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sábado, 15 de março de 2025

ORATÓRIO - CAPELA DE JESUS DAS SANTAS CHAGAS

 

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Bênção das Santas Chagas
Para a Proteção do Lar

O Senhor esteja convosco
Ele está no meio de nós
Que a divina bênção vos acompanhe,
Que o Espírito Santo ilumine os vossos pensamentos
E que o Seu poder aja em toda parte.
Tudo o que se encontra nesta casa,
Os que nela entram,
Os que dela saem,
Que Jesus,
Nas Suas Santas Chagas,
Vos abençoe e vos preserve do mal
Para que nenhuma desgraça se aproxime de vós.
O Senhor vos abençoe
E vos guarde
Que Ele faça seu rosto
Brilhar sobre vós
Que Ele se compadeça de vós
E vos dê a paz
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.


Amém. 

 

 


 + Por Suas Santas Chagas,

+ Suas Chagas Gloriosas,

+ O Cristo Senhor me proteja e me guarde.

(Padre ou dirigente)

Eu creio, ó Jesus, que estás verdadeira e realmente presente no Santíssimo Sacramento. Creio que Vossas mãos, Vossos pés e Vosso Sagrado peito conservam, debaixo dos véus Eucarísticos, como na glória dos Céus, os sagrados sinais das Chagas abertas pelos cravos e pela lança.

Beijo em espírito, adoro com fé, considero com amor, reconhecimento e admiração esses Estigmas benditos, fixando neles o olhar de minha alma para agradecer-Vos a grandiosidade do Vosso Amor e da Vossa Misericórdia.

Ó, Senhor Jesus, deixai-me adentrar as Vossas cinco Chagas com Maria Santíssima, Vossa Mãe, São João, Madalena, São Francisco de Assis, Santo Frei Pio de Pietrelcina e tantos outros Santos de todos os séculos que muito terna e amorosamente as tem compreendido e amado.

(Todos)

Suplico-Vos ó Senhor Jesus, curai-me e libertai-me, pelos méritos das Vossas Santas Chagas.

Purificai-me! Esclarecei-me! Inflamai-me de amor e piedade pelas Vossas Santas, Salvadoras e Redentoras Chagas!

De joelhos me prostro ante Vossa imagem sagrada.

(Todos)

Oh! Salvador meu, minha consciência me diz que tenho sido eu que Vos cravou na cruz, com estas minhas mãos, todas as vezes que tenho ousado cometer um pecado mortal.

Deus meu, meu amor e meu tudo, digno de toda adoração e amor, vendo como tantas vezes me haveis cumulado de bênçãos, me acho de joelhos, convencido de que ainda posso reparar as injúrias com que Vos tenho ofendido. Ao menos posso me compadecer, posso dar-Vos graças por todo o que haveis feito por mim. Perdoai-me, Senhor meu. Por isso com o coração e com os lábios digo: Perdoai-me, Senhor meu.

(Coloque aqui os seus pedidos neste dia de contemplação às Chagas Dolorosas e Gloriosas, de Jesus das Santas Chagas)

Segunda-feira

Ao contemplar a Chaga da mão direita: Santíssima Chaga da mão direita de meu Jesus, Vos adoro.

Me dói, Bom Jesus, de ver-Vos sofrer tão dolorosa pena. Vos dou graças, oh! Jesus de minha vida, por ter-me acumulado de benefícios e graças, e isso apesar de minha obstinação ao pecado.

Ofereço ao Eterno Pai o sofrimento e o amor de Vossa Santíssima Humanidade e suplico me ajude a fazer tudo para maior honra e Glória de Deus.

Terça-feira

Ao contemplar a Chaga da mão esquerda: Santíssima Chaga da mão esquerda de meu Jesus, Vos adoro.

Me dói, Bom Jesus, de ver-Vos sofrer tão dolorosa pena. Vos dou graças, oh! Jesus de minha vida, porque por Vosso amor haveis livrado a mim de sofrer a flagelação e a eterna condenação, que tenho merecido por causa de meus pecados.

Ofereço, ao Eterno Pai, o sofrimento e o amor de Vossa Santíssima Humanidade e suplico me ajude a fazer bom uso de minhas forças e de minha vida, para produzir frutos dignos da glória e vida eterna e assim desarmar a justa ira de Deus.

Quarta-feira

Ao contemplar a Chaga do pé esquerdo: Santíssima Chaga do pé esquerdo de meu Jesus, Vos adoro.

Me dói, Bom Jesus, ver-Vos sofrer aquela pena dolorosa. Vos dou graças, oh! Jesus de minha alma, porque haveis sofrido tão atrozes dores para deter-me em minha carreira ao precipício, sofrendo-Vos a causa dos pulsantes espinhos de meus pecados.

Ofereço ao Eterno Pai, o sofrimento e o amor de Vossa Santíssima Humanidade para ressarcir meus pecados, que detesto com sincera contrição.

Quinta-feira

Ao contemplar a Chaga do pé direito: Santíssima Chaga do pé direito de meu Jesus, Vos adoro.

Me dói, Bom Jesus, de ver-Vos sofrer tão dolorosa pena. Vos dou graças, oh! Jesus de minha vida, por aquele amor que sofreu tão atrozes dores, derramando sangue para castigar meus desejos pecaminosos e andadas em prol do prazer.

Ofereço ao Eterno Pai, o sofrimento e o amor de Vossa Santíssima Humanidade, e peço a graça de chorar minhas transgressões e de perseverar no caminho do bem, cumprindo fidelissimamente os mandamentos de Deus.

Sexta-feira

Ao contemplar a Chaga do Sacratíssimo peito: Santíssima Chaga do Sacratíssimo peito de meu Jesus, Vos adoro.

Me dói, Bom Jesus, de ver-Vos sofrer tão grande injúria. Vos dou graças, oh! Bom Jesus, pelo amor que me tendes, ao permitir que Vos abrissem o peito, com uma lançada e assim derramar a última gota de sangue, para redimir-me.

Ofereço ao Eterno Pai esta oferta e o amor de Vossa Santíssima Humanidade, para que minha alma possa encontrar em Vosso Coração transpassado um seguro Refúgio. Assim seja.

Sábado

Ao contemplar as Vossas cinco Chagas Senhor Jesus, Vos adoro.

Me dói, Bom Jesus, de ver-Vos sofrer tão grande injúria. Vos dou graças, oh! Bom Jesus, pelo amor que me tendes, ao permitir que Vos fosse martirizado sob Vossas cinco Chagas, curai-me e libertai-me, basta-me uma única gota de sangue, para redimir-me.

Ofereço ao Eterno Pai, a minha vida e o amor de Vossa Santíssima Humanidade, que por nossa remissão possamos ser dignos a exemplo de Jesus vencer a morte e a fazer tudo para maior honra e Glória de Deus

Oração de Conclusão

Todos os dias

(Padre)

Deus de infinita misericórdia, que por meio do Vosso Filho Unigênito, pregado na Cruz, quisestes salvar todos os homens, concedei-nos que, venerando na Terra as Suas Santas Chagas, mereçamos gozar no Céu o fruto Redentor do Seu Sangue.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Amém.

fonte: https://evangelizarepreciso.com.br/jesus-das-santas-chagas/contemplacao/

Origem da Devoção

A devoção às Santas Chagas de Jesus é antiga, nasceu no maior sacrifício de amor da Igreja Católica: no madeiro da Cruz. A partir desse momento, as Chagas Dolorosas transformam-se em glória e revelam as virtudes de Cristo em cada uma das cinco marcas da Paixão.

Como abraçamos a Devoção

A devoção a Jesus das Santas Chagas tocou o coração do Padre Reginaldo Manzotti durante o evento “24 Horas em Oração na Presença do Senhor” em 2015. Diante do Santíssimo, ele pediu: “Senhor, dai-nos uma devoção para seguir”.

Nesse momento, ao olhar para o quadro de Jesus Misericordioso, Suas Chagas Dolorosas e Gloriosas se destacaram e revelaram a devoção que deveria ser abraçada. Isso aconteceu exatamente quando a Obra completava 10 anos, como um presente do Senhor.

Desde então, a Associação Evangelizar É Preciso abraçou essa devoção que, inclusive, é inspiração para um dos nossos Carismas: “A devoção a Jesus nas Suas Santas Chagas”.

Principal propósito

A Devoção às Santas Chagas de Jesus é principalmente de cura e libertação. Está na própria oração do Terço de Jesus das Santas Chagas: “Eterno Pai, eu Vos ofereço as Santas Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo; para curar as de nossas almas”.

Consagração a Jesus das Santas Chagas

Amado Jesus, Senhor das Santas Chagas.

Quisestes conservar em Vosso Corpo Glorioso as cicatrizes das Vossas cinco Chagas, para que sejam uma lembrança de Vossa Paixão, uma prova de Vossa Ressurreição e da vitória sobre a morte e o pecado.

Por Vossas Chagas benditas, Vos consagro a minha vida e ações, dores e sofrimentos para que a cada dia eu possa Vos servir e propagar o Vosso amor.

Eu Vos entrego todo o meu ser, a minha liberdade, a minha memória, o meu entendimento, a minha vontade, dispõe de mim como quiser, Senhor.

Ajudai-me na missão de Mensageira(o) da devoção às Vossas Santas Chagas.

Dai-me um coração grande, generoso e humilde que possa se compadecer e acolher os que necessitam.

Levai-me aonde quiseres ir e colocai em minha boca as palavras que quiseres falar.

Fazei, Senhor, que trazendo sempre impressos na mente e no coração as Vossas Santas Chagas eu tire delas abundantes frutos de graça e de virtude para mim e para todos que eu visitar em Vosso Nome.

Fazei, Senhor, que venerando na Terra as Vossas Santas Chagas, mereçamos gozar no Céu o fruto Redentor do Vosso Sangue.

Amém.

 

fonte: https://evangelizarepreciso.com.br/jesus-das-santas-chagas/sobre-a-devocao/

Há devoções tão antigas como o Calvário e que tiveram pontos altos na vida e na história da Igreja. Entre estas está a devoção das Santas Chagas.

Parece ser da vontade de Deus reavivar tal devoção, como meio de santificação pessoal e reparação pelos pecadores. Perante tanta maldade e desordem, desprezo pelo divino e indiferença pela ofensa ao Criador, só a reparação pode salvar o mundo. Daí a necessidade de almas reparadoras. E a devoção das Santas Chagas é eminentemente reparadora.

Santo Agostinho, São João Crisóstomo, São Bernardo, São Boaventura, São Tomás de Aquino e São Francisco de Assis fizeram desta devoção objeto especial do seu zelo apostólico.

Em seu livro de 1761, A Paixão e a Morte de Jesus Cristo, Santo Afonso Maria de Ligorio, fundador dos Padres Redentoristas, listou, entre vários exercícios piedosos, o Terço das Cinco Chagas de Jesus Crucificado.
O Rosário das Santas Chagas (também chamado de "Terço das Santas Chagas" disponível aqui no Pocket Terço) foi introduzido pela primeira vez no início do século 20 pela Venerável Irmã Maria Marta Chambon, religiosa católica romana leiga do Mosteiro da Ordem de Visitação em Chambéry, França.

AS SANTAS CHAGAS

O Senhor, ao manifestar-Se à Irmã Maria Marta Chambon, do Mosteiro da Visitação de Santa Maria Chambery, falecida em odor de santidade em 21 de Março de 1909, encarregou-a de invocar constantemente as Suas Chagas e de avivar esta devoção no mundo. Para este fim, revelou-lhe com palavras vivas os tesouros que encerram essas feridas abertas na Sua Carne imaculada.
Deveis repetir com freqüência, junto aos doentes esta aspiração: "MEU JESUS, PERDÃO E MISERICÓRDIA, PELOS MÉRITOS DE VOSSAS SANTAS CHAGAS." Esta oração aliviará a alma e o corpo. Muitas pessoas experimentarão a eficácia destas aspirações.
O pecador que disser a oração seguinte, alcançará perdão: "PAI ETERNO, EU VOS OFEREÇO AS CHAGAS DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, PARA CURAR AS DE NOSSAS ALMAS". 

 


† Por Suas Santas Chagas
† Suas chagas Gloriosas
† O Cristo Senhor me proteja e me guarde

Senhor Jesus, foste elevado na Cruz para que por Vossas Santas Chagas, sejam curadas as de nossas almas. Eu Vos louvo e agradeço pelo Vosso ato redentor. Carregaste em Vosso próprio corpo os meus pecados e de toda a humanidade. Nas Vossas Santas Chagas coloco minhas intenções. Minhas preocupações, ansiedades e angustias. Minhas enfermidades físicas e psíquicas. Meus sofrimentos, dores, alegrias e necessidades. Em vossas Santas Chagas Senhor coloco minha família. Envolvei Senhor a mim e meus familiares protegendo-nos do mal.

