas e dores profundas. Desde o anúncio do Arcanjo Gabriel até a cruz de seu Filho, ela viveu cada etapa com uma fé firme e um coração totalmente disponível a Deus.

 

Maria nos ensina que ser mãe é confiar. Quando não entendia, ela guardava tudo no coração. Sua maternidade não foi construída sobre facilidades, mas sobre fidelidade. Concebida sem pecado, Maria é a serva fiel que se ofereceu inteiramente a Deus e, acolhendo o convite da graça com seu “sim”, torna-se modelo de quem realiza a vontade do Pai e imagem da comunidade comprometida com o plano da salvação.

 

Do Antigo ao Novo Testamento, muitos são os personagens destacados, mas a nenhum outro foi confiado um papel tão singular na obra de salvação como foi o papel de Maria. Seu ventre foi o solo fecundo, no qual Deus, pelo Espírito Santo, gerou o Verbo. Jesus, Nosso Senhor e Salvador. No seio de Maria, Deus se fez criança e veio habitar entre nós.

 

O Magistério da Santa Igreja, no Concílio Vaticano II, apresentou Maria Santíssima como modelo de virtudes. A virtude é uma disposição constante e firme para fazer o bem. Permite à pessoa não apenas praticar atos bons, mas oferecer o melhor de si (CIC 1803). Na Santíssima Virgem, a Igreja alcançou já aquela perfeição sem mancha nem ruga que lhe é própria (cf. Ef. 5,27), os fiéis ainda precisam esforçar-se para vencer o pecado e crescer na santidade; e por isso elevam os olhos para Maria, que resplandece como modelo de virtudes sobre toda a família dos eleitos. (Lumen Gentium, 65)

 

Como bem afirmou Santo Tomaz de Aquino “A Bem-aventurada Virgem Maria é o modelo e o exemplo de todas as virtudes”. Por isso Ela é a Mãe de todas as mães, porque a própria maternidade deve ser uma escola de virtudes. Maria foi a serva humilde que jamais buscou para si mesma a atenção. Encontramos, na Bíblia, pouquíssimas palavras pronunciadas por Maria.

 

Maria foi preparada desde sempre para ser a Mãe do Filho de Deus, como nos ensina o Catecismo da Igreja Católica:

“Ao longo de toda a Antiga Aliança, a missão de Maria foi preparada pela missão de santas mulheres. No princípio está Eva: apesar de sua desobediência, ela recebe a promessa de uma descendência que será vitoriosa sobre o Maligno e a de ser a mãe de todos os viventes. Em virtude dessa promessa, Sara concebe um filho, apesar de sua idade avançada. Contra toda expectativa humana, Deus escolheu quem era considerado impotente e fraco para mostrar sua fidelidade à sua promessa: Ana, a mãe de Samuel, Débora, Rute, Judite e Ester, e muitas outras mulheres. Maria se sobressai entre (essas) humildes e pobres do Senhor, que dele esperam e recebem com confiança a Salvação. Com ela, Filha de Sião por excelência, depois de uma longa espera da promessa, completam-se os tempos e se instaura a nova economia”. (CIC 489)

 

 

Maria permaneceu com sua missão junto aos apóstolos: “Ao final desta missão do Espírito, Maria torna-se a ‘Mulher’, nova Eva, ‘mãe dos viventes’, Mãe do ‘Cristo total’. É nesta condição que ela está presente com os Doze, ‘com um só coração, perseverantes na oração’ (At 1,14), na aurora dos ‘últimos tempos’ que o Espírito vai inaugurar na manhã de Pentecostes, com a manifestação da Igreja”. (CIC 726)

 

Ela é a Mãe da Igreja, a mãe que intercede por nós junto a Jesus. Como nas Bodas de Caná, ela continua a ver nossas necessidades e levá-las ao Filho, ao mesmo tempo continua sempre a nos dizer: “Façam tudo o que meu Filho vos disser”. (cf. Jo 2,5)

 

Hoje, ao refletirmos sobre a maternidade, somos convidados a olhar para Maria e aprender com ela. Que cada mãe possa encontrar em Nossa Senhora consolo nas dificuldades, força nas lutas e esperança nos momentos de incerteza.

 

E a todos nós, fica o convite: valorizemos nossas mães enquanto podemos. Um gesto, uma palavra, um abraço, podem significar mais do que imaginamos. O amor de mãe é um presente que devemos valorizar em todos os momentos.

 

Que Deus abençoe todas as mães, fortaleça seus corações e recompense cada gesto de amor, mesmo aqueles que ninguém vê. E que, à luz de Maria, possamos compreender que a maternidade é, acima de tudo, um reflexo do próprio amor de Deus no mundo.

 

Deus abençoe e fortaleça todas as mães,

Padre Reginaldo Manzotti