(instante de silencio)

Senhor, ao mostrar Vossas Santas Chagas Gloriosas a Tomé e o mandando tocar em Vosso lado aberto, o curaste da incredulidade. Eu Vos peço, Senhor, permita-me refugiar em Vossas Santas Chagas e por mérito desses sinais de Vosso amor curai a minha falta de fé. Ó Jesus, pelos méritos de Vossa Paixão, Morte e Ressurreição, dai-me a graça de viver os frutos da nossa redenção.
Amém.fonte: 

https://pocketterco.com.br/terco/novena-das-santas-chagas

quinta-feira, 13 de março de 2025

SÃO LUÍZ GONZAGA

 21 DE JUNHO – DIA DE SÃO LUÍS GONZAGA



São Luís Gonzaga – “O Deus que me chama é Amor”

Altíssimo foi o grau de santidade por ele alcançado pela via da inocência. Nada de terreno o atraía, vivia em contemplação e todas as suas ações estavam em conformidade plena com os desígnios divinos.

Então, o que faremos, Irmão Luís? — perguntou o Padre Provincial, ao entrar no quarto do enfermo.

— Estamos a caminho, Padre.

— Para onde?

— Para o Céu… Se não impedirem meus pecados, espero, pela misericórdia de Deus, ir para lá.

Esta era a disposição de alma do jovem noviço da Companhia de Jesus, que interrompera seus estudos de Teologia por força de uma grave doença e há três meses jazia prostrado no leito. Oito dias antes, predissera que estes seriam para ele os últimos.

“Morrerei esta noite”

Já pela manhã, pediu o Viático, o qual só lhe foi trazido à tarde, por julgarem-no ainda com saúde. Passou o dia em atos de fé, petição e adoração. Os padres jesuítas não se consolavam por perder o santo irmão, e tentavam persuadi-lo de que sua hora ainda não chegara. Ele, inflexível, respondia:

— Morrerei esta noite. Morrerei esta noite.

Padres e noviços de todas as casas, tendo sabido da predição de sua morte, acorreram para despedir-se dele, encomendar-se às suas orações e pedir seus últimos conselhos. A doença minara-lhe a saúde do corpo, mas a alma a cada momento crescia em santidade. Assim, atendia a todos com afeto, prometendo lembrar-se deles no Céu.

Tendo anoitecido e vendo o Padre Reitor que Luís ainda falava com facilidade, concluiu que não morreria nessa noite e deu ordem aos irmãos para se recolherem a dormir. Ficaram no quarto apenas dois sacerdotes para auxiliar o enfermo, além do seu confessor, São Roberto Belarmino.

Luís não escondia sua profunda alegria. Ir para o Céu, unir-se definitivamente com Deus: era o que mais almejara durante sua curta vida!

Passado algum tempo, disse ao confessor:

— Padre, podeis fazer a encomendação.

O sacerdote logo a fez, com muita compenetração e devoção. Recolhido, calmo e confiante, Luís aguardava o momento supremo, o qual não tardou: por volta das vinte horas, com os olhos fixos no crucifixo que segurava em suas mãos, entrou serenamente nas terríveis dores da agonia. Nenhum gemido lhe saiu dos lábios, seu olhar não se desviou um instante sequer d’Aquele que tanto sofrera por nós na Cruz. Pronunciando o Santíssimo Nome de Jesus, entregou sua alma a Deus na mais inteira paz.

O perfeito pensa constantemente em Deus

Luís Gonzaga era dessas almas diletas, sobre as quais Deus derrama graças e dons em superabundância para mantê-las na inocência. Altíssimo foi o grau de santidade alcançado por ele nessa via. Nada de terreno o atraía, vivia em contemplação e todas as suas ações estavam em conformidade plena com os desígnios divinos. 
Primeira comunhão de São Luís Gonzaga. Igreja da Companhia de Jesus, Quito-Equador. (imagem: Arautos do Evangelho)

Eis como o famoso dominicano Padre Garrigou-Lagrange descreve uma alma nesse estado de perfeição:

“Depois da purificação passiva do espírito, os perfeitos conhecem a Deus de uma maneira quase experimental, não mais passageira, porém quase contínua. Não somente durante as horas da Missa, do Ofício Divino ou demais orações, mas também no meio das ocupações exteriores, sua alma permanece voltada para Deus. Por assim dizer, eles não perdem sua presença e guardam a união atual com Ele.

“Compreenderemos com facilidade a questão se a analisarmos em contraposição ao estado de alma do egoísta. Este pensa sempre em si mesmo e, naturalmente, refere tudo a si; entretém-se sem cessar consigo mesmo sobre suas veleidades, suas tristezas, ou suas superficiais alegrias; sua conversa íntima, por assim dizer, é incessante, mas vã, estéril e esterilizante para todos. O perfeito, ao contrário, em lugar de pensar em si, pensa constantemente em Deus, em Sua glória, na salvação das almas e, para isso, faz tudo convergir para este objetivo, como por instinto. Sua conversa íntima não é consigo mesmo, mas com Deus”.1

Vejamos alguns episódios da existência terrena, breve, mas pervadida de santidade, de São Luís Gonzaga, que refletem bem sua inocente alma.

Retidão desde a infância

Nasceu em 9 de março de 1568, no castelo de Castiglione, Itália. Foi o primeiro filho de Dom Fernando Gonzaga, Marquês de Castiglione e Príncipe do Sacro Império, e de Dona Marta Tana, dama da Rainha Isabel de Valois.

Muito agradava à marquesa ver quão bem seu filho assimilava, desde pequeno, suas maternais instruções de piedade. Seu pai, porém, se inquietava, pois temia que a devoção o desviasse da carreira das armas, à qual se destinavam os primogênitos.



Quando Luís tinha cinco anos de idade, o marquês recebeu ordem de partir para Túnis à frente de três mil homens da infantaria italiana e, devendo passar em revista as tropas na cidade de Casalmaior, levou-o consigo, para acostumá-lo ao sabor das armas. Passou o menino lá alguns meses e, na convivência com a soldadesca, aprendeu algumas palavras indecorosas, as quais passou a repetir, sem saber seu significado.

De volta a Castiglione, foi repreendido por seu preceptor, e não apenas nunca mais proferiu tais palavras, mas manifestava grande enfado quando ouvia alguém pronunciá-las. Muito se envergonhou por essa falta e, quando já religioso, costumava contá-la para “provar” como fora mau desde criança.

Devoção a Maria e virtudes exemplares

Quando Luís fez nove anos de idade, Dom Fernando o levou, juntamente com seu irmão Rodolfo, para a corte do Grão-duque da Toscana. A Providência Divina utilizou esses dois anos em que ele viveu em Florença para fazê-lo progredir nos caminhos da santidade. A leitura de um livro sobre os mistérios do Rosário fez desabrochar em sua alma a devoção a Maria Santíssima. Contribuiu também para tal a fervorosa devoção a Nossa Senhora da Anunciata, venerada nessa cidade. Tanto se lhe inflamou o coração pela Virgem que quis oferecer a Ela seu voto de virgindade.



As diversas virtudes já eram robustas em sua alma. Adquirira uma completa guarda dos sentidos, uma obediência total aos superiores, além de um profundo recolhimento de alma e elevação de espírito.

Deus rapidamente construía a bela catedral da alma de Luís, o qual, com a simplicidade de uma criança, deixava-se conduzir pelo Pai celestial. Tendo passado para a corte de Mântua, não só conservou os hábitos de oração, mas sublimou-os pelas práticas de mortificação. Obrigado pelos médicos a seguir uma dieta alimentar, para curar-se de uma enfermidade, tomou tal gosto pela penitência que, ultrapassando as receitas indicadas, entregou-se aos mais rigorosos jejuns. Considerava ter feito uma lauta refeição quando comia um ovo inteiro!

Intensa vida sobrenatural

De volta ao solar paterno, foi cumulado de graças místicas extraordinárias. Quando se punha a considerar os atributos divinos, experimentava uma tão grande consolação que derramava lágrimas suficientes para empapar vários lenços. Algumas vezes ficava tão arrebatado que perdia completamente os sentidos exteriores. Sua mente estava toda posta no sobrenatural, e sobre as coisas de Deus versavam todas as suas palavras.

Em 1580, chegou a Castiglione o Cardeal Carlos Borromeu, Visitador Apostólico do Papa Gregório XIII. Muito se admirou o Cardeal por ver como aquele pequeno “anjo” discorria sobre os temas da Religião. No final de duas horas de conversa com ele, decidiu o Cardeal dar-lhe por primeira vez a Sagrada Eucaristia.

Aos treze anos de idade sentiu o chamado religioso. Por ser ainda muito jovem, nada comunicou a seus pais, mas redobrou suas austeridades. Aboliu o uso da lareira em seu quarto; levantava-se de madrugada e, de joelhos, rezava durante longo tempo, mesmo durante os rigores do inverno lombardo.

Cada vez mais inquieto à vista dos progressos do filho na trilha da piedade, o Marquês de Castiglione decidiu, para distraí-lo, dirigir-se com toda a família para Madri e colocá-lo como pajem do filho do rei Felipe II. Luís, entretanto, com a alma ancorada em Deus, permaneceu firme e resoluto em seus propósitos, no meio dos prazeres e honras da corte.



Conquista da permissão paterna

“Para qual ordem religiosa sou chamado?” — perguntava-se o jovem pajem. Optou pela Companhia de Jesus. Além da nobre função do ensino à qual esta se dedicava, motivou essa escolha o fato de os jesuítas serem proibidos, pela regra, de ascender a qualquer cargo, salvo se por ordem direta do Papa. Assim, renunciaria para sempre não só às honras do mundo, mas também às eclesiásticas.

Gritos de cólera e ameaças de açoites foi a resposta do marquês ao pedido de seu filho para entregar-se a Deus, na Ordem fundada por Santo Inácio. Usou de sua influência para conseguir que algumas altas dignidades eclesiásticas tentassem dissuadi-lo de sua vocação, ou ao menos fazê-lo entrar por um caminho que conduzisse às possíveis honras do cardinalato. Não tiveram sucesso maior que o das ondas furiosas do mar sobre a rocha. Pediu-lhe o pai, então, que esperasse a volta à Itália para decidir. Não podia se conformar em perder aquele filho tão dotado, no qual pusera toda a esperança da principesca casa dos Gonzaga.

Começou, então, um período de dois árduos anos de luta para conquistar a permissão paterna de abandonar tudo e seguir a Cristo. Foi a mais dura — e talvez a mais gloriosa — fase de sua vida. Essa luta encerrou-se com um episódio comovedor: certo dia o marquês, olhando pelo buraco da fechadura do quarto de seu filho, viu-o ajoelhado e se flagelando. Só então dobrou-se e lhe deu a tão almejada autorização.

A alegria de entrar na casa do Senhor

“Que alegria quando me vieram dizer: vamos subir à casa do Senhor!” (Sl 121, 1). Chancelada pelo imperador a renúncia pública a seus direitos de filho primogênito, entrou Luís no noviciado da Companhia de Jesus, em Roma. Em todos os lugares por onde passou, o nobre religioso deixou atrás de si o suave aroma de suas virtudes. Despojou-se de tudo quanto podia lembrar sua antiga condição, buscando para si as humilhações e o último lugar. Chegava a enrubescer de vergonha ao ouvir elogios à nobreza de sua família. 
Morte de São Luís. Museu da Santa Cova, Manresa-Espanha (imagem: Arautos do Evangelho).

Os noviços disputavam lugar a seu lado nas horas de recreação, pelo prazer de participar de suas elevadas conversas. E consideravam seus objetos pessoais como verdadeiras relíquias. No estudo de Filosofia e Teologia, mostrou-se tão sábio que defendeu, com aplausos, uma tese diante de três Cardeais e outras autoridades.

Vendo seus superiores o valor da joia que tinham em mãos e, ao mesmo tempo, a fragilidade de sua saúde, multiplicaram os desvelos por ele. Recorreram em vão a uma mudança de ares, na esperança de que lhe faria bem. À vista do insucesso dessa terapêutica, o Padre Reitor deu-lhe ordem de, por um determinado período, não se deter em pensamentos elevados, pois talvez estes o estivessem prejudicando…

Permitiu a Providência esse equívoco para fazer brilhar mais ainda as qualidades de alma daquele “anjo”. Dessa vez a obediência, por ele tão amada, custou-lhe grandes esforços: sair de seu constante estado de oração — confessou a um de seus companheiros — era um enorme tormento, pois, mal se distraía, seu pensamento voava para a consideração dos mistérios divinos.

Vítima da caridade

Em 1591, sua caridade para com o próximo encontrou uma ótima ocasião para expandir-se até o heroísmo: atender as pobres vítimas da peste que assolava a Cidade Eterna. Não tardou, porém, em ser ele próprio contagiado.

Mas Deus, que decidira colher tão cedo este viçoso lírio, não quis levá-lo antes de ele espargir seus últimos perfumes. Três meses de uma febre ardente, aceita com total abnegação, encerraram os 23 anos de sua permanência na Terra.

Seu confessor, São Roberto Belarmino, afirmou que São Luís tinha levado uma vida perfeita e fora confirmado em graça.2 Mais tarde, declararia Santa Madalena de ­Pazzi, a propósito de uma visão que tivera da glória imensa da qual gozava no Céu este filho de Santo Inácio de Loyola: “Enquanto viveu, Luís manteve seu olhar sempre atento em direção ao Verbo, e é por isso que ele é tão grande. […] Oh! Quanto ele amou na terra! É por isso que hoje no Céu possui Deus numa soberana plenitude de amor”.3

Luís Gonzaga foi beatificado por Paulo V, em 1605, e canonizado a 13 de dezembro de 1726, por Bento XIII, quem o declarou padroeiro da juventude.

Modelo de santidade no amor

“No entardecer de nossa vida, seremos julgados segundo o amor”.4 É para esse amor, em uma entrega total, que Deus nos chama desde a juventude, tal qual o fez ao moço rico do Evangelho: “Vem e segue-Me!” (Mt 19, 21).

Que a juventude atual — tão carente de modelos a seguir e tão confundida acerca do amor — não tome a atitude do moço rico, entristecendo-se por ter de desapegar-se das coisas do mundo, mas reencontre o exemplo de seu patrono, São Luís Gonzaga. A isso a incentivou o saudoso Papa João Paulo II, dirigindo-se aos jovens de Mântua:

“São Luís é sem dúvida um santo a ser redescoberto em sua alta estatura cristã. É um modelo indicado também à juventude de nosso tempo, um mestre de perfeição e um experimentado guia no caminho da santidade. ‘O Deus que me chama é Amor, como posso circunscrever este amor, quando para isto seria pequeno demais o mundo inteiro?’— lê-se em uma de suas anotações”.5

_______________Ir. Maria Teresa Ribeiro Matos, EP

_____Notas

1 GARRIGOU-LAGRANGE, OP, Réginald. Les trois ages de la vie intérieure. 7.ed. Paris: Les éditions du Cerf, 1951, v.II, p.555-556.
2 Cf. CEPARI, Pe. Virgilio. Vida de São Luís Gonzaga. Roma: Officina Poligrafica, 1910, p.37.
3 GUÉRANGER, Prosper. L’année liturgique. 14.ed. Tours: Alfred Mame et fils, 1922, v.III, p.253.
4 SAN JUAN DE LA CRUZ. Avisos y sentencias, n.57. Burgos: Biblioteca Mística Carmelitana, 1931, v.XIII, p.238.
5 Homilia em Castiglione, por ocasião do IV centenário da morte do santo, 22/6/1991.

☞ NOTA: Para conhecer acerca da devoção de São Luís Gonzaga ao Sagrado Coração, CLIQUE AQUI.

(Fonte: revista Arautos do Evangelho, nº 102, Junho/2010, “Vida de Santos”)

fonte: https://soutodoteumaria.com.br/21-de-junho-dia-de-sao-luis-gonzaga/

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SÃO LUÍS (GONZAGA) E O SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS 

Santo Inácio de Loyola e São Luís Gonzaga adorando o Sagrado Coração de Jesus.

Em abril de 1600, no convento de Santa Maria dos Anjos, em Florença, estava a extática (Santa) Magdalena de Pazzi a considerar, com dez de suas Irmãs, uma preciosa relíquia – um osso de um dedo de S. Luís. Enquanto consigo revolvia de que bela alma fora instrumento aquele osso que tinha na mão, arrebatada de improviso a contemplar à glória de São Luís, em alta voz, como por vezes costumava, de modo que as outras Irmãs puderam escrever suas palavras, exclamou: “Oh! quanta é a gloria de Luís, filho de Inácio! … Quando era mortal dispensava setas ao Coração do Verbo; e agora, no céu, essas setas repousam em seu coração; porque aquelas comunicações que ele merecia com os atos de amor e união que fazia, agora as entende e goza …”.

Serafim em carne humana, abrasado no divino amor, Luís ateou sempre na contemplação da cruz e da Humanidade sacratíssima de Cristo as chamas que nesta terra o consumiam e ao presente o beatificam no céu.

O incêndio de pura caridade para com seu estremecido Jesus, que lavrava nesse coração ilibado, com muita razão lhe mereceu que espontaneamente os fieis considerem a essa virtude como característica própria de S. Luís e nele vejam um dos mais notáveis precursores da virgem de Paray no culto do Coração dulcíssimo de nosso Redentor.

Poucos dias depois das revelações de Paray, o Pe. Croiset, em seu famoso livro sobre a devoção ao Coração de Jesus, entre outros meios para alcançar um terno amor ao Coração divino apontava o recurso especial ao “Beato Luís Gonzaga”.

Por isso escrevia-lhe Santa Margarida Maria, a 10 de agosto de 1689: “Visto como V. R. indica a devoção ao Beato Luís Gonzaga como meio eficaz para alcançar um grande amor ao Coração Santíssimo de Jesus, ser-lhe-íamos muito agradecidas, se nos quisesse mandar uma imagem dele, do mesmo tamanho que a do Pe. De la Colombière, para colocá-la em nossa capela do Sagrado Coração…

Esse mesmo livro traz uma gravura, em que vem representada a Virgem SS. em ato de apontar o Coração de Jesus a São Francisco de Sales e a S. Luís Gonzaga, como para indicar, na pessoa do primeiro a ordem da Visitação, a qual pertencia Santa Margarida Maria, e no segundo a Companhia de Jesus, que deu à Santa, como diretor, o Ven. Pe. De la Colombière. São Luís Gonzaga intercedendo pelo jovem noviço Nicolau Celestini.

Outro apostolo igualmente incansável do Coração divino, o Pe. de Gallifet, em seu livro não menos celebre, sobre as excelências do culto do Sagrado Coração, também concede a São Luís lugar de destaque entre as almas de modo especial consagradas a esse culto suavíssimo.

Se durante a vida foi S. Luiz um Serafim abrasado no amor do Coração de Jesus, mostrou-se, depois da sua morte, apóstolo de nossa devoção querida. Para comprová-lo, quero, aqui, em poucas linhas, referir um fato que teve grande fama. Deu-se o acontecimento três dias após o breve apostólico de Clemente XIII que, para toda a Igreja, instituía a festa do Sagrado Coração, designando para a mesma a primeira sexta-feira depois da oitava do Corpo de Deus.

Em 1675, jazia gravemente enfermo, no noviciado romano da Companhia de Jesus, o jovem Nicolau Celestini. Tudo sofria com admirável paciência o exemplar noviço, e com inteiríssima resignação à vontade de Deus. Tinha, porém, um ardente desejo de não passar desta vida sem confortar-se com o Viatico do Senhor. Mais se inflamou neste desejo santo, ao ouvir os discursos que faziam os circunstantes sobre o Sacratíssimo Coração de Jesus, de que fora devotíssimo, e cuja festa havia sido, poucos dias antes, a 7 de fevereiro, aprovada pela Santa Sé.

Acrescia a isto que, não podendo ele ver absolutamente nada, contudo, quando se lhe punha diante dos olhos uma devota imagem do Sagrado Coração, contemplava-a com atenção e claramente a distinguia, o que aumentou nele a confiança de que seus anseios seriam satisfeitos. Rogou, pois, que lhe dessem de beber água misturada com um pouco da farinha milagrosamente multiplicada por São Luís. Assim se fez, e a segunda vez a prova deu feliz resultado, por onde pôde receber o sagrado Viático, e ainda uma vez apertar ao peito o Coração do amoroso Jesus, antes de o ver, já sem véu, como esperava, no paraíso.

Desenganado do médico, aguardava sereno o fatal desenlace, quando, de um modo portentoso, interveio a prolongar-lhe a vida o nosso São Luís. O que se deu, narrou-o o próprio Celestini, e disse como naquela manhã, estando a ponto de ser novamente assaltado de convulsões, começara a ver a imagem de São Luís, que não pudera ainda ver em todo o tempo da doença, e que assim continuara a vê-la por toda a manhã. Ultimamente, tinha-o visto como inflamar-se de improviso, e resplandecer com luz brilhantíssima, do meio da qual, em certo modo, saíra, adiantando-se para ele, o amabilíssimo São Luís, não de perfil e só em busto, como no quadro, mas inteiro e com o rosto voltado para o enfermo. Estava vestido como o representa o relevo no altar do Colégio Romano; na mão esquerda trazia um crucifixo, ficando livre a direita. Com esta tinha-lhe o Santo feito sinal de se aproximar, e Nicolau se esforçara por achegar-se a ouvir o que queria seu celeste amigo; mas, recaindo logo de costas e tornando-se a deitar, continuara sempre a vê-lo, sem poder-se ter que não exclamasse: “Quanto sois belo, meu S. Luís!” A um novo aceno do Santo, levantara-se outra vez, e ouvira dele estas palavras: “Que queres, a saúde ou a morte?” Ao que respondendo Nicolau: “Seja feita a vontade de Deus”, prosseguiu o benigníssimo Santo: “Pois que na tua doença nada mais desejaste que o Sagrado Viático, e em tudo o mais te conformaste com a vontade de Deus, o Senhor, por minha intercessão, te conserva a vida, contanto que cuides em te aperfeiçoar, e procures em todo o tempo dela propagar o culto do Sagrado Coração de Jesus, que é sumamente agradável ao céu.”

Dito isto, lançou-lhe a bênção, e deixando-o completamente são, desapareceu.

 

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 ( https://www.imagensbonitas.com.br/2022/06/sao-luiz-gonzaga.html)

ORAÇÃO A SÃO LUÍS GONZAGA

Ó Luís Santo, adornado de angélicos costumes, eu, indigníssimo devoto vosso, recomendo-vos singularmente a castidade da minha alma e do meu corpo. Rogo-vos, por vossa angélica pureza, que intercedais por mim ante o Cordeiro lmaculado, Cristo Jesus, e sua Mãe Santíssima, a Virgem das Virgens, e me preserveis de todo o pecado grave. Não permitais que eu seja manchado com nódoa alguma de impureza; mas, quando me virdes em tentação ou perigo de pecar, afastai de meu coração todos os pensamentos e afetos impuros, e, despertando em mim a lembrança da eternidade, e de Jesus crucificado, imprimi profundamente no meu coração o sentimento do santo temor de Deus; e inflamai-me no amor divino, para que, imitando-vos na terra, mereça gozar de Deus convosco no Céu. Amém.

Pai Nosso, Ave Maria. (100 dias de indulgencia, uma vez ao dia. Pio VII, 6 de março de 1806. Vid. Beringer-Steinen, t. I, 192 1, n . 512, p. 245-246).

NOTA: São Luís Gonzaga foi festejado no último domingo, dia 21 de Junho.

(Fonte: in São Luiz Gonzaga Padroeiro da Juventude Catholica, Esboço Biographico e Devocionario, Casa Mayença, São Paulo/1926, Cap. XVII e Devocionário, pp. 64-69 e 79-80. Texto revisto e atualizado)

fonte; https://soutodoteumaria.com.br/sao-luis-gonzaga-e-o-sagrado-coracao-de-jesus/ 



terça-feira, 11 de março de 2025

SANTO ANTÔNIO MARIA CLARET - ORAÇÃO - TRISÁGIO


---Essa é uma oração milenar da Igreja, que visa reproduzir a oração que os Anjos tributam a Deus Uno e Trino. A designação Triságio deriva do grego Tris-agion, três vezes Santo, começando com o louvor “Santo Deus, Santo Forte, Santo Imortal”.

Inicialmente concebida para recorrer a Deus em tempos difíceis, veio a ser posteriormente enriquecida com indulgências anexas à sua recitação e sucessivamente incluída em muitos devocionários ou reimpressa isoladamente.

Santo Antonio Maria Claret, em uma revelação recebida no dia 27 de agosto de 1861, fica sabendo que ela é um dos 3 remédios que podem evitar os Grandes Castigos que Deus está preparando sobre a humanidade. Os outros 2 remédios são: o Santíssimo Sacramento na santa missa, recebendo-o em estado de graça, frequentemente e com devoção, sacramentalmente e espiritualmente; e a oração do Rosário recitada diariamente, meditando os mistérios.

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Início: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Oferecimento

Rogamo-Vos, Senhor, pelo estado da Santa Igreja e Prelados dela; pela exaltação da fé católica, extirpação das heresias, paz e concórdia entre os príncipes cristãos, conversão de todos os infiéis, hereges e pecadores, pelos agonizantes e caminhantes, pelas benditas almas do purgatório e mais piedosos fins de nossa Santa Madre Igreja. Amém. Bendita seja a santa e indivídua Trindade, agora e sempre por todos os séculos dos séculos.
Amém.
Abri, Senhor, meus lábios.
E a minha boca anunciará Vossos louvores.
Meu Deus, em meu favor benigno atende.
Senhor, apressai-Vos a socorrer-me.
Glória seja ao Eterno Pai. Glória seja ao Eterno Filho. Glória ao Espírito Santo.
Amém. Aleluia.

(no tempo da Quaresma se diz conforme abaixo): Louvor seja a Vós, Senhor, Rei da eterna glória.

Ato de Contrição

Amorosísimo Deus, trino e uno, Pai, Filho e Espírito Santo, em quem creio, em quem espero, a quem amo com todo o meu coração, corpo, alma, sentidos e potências; por serdes Vós meu Pai, meu Senhor e meu Deus, infinitamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas; pesa-me, Trindade Santíssima, pesa-me, Trindade misericordiosíssima, pesa-me, Trindade amabilíssima, de Vos ter ofendido só por serdes Vós quem sois; proponho, e Vos dou palavra, de nunca mais Vos ofender e de morrer antes do que pecar; espero de Vossa suma bondade e misericórdia infinita, que me perdoareis todos os meus pecados, e me dareis graças para perseverar num verdadeiro amor e cordialíssima devoção a Vossa sempre amabilíssima Trindade. Amém.

HINO

Já se afasta o sol radioso,

Ó luz perene, ó Trindade,

Infundi em nós ardoroso

O fogo da caridade.


Na alvorada Vos louvamos

E na hora vespertina;

Concedei-nos que o façamos

Também na glória divina.


Ao Pai, ao Filho e a Vós,

Espírito consolador,

Sem cessar como até aqui

Se dê eterno louvor. Amém.

ORAÇÃO AO PAI

Ó Pai Eterno, fora o prazer de Vos possuir, eu não vejo mais do que tristeza e tormento, embora digam outra coisa os amadores da vaidade. Que me importa que diga o sensual que sua felicidade está em gozar de seus prazeres? Que me importa que diga também o ambicioso que seu maior contentamento é gozar de sua glória vã? Eu pela minha parte nunca cessarei de repetir com Vossos Profetas e Apóstolos, que a minha suma felicidade, meu tesouro e minha glória é unir-me a meu Deus, e manter-me inviolavelmente unido a Ele.

Recita-se um Pai-Nosso, uma Ave-Maria, e nove vezes:

Santo, Santo, Santo, Senhor Deus dos exércitos, cheios estão os céus e a terra de Vossa glória.

(responde-se, se possível em coro):

Glória ao Pai, glória ao Filho, glória ao Espírito Santo.

ORAÇÃO AO FILHO

Ó Verdade eterna, fora da qual eu não vejo outra coisa senão enganos e mentiras. Oh! E como tudo me aborrece a vista de Vossos suaves atrativos! Oh! Como me parecem mentirosos e asquerosos os discursos dos homens, em comparação das palavras da vida, com as quais Vós falais ao coração daqueles que Vos escutam. Ah! Quando será a hora em que Vós me tratareis sem enigma e me falareis claramente no seio de Vossa glória? Oh! Que trato! Que beleza! Que luz!

Recita-se um Pai-Nosso, uma Ave-Maria, e nove vezes:

Santo, Santo, Santo, Senhor Deus dos exércitos, cheios estão os céus e a terra de Vossa glória.

(responde-se, se possível em coro):

Glória ao Pai, glória ao Filho, glória ao Espírito Santo.

ORAÇÃO AO ESPÍRITO SANTO

Ó Amor, ó Dom do Altíssimo, centro das doçuras e da felicidade do mesmo Deus; que atrativo para uma alma ver-se no abismo de Vossa bondade e toda cheia de Vossas inefáveis consolações! Ah! Prazeres enganadores! Como haveis de poder comparar-vos com a menor das doçuras que um Deus, quando quer, sabe derramar sobre uma alma fiel? Oh! Se uma só partícula delas é tão deliciosa, quanto mais será quando Vós as derramardes como uma torrente sem medida e sem reserva? Quando será isto, meu Deus, quando será?

Recita-se um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e nove vezes:

Santo, Santo, Santo, Senhor Deus dos exércitos, cheios estão os céus e a terra de Vossa glória.

(responde-se, se possível em coro):

Glória ao Pai, glória ao Filho, glória ao Espírito Santo.

Antífona

A Vós, Deus Pai, a Vós, Filho Unigênito, a Vós, Espírito Santo, Paráclito, santa e indivídua Trindade, de todo coração Vos confessamos, louvamos e bendizemos. A Vós seja dada a glória pelos séculos dos séculos. Amém.

Bendigamos ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
Louvemo-Los e exaltemo-Los em todos os séculos.

Oração

Senhor Deus uno e trino, dai-me continuamente Vossa graça, Vossa caridade e a Vossa comunicação para que no tempo e na eternidade Vos amemos e glorifiquemos. Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo numa deidade por todos os séculos dos séculos. Amém.

DEPRECAÇÃO DEVOTA À SANTÍSSIMA TRINDADE:

Deprecação quer dizer: Súplica.


V : Pai Eterno, Onipotente Deus! R: Que toda criatura Vos ame e glorifique.

V : Verbo Divino, Imenso Deus! R: Que toda criatura Vos ame e glorifique.

V : Espírito Santo, Infinito Deus! R: Que toda criatura Vos ame e glorifique.

V : Santíssima Trindade e um só Deus Verdadeiro! R: Que toda criatura Vos ame e glorifique.

V : Rei dos Céus, Imortal e Invisível! R: Que toda criatura Vos ame e glorifique.

V : Criador, conservador e governador de todo o criado! R: Que toda criatura Vos ame e glorifique.

V : Vida nossa, em Quem, de Quem e por Quem vivemos! R: Que toda criatura Vos ame e glorifique.

V : Vida Divina e uma em três pessoas! R: Que toda criatura Vos ame e glorifique.

V : Céu divino de excelsitude majestosa! R: Que toda criatura Vos ame e glorifique.

V : Céu Supremo do céu, oculto aos homens! R: Que toda criatura Vos ame e glorifique.

V : Sol Divino e incriado! R: Que toda criatura Vos ame e glorifique.

V : Círculo perfeitíssimo de capacidade infinita! R: Que toda criatura Vos ame e glorifique.

V : Alimento Divino dos anjos! R: Que toda criatura Vos ame e glorifique.

V : Belo íris, arco de clemência! R: Que toda criatura Vos ame e glorifique.

V : Astro primeiro e Trino, que iluminais o mundo! R: Que toda criatura Vos ame e glorifique.

V : De todo o mal de alma e corpo! R: Livrai-nos, Trino Senhor!

V : De todo pecado e ocasião de culpa! R: Livrai-nos, Trino Senhor!

V : De Vossa ira e indignação! R: Livrai-nos, Trino Senhor!

V : Da morte repentina e improvisa! R: Livrai-nos, Trino Senhor!

V : Das insídias e assaltos do demônio! R: Livrai-nos, Trino Senhor!

V : Do espírito de desonestidade e das suas sugestões! R: Livrai-nos, Trino Senhor!

V : Da concupiscência da carne! R: Livrai-nos, Trino Senhor!

V : De toda ira, ódio e má vontade! R: Livrai-nos, Trino Senhor!

V : Das pragas da peste, fome, guerra e terremoto! R: Livrai-nos, Trino Senhor!

V : Dos inimigos da fé católica! R: Livrai-nos, Trino Senhor!

V : De nossos inimigos e suas maquinações! R: Livrai-nos, Trino Senhor!

V : Da morte eterna! R: Livrai-nos, Trino Senhor!

V : Por Vossa Unidade em Trindade e Trindade em Unidade! R: Livrai-nos, Trino Senhor!

V : Pela igualdade essencial de Vossas pessoas! R: Livrai-nos, Trino Senhor!

V : Pela sublimidade do mistério de Vossa Trindade! R: Livrai-nos, Trino Senhor!

V : Pelo inefável nome da Vossa Trindade! R: Livrai-nos, Trino Senhor!

V : Pelo portentoso de Vosso nome, Uno e Trino! R: Livrai-nos, Trino Senhor!

V : Pelo muito que Vos agradam as almas que são devotas de Vossa Santíssima Trindade! R: Livrai-nos, Trino Senhor!

V : Pelo grande amor com que livrais dos males aos povos onde há algum devoto de Vossa Trindade Amável! R: Livrai-nos, Trino Senhor!

V : Pela virtude divina, que nos devotos de Vossa Trindade Santíssima, reconhecem os demônios contra si mesmos! R: Livrai-nos, Trino Senhor!

V : Nós pecadores! R: Rogamo-Vos, ouvi-nos!

V : Que saibamos resistir ao demônio com as armas da devoção à Vossa Trindade! R: Rogamo-Vos, ouvi-nos!

V : Que embelezeis cada dia mais, com as cores da Vossa graça, Vossa imagem que está em nossas almas! R: Rogamo-Vos, ouvi-nos!

V : Que todos os fiéis se esmerem em ser muito devotos de Vossa Santíssima Trindade! R: Rogamo-Vos, ouvi-nos!

V : Que todos alcancemos as muitas felicidades que estão vinculadas para os devotos dessa Vossa Trindade adorável! R: Rogamo-Vos, ouvi-nos!

V : Que ao confessarmos os mistérios de Vossa Trindade, se desfaçam os erros dos infiéis! R: Rogamo-Vos, ouvi-nos!

V : Que todas as almas do purgatório gozem muito refrigério em virtude do Mistério de Vossa Trindade! R: Rogamo-Vos, ouvi-nos!

V : Que Vos digneis ouvir-nos pela Vossa piedade! R: Rogamo-Vos, ouvi-nos!

V : Santo Deus, Santo Forte, Santo Imortal, livrai-nos, Senhor, de todo mal! R: Rogamo-Vos, ouvi-nos!

Obséquios ou oferecimentos à Santíssima Trindade

Ó beatíssima Trindade, eu Vos prometo que com todo esforço e empenho hei de procurar salvar minha alma, visto como Vós a criastes à Vossa imagem e semelhança e para o céu. E também por amor Vosso procurarei salvar a alma de meu próximo.
Para salvar minha alma e dar-Vos glória e louvor, sei que hei de guardar a divina lei; eu empenho minha palavra para guardá-la como a menina de meus olhos e procurar, outrossim, que os outros guardem-na.
Aqui na terra hei de exercitar-me em louvar-Vos e espero fazê-lo depois com maior perfeição no céu; e por isso com frequência rezarei o Triságio e o verso: “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo”. E procurarei, além disso, que os outros Vos louvem. Amém.
 Fonte: https://quemrezasesalva.com.br/oracao/trisagio

Santo Antônio Maria Claret, fundador dos Claretianos e Claretianas

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Origens 

Santo Antônio Maria Claret nasceu em Sallent, uma cidade próxima de Barcelona, em 1807. De uma família numerosa, foi educado de modo profundamente cristão. Distinguiu-se logo pela sua devoção à Virgem Maria e à Eucaristia, mas, como em todas as famílias numerosas, teve que dar uma mão. Por isso, dedicou-se à atividade de tecelão junto com seu pai. Porém, sabia bem que o seu lugar não era aquele.

Vida Sacerdotal 

Santo Antônio Maria Claret ajudou o pai numa fábrica de tecidos até os 22 anos. Abandonou tudo e ingressou para o seminário, pois almejava um sacerdócio santo. Aos 28 anos, foi ordenado sacerdote. Dedicou-se de corpo e alma ao serviço ministerial, desejando consagrar-se nas difíceis missões da Espanha. 

Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria

Seu ideal, entretanto, ultrapassava os limites de sua paróquia. Ao ver a pobreza dos missionários e as portas se abrindo, Santo Antônio Maria Claret, com amigos sacerdotes, tratou de fundar a Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria, conhecidos como Claretianos.

Santo Antônio Maria Claret: Grande Impulsionador da Fé na Mãe de Deus

O Carisma

O Carisma era evangelizar todos os setores por meio da caridade de Cristo que constrangia, por isso dizia: “Não posso resistir aos impulsos interiores que me chamam para salvar almas. Tenho sede de derramar o meu sangue por Cristo!”. Mal tinha fundado a Congregação, o Espírito o nomeou para Arcebispo de Santiago de Cuba, onde fez de tudo, até arriscar a própria vida, para defender os oprimidos da ilha e converter a todos. Conta-se que, ao chegar às terras cubanas, foi logo visitar e consagrar o apostolado a Nossa Senhora do Cobre.

Evangelizador 

Com os amigos, o Arcebispo Santo Antônio Maria Claret evangelizou milhares de almas, isso por meio de missões populares e escritos, que chegaram a 144 obras. Não obstante, em Cuba, em 1855, com a ajuda da venerável Maria Antônia Paris, fundou o ramo feminino da Congregação: as “Religiosas de Maria Imaculada” também chamadas “Missionárias Claretianas”.

A Missão: Evangelizar pela caridade de Cristo

Páscoa

Em 1857, a Rainha da Espanha convocou Antônio para voltar a Madrid, e teve de obedecer, para ser seu Confessor. Ligado à monarquia espanhola, seu destino mudou, em 1868, foi exilado, com a rainha, para Paris, onde continuou as suas pregações. Em Roma, participou do Concílio Vaticano I, no qual defendeu a infalibilidade do Pontífice. Enfim, refugiou-se no mosteiro de Fontfroide, em Narbona, na França, onde faleceu em 1870.

Via de Santificação

Foi beatificado, em 1934, pelo Papa Pio XI, e canonizado por Pio XII em 1950. Pelo seu amor ao Imaculado Coração de Maria e pelo seu apostolado do Rosário, tem uma estátua de mármore no interior da Basílica de Fátima.

Oração de Santo Antônio Maria Claret

“Ó Deus, que aos vossos pastores associastes Santo Antônio Maria Claret, animado de ardente caridade e da fé que vence o mundo, dai-nos, por sua intercessão, perseverar na caridade e na fé, para participarmos de sua glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.”

Minha oração

“Zeloso pastor das almas, pedimos a tua graça sobre os ramos claretianos, para que sigam fielmente o teu exemplo e carisma, a fim de que, assim, o nome de Jesus seja amado e adorado em todos os cantos do mundo. Amém.”

Santo Antônio Maria Claret, rogai por nós!

fonte: https://santo.cancaonova.com/santo/santo-antonio-maria-claret-fundador-dos-claretianos-e-claretianas/

 



Santo Antônio Maria Claret foi um grande missionário e evangelizador. O bispo nutria um profundo desejo de que as pessoas conhecessem a Deus e não se perdessem no Inferno, por isso dedicou grande parte de sua vida às missões. Muito devoto da Santíssima Virgem, adotou “Maria” em seu nome na crisma. Além disso, fundou a Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria, em homenagem à especial devoção ao Coração de Maria.

Ele também desempenhou um papel importante no Concílio Vaticano I, defendendo verdades da fé, sobretudo a infalibilidade papal. Neste artigo, você vai explorar a vida e a missão desde santo que converteu a muitos, inclusive nobres e reis da Espanha, com a sua pregação; além de conhecer seus principais escritos, dentre eles “Os Exercícios Espirituais de Santo Inácio comentados por Antônio Maria Claret”.
Quem foi Santo Antônio Maria Claret?

Santo Antônio Maria Claret nasceu em 1807 em Sallent, Espanha, em uma família profundamente religiosa e devota do Santíssimo Sacramento e de Maria Santíssima. Desde jovem, Claret manifestou seu desejo de se tornar sacerdote 1 e iniciou seus estudos sob a orientação do Padre João Riera. No entanto, as circunstâncias o levaram a trabalhar na fábrica de tecidos de seu pai, onde demonstrou notável habilidade na arte têxtil.

Durante esse período, Claret enfrentou momentos de tibieza espiritual, dedicando suas forças e seu pensamento ao trabalho. No entanto, ele superou diversas tentações recorrendo ao socorro da Virgem Maria, como um episódio em que foi salvo de um afogamento por Sua intercessão.

Em determinado momento de sua vida, Claret compreendeu que esta era a vontade de Deus e decidiu deixar tudo para seguir a sua vocação sacerdotal. Assim, ao longo de sua vida, ele desempenhou papéis notáveis como sacerdote, missionário, bispo de Santiago de Cuba e apóstolo da imprensa. Além disso, fundou a congregação dos Claretianos e dedicou-se incansavelmente à evangelização, sendo reconhecido como “santo de todos”, pelo Papa Pio XII.

Além de sua atividade missionária, Claret teve uma forte experiência mística e foi confessor da rainha Isabel II da Espanha. Ele teve um grande impacto na renovação espiritual de seu tempo, não apenas em Cuba, mas também na Espanha e em outros países. Foi canonizado em 1950 e sua festa é celebrada em 24 de outubro.
Missões apostólicas

Após ser ordenado sacerdote em 1835, ele partiu para Roma com o desejo de se tornar um missionário, como relata em sua autobiografia. O Senhor me fez conhecer que não só tinha de pregar aos pecadores, mas também catequizar, pregar aos simples dos campos e aldeias, etc. 2

Em Roma, Claret conheceu um padre da Companhia de Jesus, que o instruiu nos Exercícios Espirituais de Santo Inácio e o direcionou para a Companhia de Jesus, onde iniciou o noviciado. No entanto, devido a uma doença, ele teve que interromper esse período de formação e retornar à Espanha.

Sendo assim, nos sete anos seguintes, Claret dedicou-se a pregar e realizar missões populares na Catalunha e nas Ilhas Canárias. Nesta missão, destacou-se pela sua eloquência como orador e seu estilo de vida ascético. Ele percorria a região a pé, como um peregrino, sempre com a Bíblia e o Breviário em mãos. Muitos milagres foram associados às suas pregações. 3

Com muita freqüência tinha de pregar nas praças, porque as igrejas não comportavam tanta gente vinda das mais diversas povoações para ouvir a santa missão. 4 […] Naquelas ilhas fiquei durante quinze meses e, ajudado pela graça de Deus, pude trabalhar todos os dias. […] Suportei algumas dificuldades, mas alegremente porque estava convicto de que era a vontade de Deus e de Maria Santíssima e que serviriam para a conversão e salvação de tanta gente. 5
Congregação dos Claretianos

Em maio de 1849, em Barcelona, Santo Antônio Maria Claret expressou seu desejo de criar uma congregação de sacerdotes a dois cônegos amigos que acolheram a ideia. Em julho do mesmo ano, Claret reuniu um grupo de sacerdotes em um retiro para iniciar formalmente a Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria, também chamados de Missionários Claretianos.

Saímos desse retiro muito fervorosos, resolvidos e determinados a perseverar. Graças a Deus e a Maria Santíssima todos perseveraram muito bem. 6 Assim iniciamos e assim continuamos vivendo uma vida perfeitamente comum, todos entregues aos trabalhos do sagrado ministério. 7

Em 1855, já bispo de Santiago de Cuba, com a ajuda da venerável Maria Antónia Paris, fundou o ramo feminino da Congregação, as “Religiosas de Maria Imaculada”, também chamadas “Missionárias Claretianas”. 3
Brasão da congregação fundada por Santo Antônio Maria Claret
Santo Antônio Maria Claret como arcebispo de Santiago de Cuba e suas missões na região

Ao receber a notícia de que seria nomeado arcebispo de Santiago de Cuba, Claret relata que ficou atônito. 8 Não queria aceitar por sentir-se indigno e incapaz, mas também não queria desobedecer ao bispo. Sendo assim, procurou padres amigos e pediu que rezassem por ele. Dois meses depois, ele aceita o cargo e, neste chamado, vê seu anseio missionário tornar-se realidade.

Ao chegar na capital cubana, ele se deparou com uma diocese desorganizada, pois há muito tempo estava sem um pastor que a dirigisse. O clero estava reduzido e mal preparado, o seminário em condições precárias, e inúmeras igrejas abandonadas. Determinado a revitalizar a fé na região, Claret convocou um Sínodo diocesano, estabelecendo a obrigação para os sacerdotes de realizarem exercícios espirituais.3

Além disso, ele trouxe de volta religiosos expulsos do país e percorreu toda a extensão de seu vasto território, incluindo os lugares mais remotos. Claret também lutou para combater a pobreza que assolava a região. 3 Apesar de ser perseguido, atacado e ferido, Claret continuava perseverante e a sua dedicação à conversão gerou muitos frutos. Em uma de suas missões populares, tamanha foi a multidão que buscava o sacramento da confissão após ouvir suas palavras que foram necessários cerca de 40 sacerdotes para atender a todos.
Confessor da rainha

Durante seu período como arcebispo em Cuba, Santo Antônio Maria Claret também atuou como confessor da Rainha Isabel II da Espanha. 3 Sua presença influenciou positivamente a vida da rainha, mas causou agitação política, até que ela foi deposta e exilada na França. Claret morre em 1870, no mosteiro de Fontfroide, em Narbona, na França. Sem dúvida deixou um legado duradouro por meio de seu serviço como arcebispo e missionário.
Escritos de Santo Antônio Maria Claret

Santo Antônio Maria Claret relata em sua autobiografia a importância de ler bons livros. 9 Ele escreveu diversas obras, incluindo catecismos, livretos, folhetos e sua autobiografia.

A experiência me ensinou que um dos meios mais poderosos para a propagação do bem é a imprensa, ao mesmo tempo em que é a arma mais poderosa para se propagar o mal, quando dela se abusa. Por meio da imprensa podem-se produzir muitos livros bons e folhetos para o louvor de Deus. Nem todos querem ou podem ouvir a divina palavra, mas todos podem ler ou ouvir a leitura de um bom livro. Nem todos podem ir à igreja ouvir a palavra divina, porém o livro irá à sua casa. 10

Santo Antônio Maria Claret reconhecia a importância de disponibilizar material espiritual acessível às pessoas de sua época. Seu primeiro livro, que continha conselhos espirituais para religiosas em Vic, surgiu da intenção de deixar registrado o que havia pregado, e a sugestão de um amigo o levou a publicá-lo.

Vendo os bons resultados, ele continuou escrevendo livros como “Avisos às Moças”, “Aos Pais”, “Às Crianças” e “Aos Jovens”, adaptando-se às necessidades da sociedade à medida que as percebia 11 Assim, Claret produzia um material espiritual direcionado a diversos públicos e questões da época, como orientações contra blasfêmias e impureza. Seus escritos são práticos, focados na moralidade e na espiritualidade — por isso são atemporais —, refletindo sua missão de difundir a fé e a virtude.
Exercícios Espirituais de Santo Inácio comentados por Santo Antônio Maria Claret

Uma das principais obras de Claret são os comentários feitos aos exercícios espirituais de Santo Inácio. Os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, são uma série de práticas e meditações espirituais destinadas a aprofundar a relação com Deus e promover o crescimento espiritual. Geralmente são exercícios ministrados por sacerdotes em retiros, no entanto Claret enriquece essa obra, tornando-a acessível a um público mais amplo.

Santo Antônio Maria Claret experimentou pessoalmente os benefícios de tais práticas e, ao publicar seus comentários sobre a obra, torna os exercícios acessíveis a todos — não apenas a sacerdotes ou pessoas que participam de retiros. Ele acreditava que os Exercícios Espirituais poderiam ser uma ferramenta poderosa não só para a conversão de sacerdotes, mas também para o fortalecimento da fé dos leigos.

Preguei várias vezes esses exercícios aos leigos, […] e, pelo que pude observar, produzem frutos mais sólidos do que a pregação de missões. A esse respeito escrevi um livro intitulado Exercícios de Santo Inácio. Foi muito bem aceito. Os exercícios produziram e produzem maravilhosos efeitos. Quando bem feitos, os pecadores se convertem, os justos se conservam ou se aperfeiçoam na graça. Que tudo seja para a maior glória de Deus. Devo dizer que por este livro sua majestade a rainha faz anualmente os exercícios espirituais e aconselha às camareiras que os façam também através dele. 12
Serva de Deus Claretiana em processo de beatificação

Madre Leônia Milito, nasci da na Itália em 1913, foi uma missionária claretiana com profunda devoção religiosa e dedicação aos pobres. Ingressou no Instituto das Pobres Filhas de Santo Antônio na Itália aos 21 anos, onde adotou o nome Leônia em honra a São Leão Magno. Sua relação com o Brasil começou quando ela manifestou interesse em ajudar na missão brasileira. Em 1953, ela chegou ao Brasil e, após algumas idas e vindas, se estabeleceu em Londrina, no Paraná, onde, junto com o bispo, inaugurou a Congregação das Missionárias de Santo Antônio Maria Claret.

Ao longo de 22 anos à frente da congregação, Madre Leônia abriu quase 100 casas e realizou mais de 100 obras em todo o mundo. Seu desejo era realizar ainda muito mais, no entanto em 1980 ela foi vítima fatal de um acidente de trânsito enquanto estava em missão. Em sua homenagem, foi erguida uma capela no local do acidente, e Leônia foi nomeada a Padroeira da Vida no Trânsito, em 2009.

Madre Leônia pode se tornar a primeira santa a ter realizado missões em terras paranaenses. Seu processo de canonização começou em 1998 e atualmente ela é considerada uma Serva de Deus. Muitos lembram de sua vida com devoção e há diversas homenagens em sua memória, incluindo a Avenida Madre Leônia Milito em Londrina e a Casa da Memória Madre Leônia Milito.
Madre Leônia Milito
Oração à Santo Antônio Maria Claret

“Ó glorioso santo, vós que em vida sofrestes tantos tipos de violência e perseguições, como atentados, assaltos e ameaças de morte, mas que, pela vossa fé e confiança em Deus e no Imaculado Coração de Maria, todas as vezes nos livrastes desses males, intercedei por mim; e livrai-me do perigo de ser assaltado, roubado ou sequestrado. Afastai de mim e de minha família toda espécie de violência física e moral. Amém!”

Rezar um Pai-Nosso por todas as pessoas que se encontram em perigo ou nas mãos de malfeitores.

fonte: https://bibliotecacatolica.com.br/blog/formacao/santo-antonio-maria-claret/#exerc%C3%ADcios-espirituais



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terça-feira, 4 de março de 2025

São João Bosco - Dom Bosco e Domingos Sávio


https://cruzterrasanta.com.br/_global/_ssf/ssf.aspx?d=/_upload/significados_de_santos/&arquivo=sig-dom-boscojpg707112013162333.jpg

(imagem - https://cruzterrasanta.com.br/significado-e-simbolismo-de-dom-bosco/6/103/)

Diálogo entre São João Bosco e São Domingos Sávio 


 


"Sávio me apresentou um magnífico ramalhete que tinha nas mãos. Nele havia rosas, violetas, girassóis, gencianas, lírios, sempre-vivas e, entre as flores, espigas de trigo. Ofereceu-mo e disse:

- Observa!

- Vejo, mas nada entendo – respondi.

- Dá este ramalhete a teus filhos para que possam oferecê-lo ao Senhor quando chegar o momento; procura que todos o tenham; a ninguém lhe falte nem o deixe tirar. Podes estar certo de que com ele terão o suficiente para ser felizes.

- Mas, que significa esse ramalhete de flores?

- Consulta a Teologia; ela te dirá e te dará a explicação.

- A Teologia, estudei-a eu, mas não saberia como tirar dela o significado do que me apresentas.

- Pois tens estrita obrigação de saber tudo isso.

- Vamos, tira-me da minha ansiedade, explica-me tu!

- Vês estas flores? Representam as virtudes que mais agradam ao Senhor.

- Quais são?

- A rosa é símbolo da caridade; a violeta, da humildade; o girassol, da obediência; a genciana, da penitência e da mortificação; as espigas, da comunhão freqüente; o lírio indica a bela virtude da qual está escrito: Erunt sicut Angeli Dei in caelo, a castidade. E a sempre-viva significa que todas essas virtudes devem durar sempre, ela simboliza a perseverança.

- Ora bem, meu caro Sávio: tu, que durante toda a tua vida praticaste todas essas virtudes, diz-me: o que foi que mais te consolou na hora da morte?

- Que te parece que possa ser? – respondeu Sávio.

- Foi talvez ter conservado a bela virtude da pureza?

- Não; não é só isso.

- Alegrou-te talvez teres a consciência tranqüila?

- Isso é bom, porém não é o melhor.

- Por acaso teu consolo terá sido a esperança do Paraíso?

- Também não.

- Pois então! O haver entesourado muitas boas obras?

- Não, não!

- Então, qual foi teu consolo na última hora? – perguntei, entre confuso e suplicante, vendo que não conseguia adivinhar seu pensamento.

- O que mais me confortou no transe da morte foi a assistência da poderosa e amável Mãe do Salvador. Diz isto a teus filhos: que não se esqueçam de invocá-La em quanto estão em vida."

fonte: http://apostoladocatolicovirtual.blogspot.com/2012/11/dialogo-entre-sao-joao-bosco-e-sao.html 

https://catolicoemoracao.wordpress.com/wp-content/uploads/2018/05/st-john-bosco-auxiliadora-nsa-crianc3a7as-3.jpg

A visão do Céu segundo São João Bosco com São Domingos Sávio

A noite de 22 de dezembro [de 1876] ficou memorável no Oratório. Foi um pouco antecipada a hora da oração. Reuniram-se no locutório os estudantes, os artesãos e todas as pessoas da casa. Dom Bosco tinha prometido falar no domingo anterior, mas não pudera fazê-lo. Imagine-se a expectativa geral! Subiu à cátedra, saudado por palmas entusiásticas, como acontecia sempre que dava daquele modo a “boa noite” à comunidade inteira. Fez sinal de que ia falar e imediatamente fez-se completo silêncio.

Na noite em que estive em Lanzo, chegada a hora de repousar, aconteceu-me que tive o seguinte sonho. É um sonho que não tem nenhuma relação com outros sonhos…
São coisas muito estranhas. Mas para meus filhos não tenho segredos; abro-lhes inteiramente o coração. Pensai o que quiserdes desse sonho. Como diz São Paulo, quod bonum est tenete [conservai o que é bom], se alguma coisa encontrais nele que seja de proveito para vossa alma, sabei aproveitar-vos dela. Quem não quiser crer, que não me creia, pouco importa; mas ninguém jamais zombe das coisas que vou dizer.

Peço-vos, ainda, que não o conteis nem o comuniqueis por escrito aos que não são da casa. Aos sonhos pode-se dar importância que sonhos merecem, e os que não conhecem nossa intimidade poderiam formar juízos errôneos, vendo as coisas de modo diferente do que são na realidade. Não sabem eles que sois meus filhos, e que sempre vos digo tudo o que sei, e às vezes até mesmo o que não sei (risos gerais). Mas o que um pai manifesta a seus filhos queridos para o bem deles, deve ficar entre o pai e os filhos, e não passar adiante. E ainda por outro motivo: é que em geral, quando se contam essas coisas fora, ou se desfiguram os fatos ou se conta apenas uma parte deles, e esta mesma mal entendida; de onde nasce dano, pois o mundo desprezaria o que não deve ser desprezado.
Deveis saber que ordinariamente os sonhos se têm dormindo. Ora, na noite de 6 de dezembro, enquanto eu estava no meu quarto, não recordo bem se lendo, ou se dando voltas pelo aposento, ou se me havia já deitado,comecei a sonhar.
Logo me pareceu estar sobre uma elevação de terreno, ou colina, à beira de uma imensa planície cujos confins a vista não alcançava, pois se perdiam na imensidão; era toda azulada como o mar calmo, embora o que eu visse não fosse água; parecia um cristal límpido e luminoso. Sob meus pés, por trás de mim e dos lados via uma região à maneira de um litoral à margem do oceano.

Largos e gigantescos caminhos dividiam aquela planície em vastíssimos jardins de indescritível beleza, todos repartidos em bosquezinhos, prados e canteiros de flores, de formas e cores variadas. Nenhuma das nossas plantas pode nos dar idéia daquelas, embora tenham com elas alguma semelhança. As ervas, as flores, as árvores, as frutas, eram vistosíssimas e de belíssimo aspecto. As folhas eram de ouro; os troncos e ramos, de diamante, correspondendo todo o resto a essa riqueza. Seria impossível contar as diferentes espécies; e cada espécie e cada indivíduo resplandecia com uma luz própria.
No meio daqueles jardins e em toda a extensão da planície eu contemplava incontáveis edifícios de ordem, beleza, harmonia, magnificência e proporções tão extraordinárias, que para a construção de um só deles me parecia não seriam suficientes todos os tesouros da terra.

Eu dizia para mim mesmo: “Se meus meninos tivessem uma destas casas, como gozariam, que felizes seriam e com quanto gosto viveriam nela!” Isto pensava eu vendo externamente os palácios. Qual não deveria ser sua magnificência interior!
Enquanto contemplava extasiado tão estupendas maravilhas que adornavam aqueles jardins, eis que chega a meus ouvidos uma música dulcíssima, de tão agradável e suave harmonia que nem posso dela dar-vos adequada idéia. As músicas do Padre Cagliero e de Dogliani nada têm de musical se comparadas àquela! Eram cem mil instrumentos, produzindo cada qual um som diverso do outro, enquanto todos os sons possíveis difundiam pelos ares suas ondas sonoras. A estes, somavam-se os coros de cantores.
Vi então uma multidão de pessoas que se encontrava naqueles jardins e se regozijava alegre e contente. Uns tocavam, outros cantavam. Cada voz, cada nota, produzia efeito de mil instrumentos reunidos, todos diferentes uns dos outros. Ao mesmo tempo ouviam-se os diversos graus da escala harmônica, desde os mais baixos até os mais agudos que se possam imaginar, mas todos em perfeita harmonia. Ah! para descrever-vos tal harmonia não bastam comparações humanas.

Via-se, pelo rosto dos felizes habitantes do jardim, que os cantores não só experimentavam extraordinário prazer em cantar, mas ao mesmo tempo sentiam imenso gozo em ouvir cantar os demais. Quanto mais um cantava, mais se lhe acendia o desejo de cantar, e quanto mais ouvia, mais desejava ouvir.

Era isto o que cantavam:
Salus, honor; gloria Deo Patri omnipotenti!.., Auctor saeculi, qui erat, qui est, qui venturus est iudicare vivos et mortuos in saecula saeculorum [Saudação, honra e glória a Deus Pai onipotente! Autor do século, que era, que é e que virá a julgar os vivos e os mortos para todos os séculos dos séculos].
Enquanto ouvia atônito essa celestial harmonia, vi aparecer uma imensa multidão de jovens, muitos dos quais eu conhecia, pois tinham estado no Oratório e nos outros nossos colégios; mas me era desconhecida a maior parte. A multidão interminável se dirigia a mim. À sua frente vinha Domingos Sávio, e logo atrás dele vinham Padre Alasonatti, Padre Chiala, Padre Giulitto e muitos sacerdotes e clérigos, cada um deles conduzindo uma seção de jovens.

Eu me perguntava a mim mesmo:”Estou dormindo ou estou acordado?” Batia as mãos uma na outra e me tocava no peito, para certificar-me de que era realidade o que via.
Chegada diante de mim toda aquela multidão, parou à distância de oito ou dez passos. Brilhou então um relâmpago de luz mais viva; cessou a música e fez-se um silêncio profundo. Todos os jovens estavam tomados pela maior alegria, que lhes transparecia no olhar, e em seus rostos se via a paz de uma felicidade perfeita. Olhavam-me com um suave sorriso nos lábios e parecia que desejavam falar, mas não falavam.
Adiantou-se Domingos Sávio só, alguns passos, e ficou tão próximo a mim que se eu tivesse estendido a mão certamente o teria tocado. Calava-se e me olhava sorrindo. Que belo estava! Suas vestes eram realmente singulares. Caía-lhe até os pés uma túnica alvíssinia, coberta de diamantes e toda bordada de ouro. Cingia-lhe a cintura uma ampla faixa vermelha recamada com tantas pedras preciosas que uma quase tocava a outra; e se entrelaçavam em desenho tão maravilhoso, apresentando tanta beleza de cores, que eu, ao vê-lo, me sentia fora de mim pela admiração.

Pendia-lhe do pescoço um colar de flores raras, mas não naturais; parecia como se as pétalas fossem de diamantes unidos entre si sobre hastes de ouro; e assim era tudo o mais. Essas flores refulgiam com luz sobre-humana mais viva que a do sol, que naquele instante brilhava com todo o esplendor de uma manhã de primavera. Elas refletiam seus raios sobre o rosto cândido e corado de modo indescritível, dando-lhe uma luz de modo tão singular que nem se distinguiam bem suas várias espécies. A cabeça, tinha-a cingida com uma coroa de rosas; os cabelos caíam-lhe sobre os ombros em ondulantes cachos, dando-lhe um ar tão pulcro, tão afetuoso, tão encantador, que parecia… parecia… um Anjo!
Ao pronunciar estas últimas palavras, parecia que Dom Bosco estava fazendo grande esforço para encontrar as expressões adequadas; e o fez com um gesto indescritível e um tom de voz que comoveu a todos; pareceu ter-se cansado nesse esforço para encontrar os termos que exprimissem inteiramente sua idéia. Após breve pausa, prosseguiu:
Também resplandeciam de luz todos os outros que o acompanhavam. Vestiam-se de modos diversos, mas sempre maravilhosos; uns mais, outros menos ricos; uns de uma, outros de outra forma; num, dominava determinada cor; noutro, dominava outra; e cada uma das vestes tinha um significado que ninguém saberia compreender. Mas todos tinham na cintura uma faixa vermelha.

Eu continuava a observar e pensava: Que significará isso? Como vim parar neste local?… E não sabia onde me encontrava. Fora de mim, temeroso pela reverência que tudo aquilo me inspirava, não me atrevia a dizer nada. Também os outros continuavam silenciosos.

Por fim, Domingos Sávio abriu a boca.
– Por que estás aí mudo e como que aniquilado? Não és mais aquele homem que de nada tinhas medo, que enfrentavas intrépido as calúnias, as perseguições, os inimigos, as angústias e os perigos de toda espécie? Onde está tua coragem? Por que não falas?
A duras penas respondi, quase balbuciando:
– Não sei o que dizer… Mas, não és tu Domingos Sávio?
– Sim, sou; já não me reconheces?
– E como te encontras aqui? – acrescentei, sempre confuso.
Sávio então respondeu com afeto:
– Vim aqui para falar-te. Tantas vezes nos falamos na Terra! Não recordas quanto me amavas, quantas provas de amizade e quantas demonstrações de benevolência me deste? E eu por acaso não correspondi a teus desvelos? Como era grande minha confiança em ti! Por que, então, tremes? Coragem! pergunta-me alguma coisa.
Recobrando então ânimo, lhe disse:
– Tremo, porque não sei onde me encontro.
– Estás no local da felicidade – respondeu Sávio – onde se gozam todas as alegrias, todas as delícias.
– É este, pois, o prêmio dos justos?
– Não, por certo. Aqui não se gozam os bens eternos, mas só, ainda que em medida grande, os temporais.
– Mas então são naturais todas essas coisas?
– Sim, se bem que embelezadas pelo poder de Deus.
– E a mim, que me parecia que isto era o Paraíso! – exclamei.
– Não, não, não! – respondeu Sávio. Nenhum olho mortal pode ver as belezas eternas.
– E essas músicas – prossegui perguntando – são as harmonias de que gozais no Paraíso?
– Não, não, já te disse que não!
– São sons naturais?
– Sim, são sons naturais, aperfeiçoados pela onipotência de Deus.
– E esta luz que sobrepuja a luz do sol, é luz sobre natural? É a luz do Paraíso?
– É luz natural, embora avivada e aperfeiçoada pela onipotência divina.
– E não se poderia ver um pouco de luz sobrenatural?
– Ninguém pode vê-la enquanto não chegue a ver a Deus sicut est [como Ele é]. O menor raio dessa luz tira na no mesmo instante a vida de um homem, porque não é suportável pelas forças humanas.
– E poderia haver uma luz natural ainda mais bela do que esta?
– Se soubesses! Se visses somente um raio de luz natural elevada a um grau superior a este, ficarias fora de ti.
– E não se pode ver ao menos um raio dessa luz de que falas?
– Sim, podes vê-lo; terás a prova do que te digo; abre os olhos.
Já os tenho abertos – respondi.
– Olha bem no fundo desse mar de cristal.
Levantei a vista, e apareceu de repente no céu, a uma distância imensa, uma instantânea centelha de luz, sutilíssima como um fio, mas tão brilhante, tão penetrante, que meus olhos não puderam resistir. Fechei-os e lancei um grito tão forte que despertou o Padre Lemoyne (aqui presente), que dormia num quarto próximo. Assustado, ele me perguntou na manhã seguinte o que me acontecera de noite, para estar assim tão agitado. Aquele fiozinho de luz era cem milhões de vezes mais claro que o sol, e seu fulgor bastaria para iluminar todo o universo criado.
Após alguns instantes, consegui abrir os olhos e perguntei a Domingos Sávio:
– E isso que vi, será talvez um raio divino?
Sávio respondeu:
– Não é luz sobrenatural, se bem que, comparada com a terrestre, seja tão superior em brilho. Não é senão luz natural, assim avivada pelo poder de Deus. E ainda que imaginasses uma imensa zona de luz semelhante à centelhazinha que viste lá no fundo rodeando todo o mundo, nem por isso formarias para ti uma idéia dos esplendores do Paraíso.
– E vós, de que gozais, pois, no Paraíso?
– Ah! É impossível dizer-te. O que se goza no Paraíso nenhum homem mortal pode sabê-lo enquanto não deixar esta vida e se reunir a seu Criador. Basta dizer que se goza ao próprio Deus.
Entretanto, eu já me recobrara plenamente de meu primeiro aturdimento, e contemplava absorto a beleza de Domingos Sávio, e com franqueza lhe perguntei:
– Por que tens essa veste tão alva e deslumbrante? Calou-se Sávio, sem dar mostras de querer responder. Mas o coro retomou então suas harmonias e cantou, acompanhado de todos os instrumentos:
Ipsi habuerunt lumbos praecinctos et dealbaverunt stolas suas in san guine Agni [Eles tiveram os rins cingidos e purificaram suas vestes no sangue do Cordeiro].
– E por que – voltei a perguntar quando cessou o canto – essa faixa vermelha na tua cintura?
Tampouco desta vez Sávio respondeu, mas antes fez sinal de que não queria fazê-lo. Então, o Padre Alasonatti em solo se pôs a cantar:
Virgines enim sunt, et sequuntur Agnum quocumque ierit [São virgens e seguirão o Cordeiro aonde quer que vá].
Compreendi então que a faixa encarnada, cor de sangue, era símbolo dos grandes sacrifícios feitos, dos violentos esforços e do quase martírio sofrido para conservar a virtude da pureza; e que, para manter-se casto na presença do Senhor, ele teria estado pronto a dar a vida se as circunstâncias o houvessem requerido; e que também era símbolo das penitências, que limpam a alma da culpa. A brancura e o esplendor da túnica significavam a inocência batismal conservada.
Mas eu, atraído pelos cantos e contemplando todas aquelas falanges de jovens celestiais ordenados atrás de Domingos Sávio, lhe perguntei:
– E quem são estes que te rodeiam?
E, dirigindo-me aos demais, lhes disse:
– Como é que estais todos tão refulgentes?
Sávio continuou calado, e todos os jovens se puseram a cantar:
Hi sunt sicut Angeli Dei in caelo [Estes são como Anjos de Deus no Céu].
Notava entretanto que Sávio parecia ter preeminência sobre aquela multidão, que a respeitosa distância se encontrava, uns dez passos atrás dele; e então lhe disse:
– Diz-me, Sávio: sendo tu o mais jovem entre os muitos que te seguem e dos que morreram em nossas casas, por que vais tu assim adiante deles e os precedes? Por que és tu que falas e eles se calam?
– Eu sou o mais velho de todos.
– Não, muitos outros te superam em anos.
– Eu sou o mais antigo do Oratório – repetiu Domingos Sávio – porque fui o primeiro a deixar o mundo e ir à outra vida. Além disso, legatione Dei fungor [ pro mandado de Deus].

Essa resposta me indicava o motivo da visão. Ele era embaixador de Deus.
– Então – lhe disse – falemos do que neste instante mais nos importa.
– Sim, e pergunta-me logo o que ainda desejas saber. As horas passam, e poderia acabar o tempo que me foi concedido para falar-te; e já não mais me poderias ver.
– Ao que parece, tens algum assunto de suma importância para me comunicares.
– Que irei dizer-te eu, miserável criatura? – disse Sávio com profunda humildade. – Recebi do alto a missão de te falar, e por isso vim.
– Então – exclamei – fala-me do passado, do presente e do futuro de nosso Oratório. Fala alguma coisa de meus queridos filhos, fala de minha Congregação.
– A respeito desta, muito teria que te comunicar.
– Revela, pois, o que sabes: fala-me do passado.
– O passado recai todo sobre ti.
– Terei feito alguma das minhas… [faltas]?
– Quanto ao passado, digo-te que tua Congregação já fez muito bem. Vês lá abaixo aquele número interminável de jovens?
– Vejo-os – respondi. – Como são numerosos! E como parecem felizes!
– Pois olha o que está escrito na entrada do jardim.
– Está escrito Jardim Salesiano.
– Pois bem – prosseguiu Sávio – todos eles foram salesianos, ou foram educados por ti, ou contigo tiveram alguma relação, foram salvos por ti ou por teus sacerdotes e clérigos, ou por outros que encaminhaste pela via de sua vocação. Conta-os, se fores capaz. Seu número, porém, seria cem milhões de vezes maior se maiores tivessem sido tua fé e tua confiança no Senhor.
Lancei um suspiro, sem saber o que responder a tal reprimenda, mas disse de mim para comigo: daqui para a frente procurarei ter essa fé e essa confiança. Depois, perguntei:
– E o presente?
Sávio me apresentou um magnífico ramalhete que tinha nas mãos. Nele havia rosas, violetas, girassóis, gencianas, lírios, sempre-vivas e, entre as flores, espigas de trigo.

Ofereceu-mo e disse:
– Observa!
– Vejo, mas nada entendo – respondi.
– Dá este ramalhete a teus filhos para que possam oferecê-lo ao Senhor quando chegar o momento; procura que todos o tenham; a ninguém lhe falte nem o deixe tirar. Podes estar certo de que com ele terão o suficiente para ser felizes.
– Mas, que significa esse ramalhete de flores?
– Consulta a Teologia; ela te dirá e te dará a explicação.
– A Teologia, estudei-a eu, mas não saberia como tirar dela o significado do que me apresentas.
– Pois tens estrita obrigação de saber tudo isso.
– Vamos, tira-me da minha ansiedade, explica-me tu!
– Vês estas flores? Representam as virtudes que mais agradam ao Senhor.
– Quais são?
– A rosa é símbolo da caridade; a violeta, da humildade; o girassol, da obediência; a genciana, da penitência e da mortificação; as espigas, da comunhão freqüente; o lírio indica a bela virtude da qual está escrito: Erunt sicut Angeli Dei in caelo, a castidade. E a sempre-viva significa que todas essas virtudes devem durar sempre, ela simboliza a perseverança.
– Ora bem, meu caro Sávio: tu, que durante toda a tua vida praticaste todas essas virtudes, diz-me: o que foi que mais te consolou na hora da morte?
– Que te parece que possa ser? – respondeu Sávio.
– Foi talvez ter conservado a bela virtude da pureza?
– Não; não é só isso.
– Alegrou-te talvez teres a consciência tranqüila?
– Isso é bom, porém não é o melhor.
– Por acaso teu consolo terá sido a esperança do Paraíso?
– Também não.
– Pois então! O haver entesourado muitas boas obras?
– Não, não!
– Então, qual foi teu consolo na última hora? – perguntei, entre confuso e suplicante, vendo que não conseguia adivinhar seu pensamento.
– O que mais me confortou no transe da morte foi a assistência da poderosa e amável Mãe do Salvador.

Diz isto a teus filhos: que não se esqueçam de invocá-La em quanto estão em vida. Mas, se queres que possa responder-te mais algo, apressa-te!
– Quanto ao futuro, que me dizes?
– Com respeito ao futuro, no próximo ano de 1877 terás que sofrer uma grande dor; seis mais dois dos que te são mais caros serão chamados por Deus à eternidade. Mas consola-te, pois serão transplantados do campo do mundo para os jardins do Paraíso. Serão coroados. Não temas, O Senhor te ajudará e te mandará outros filhos igualmente bons.
– Paciência! E no que se refere à Congregação?
– No tocante à Congregação, fica sabendo que Deus te prepara grandes acontecimentos. No ano próximo surgirá para ela uma aurora de glória tão esplêndida, que iluminará como um relâmpago os quatro cantos do mundo; do oriente ao poente, do sul ao norte. Grande glória lhe está preparada. Tu deves zelar para que o carro no qual vai o Senhor não seja afastado pelos teus fora de suas guias e de seus caminhos. Se teus sacerdotes o souberem bem conduzir e se forem dignos da alta missão que lhes foi confiada, esplêndido será o futuro, e infinitas serão as pessoas que salvarão. Mas com uma condição: que teus filhos sejam devotos da Santíssima Virgem e saibam, todos os que vivam em tua casa, conservar a virtude da castidade, tão agradável aos olhos de Deus.
– Queria agora que me falasses algo sobre a Igreja em geral.
– Os destinos da Igreja estão nas mãos de Deus Criador. O que Ele determinou em seus infinitos decretos não te posso revelar. Tais arcanos reserva-os Ele exclusivamente para Si, e deles não participa nenhum dos espíritos criados.

– E sobre Pio IX?
– O que posso dizer-te é que o Pastor da Igreja não terá que sustentar ainda longos combates nesta terra. Poucas são as batalhas que ainda lhe resta vencer. Dentro de pouco será arrebatado de seu trono e o Senhor lhe dará a merecida recompensa. O resto já é bem sabido. A Igreja não perece… Tens ainda algo que perguntar?
E quanto a mim? – lhe disse.
Oh! se soubesses por quantas vicissitudes terás ainda que passar!… Mas apressa-te, porque muito pouco tempo me resta para falar contigo.
Estendi então com ardor as mãos para segurar aquele santo filho; mas suas mãos pareciam aéreas e nada pude tocar.
Que loucura! Que estás fazendo? – me disse Sávio sorrindo.
Temo que te vás – exclamei —. Mas, não estás aqui com teu corpo?
Com o corpo, não. Recuperá-lo-ei no último dia.
Mas, que são, então, esses traços que me fazem ver em ti a figura de Domingos Sávio?
Quando por permissão divina uma alma separada do corpo aparece diante de algum mortal, apresenta-se com a forma exterior do corpo que em vida animou, com todas as suas feições exteriores, embora muito embelezadas, e assim as conserva até que volte a unir-se a ele, no dia do Juízo Universal. Então o levará consigo para o Paraíso. É por isso que te parece que tenho mãos, pés e cabeça; mas tu não podes segurar-me porque sou puro espírito. Esta é só uma forma exterior pela qual me podes conhecer.
Compreendo – respondi – mas escuta. Ainda uma pergunta? meus jovens estão todos no reto caminho da salvação? Diz-me alguma coisa para que possa bem dirigi-los.
Os filhos que a Divina Providência te confiou podem ser divididos em três categorias. Vês estas três listas? Olha-as!

E me estendia uma.
Olhei a primeira; encabeçava-a a palavra invuinerati [ilesos], e continha o nome daqueles aos quais o demônio não pôde ferir, e que não mancharam a inocência com culpa alguma. Eram em grande número esses sadios, e os vi todos. A muitos já conhecia, outros era a primeira vez que via, e certamente virão ao Oratório nos anos futuros. Caminhavam direitos por um caminho estreito, apesar de serem alvo de flechas, espadagadas e lançaços que por todos os lados choviam sobre eles. Essas armas formavam como que uma sebe ao longo das duas bordas do caminho, e os combatiam e molestavam sem entre tanto feri-los.
Então Sávio me deu a segunda lista, cujo título era Vulnerati [feridos], ou seja, os que haviam estado na desgraça de Deus mas, uma vez postos em pé, haviam curado suas feridas arrependendo-se e confessando-se. Eram em maior número que os primeiros, e haviam sido feridos no sendeiro da vida pelos inimigos que os flanqueavam durante sua viagem. Li a lista e vi todos. Muitos iam curvados e desanimados.
Sávio tinha ainda na mão a terceira lista. Encabeçava-a a epígrafe: Lassati in via iniquitatis [caídos na via da iniqüidade]. Nela estavam escritos os nomes dos que estavam na desgraça de Deus. Eu estava impaciente para conhecer o segredo, pelo que estendi a mão. Mas Sávio me disse com vivacidade:
Não, espera um momento e ouve. Se abrires essa folha, dela sairá um tal mau cheiro que nem tu nem eu poderemos suportar. Os Anjos têm que se retirar com asco e horror, e o próprio Espírito Santo sente repugnância pela horrível hediondez do pecado.

Mas como pode ser isso – observei – se Deus e os Anjos são impassíveis? Como podem sentir o mau cheiro da matéria?
Quanto melhores e mais puras são as criaturas, tanto mais se acercam aos espíritos celestiais; pelo contrário, quanto pior, mais desonesto e torpe é alguém, tanto mais se afasta de Deus e dos Anjos, os quais, por sua vez, se afastam dele, que se converteu num objeto de náusea e repugnância.

Passou-me então a terceira lista.
Toma-a – disse – abre-a e aproveita-te dela para o bem de teus jovens; mas não te esqueças do ramalhete que te dei; que todos o tenham e conservem.
Isto dito, e depois de entregar-me a lista, retirou-se apressadamente, em meio de seus companheiros, quase como se estivesse fugindo de algo.
Abri então a lista; não vi nenhum nome, mas no mesmo instante me foram apresentados de chofre todos os indivíduos nela escritos, como se na realidade eu visse suas pessoas. Com quanta tristeza os contemplei a todos! A maior parte eu conhecia e pertencem ao Oratório e aos outros colégios. Vi muitos que parecem bons, que parecem até os melhores dentre os companheiros, e sem embargo não o são!

Mas, no ato de abrir a folha, espalhou-se em redor um mau cheiro tão insuportável, que imediatamente me vi assaltado por terrível dor de cabeça e por tais ânsias de vômito que me parecia estar morrendo. Obscureceu-se entretanto o ar, e nisso desapareceu a visão, nada mais eu vendo do maravilhoso espetáculo. Ao mesmo tempo ziguezagueou um raio e ressoou um trovão no espaço, tão forte e terrível que acordei sobressaltado.
O mau odor penetrou nas paredes e infiltrou-se em minhas vestes de tal forma que, muitos dias depois, ainda me parecia sentir a pestilência. De tal modo é fétido ante os olhos de Deus até mesmo o nome do pecador! Agora mesmo, só de recordar aquele mau odor me vêm calafrios, sinto-me sufocado e se me revolve o estômago.
Em Lanzo, onde me achava, comecei a interrogar de cá e de lá alguns rapazes, e pude certificar-me de que o sonho não me havia enganado. É, pois, uma graça do Senhor, que me deu a conhecer o estado de alma de cada um de vós; mas disso nada direi em público. Muitas outras explicações ainda haveria que dar, mas reservo-as para uma outra noite. Por ora, só me resta desejar-vos uma boa noite.

O fato de, no sonho, ter visto como maus certos jovens que eram geralmente considerados os melhores da casa, fez com que Dom Bosco de início suspeitasse ter sido apenas uma ilusão. Foi por isso que, prudentemente, começou chamando alguns para uma conversa particular; queria certificar-se bem da natureza do sonho. Por esse mesmo motivo, não se apressou a narrar logo o sonho, mas esperou uns 15 dias. Só falou quando se sentiu bem seguro de que a coisa provinha mesmo do Alto.

O tempo ainda haveria de lhe trazer outras confirmações das profecias ouvidas.
A primeira delas, e a mais importante, dizia respeito ao número de seus filhos que morreriam no ano de 1877, discriminados em dois grupos: seis mais dois. Ora, naquele ano efetivamente os registros do Oratório assinalaram com a costumeira cruz, sinal de falecimento, os nomes de seis meninos e dois clérigos.
A segunda profecia anunciava para a Sociedade Salesiana, em 1877, uma aurora tão esplêndida que faria luz sobre os quatro Cantos do mundo. Com efeito, naquele ano fizeram entrada, no panorama da Igreja, a associação dos Cooperadores Salesianos e o Boletim Salesiano. Eram duas instituições que haveriam de levar até os confins da Terra o conhecimento e a prática do espírito de Dom Bosco.

A terceira profecia dizia respeito ao final não distante da vida de Pio IX. Este efetivamente deixou de viver catorze meses decorridos do sonho.

A última profecia foi amarga para Dom Bosco: “Oh! se soubesses por quantas vicissitudes terás ainda que passar!” Realmente, nos onze anos e dois meses que ainda durou sua vida, lutas, fadigas e sacrifícios não lhe deram trégua até o último momento.
A delegacia de polícia de Borgo Dora era, quando do sonho, regida por um senhor que tinha diversos conhecidos no Oratório. Tendo ouvido narrar o sonho, ficou muito impressionado com a previsão das oito mortes. Durante todo o ano de 1877 observou com atenção se a previsão realmente se cumpria. Quando soube que no último dia do ano se realizara o oitavo óbito, resolveu abandonar o mundo, fez-se salesiano e trabalhou muito, na Itália e também na América. Foi o Padre Angelo Piccono, cujo nome permanece ainda na memória de muitos.
fonte: https://catolicaconect.com.br/o-sonho-de-dom-bosco-com-domingos-savio-e-o-ceu/ 
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Ó Maria, Virgem poderosa,
Tu, grande e ilustre defensora da Igreja.
Tu, Auxílio maravilhoso dos cristãos,
Tu, terrível como exército ordenado em batalha.
Tu, que, só, destruíste toda heresia em todo o mundo:
nas nossas angústias, nas nossas lutas, nas nossas aflições, 
defende-nos do inimigo; e na hora da morte,
acolhe a nossa alma no Paraíso. Amém. 
 
fonte; https://catolicoemoracao.wordpress.com/tag/dom-bosco/
 

5 fatos da vida de São Domingos Sávio que você, coroinha, precisa saber


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Ao longo de nossa vida, o tempo todo conhecemos pessoas novas. Algumas delas nos fazem tão bem que até se tornam uma inspiração. Quero apresentar a vocês alguém muito especial pra mim e para todos os coroinhas: o jovem São Domingos Sávio.

Você deve se recordar que certa vez já falei rapidamente sobre ele. Nós temos o nome em comum. Mas não é exatamente sobre isso que vou falar. Tenho, neste texto, 5 fatos sobre ele  que você vai gostar de conhecer. Ficou curioso? Então, vamos à história!

Quando Domingos Sávio se tornou coroinha, ainda não sabia ler nem escrever

Certa vez, numa manhã fria de inverno, o pequeno Domingos decidiu que iria à igreja mais cedo. Queria rezar antes de começar a missa. No entanto, ao chegar lá, as portas da igreja ainda estavam fechadas. O dia mal havia nascido, mas o menino não encontrou impedimento e nem desperdiçou seu tempo. Ajoelhou-se diante da porta da igreja e, ali mesmo, iniciou sua conversa com Deus.

Horas depois o padre chegou e o encontrou no frio, em silêncio, rezando. Ele ficou tão tocado por aquela cena que convidou o pequeno Domingos, que tinha apenas cinco anos, para ajudá-lo como coroinha.

Recebeu a Primeira Eucaristia mais cedo que qualquer criança costuma receber

São Domingos Sávio nasceu na Itália, em 1842.  Seus pais eram pobres de bens materiais. A grande riqueza daquela família era a fé. Essa fé fez daquele italianinho um grande amigo de Jesus e de Maria.

Aos sete anos, Domingos começou a frequentar a escola. Seu professor era um padre que logo percebeu algo incomum naquela criança. O menino tinha muitas virtudes e demonstrava muito a amor e respeito por Deus. Aquele mestre sabia que seu pequeno discípulo já estava pronto para receber Jesus Eucarístico pela primeira vez. E assim aconteceu no Domingo de Páscoa daquele mesmo ano.

Esse momento foi tão marcante para Sávio que ele tomou algumas decisões importantes para a sua vida. Quer saber quais foram? Acompanhe-me na leitura!

O pequeno Sávio queria imitar a Jesus

Na escola ou em casa, Domingos Sávio tinha um comportamento que agradava a todos. Era uma criança alegre, mas não gostava de travessuras.  Porém, mesmo com tantas tantas  qualidades,  despertava o ciúmes em alguns garotos de sua idade. Certa vez, na escola, alguns meninos aprontaram e colocaram a culpa em nele. O professor, mesmo sabendo que não era costume do menino Domingos se comportar daquela maneira, não encontrou provas de que não era ele quem havia cometido o mal feito. O que aconteceu com o santinho? Levou uma bronca! Como foi que o pequeno Domingos reagiu? Ele simplesmente baixou a cabeça e não pronunciou nenhuma palavra para se defender e muito menos acusou outros meninos.

No dia seguinte, quando descobriu toda a verdade, o professor-padre perguntou a Domingos Sávio porque ele não havia se defendido. Sávio lhe respondeu: “Porque eu preciso imitar a Jesus”. Aquele homem sábio não compreendeu muito bem o que o menino lhe dizia, pediu que ele se explicasse melhor. Ele esclareceu: “Jesus também foi acusado sem ter culpa e ficou em silêncio. Ele assumiu uma culpa que não era dele”.

O professor ficou impressionado com a conduta do jovem Domingos Sávio, pois nunca antes havia encontrado alguém assim.

São Domingos Sávio conviveu com outro grande santo

Aos doze anos, São Domingos Sávio precisou partir para outra cidade para continuar seus estudos. Essa nova etapa na sua jovem vida o deixaria longe de sua família. Mas ele sabia que era necessário. Sentiu que Deus estava lhe dando uma oportunidade e não podia recusar. Sua mãe o ajudou a arrumar a mala: algumas roupas, alguns livros e um lanchinho para a viagem.

Na nova escola, Sávio encontrou também uma nova família entre os mais de 100 garotos que ali viviam. Respeitou como pai a Dom Bosco – um sacerdote que mais tarde também foi declarado santo – e mais do que isso, foi aclamado como pai e mestre da juventude. São João Bosco, naquele ano de 1854, também acolheu Domingos Sávio como um de seus filhos espirituais. Ele era o responsável por aquela escola onde os garotos estudavam, aprendiam uma profissão, rezavam e tinham seus momentos de lazer.

Em Domingos Sávio, Dom Bosco percebeu uma grande sensibilidade para as coisas divinas.  Inspirado pelos ensinamentos de seu mentor, o jovem Domingos anotou em um de seus cadernos: “Os olhos são a janela da alma. Pela janela passa o que se deixa passar. Por ela podemos deixar passar um anjo ou um demônio, e fazer com que um deles se torne dono do nosso coração”.  O dono do coração desse jovem era Deus e a Virgem Maria.

Os propósitos de vida do mais jovem coroinha

Lembra que eu te contei que, quando fez sua primeira comunhão, Domingos tomou algumas decisões importantes para a sua vida?! Pois bem, agora você saberá quais são elas.

Logo que voltou para sua casa, depois daquele domingo de Páscoa em que foi agraciado com o corpo e o sangue de Cristo, Sávio fez – por sua própria vontade – alguns propósitos para a sua vida. Ele anotou: Devo me confessar sempre e receber a sagrada Eucaristia quando o confessor me permitir; vou respeitar os dias de festa da igreja; serei amigo de Jesus e de Maria; prefiro a morte, nunca o pecado.

Os propósitos de vida desse jovem são valorosos. Revelam sua fé vigorosa. Demonstram a sua coragem. Ele não tinha vergonha de assumir seu amor a Jesus.

Os poucos anos de vida que teve, São Domingos Sávio os conduziu com os olhos voltados para o céu. Ele faleceu aos 15 anos vítima de uma tuberculose. Todos testemunharam que ele sofreu terríveis dores, sem reclamar.

Tivemos, neste texto, a oportunidade de conhecer um pouco sobre este jovem que, por ter se tornado coroinha com apenas 5 anos e por ter conduzido sua vida em santidade, tornou-se o padroeiro dos Coroinhas. O meu desejo, caro coroinha, é que São Domingos Sávio seja também para você uma inspiração no servir e no amar.

Leia também: Coroinha, você conhece bem as suas funções?

 
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