Filhos e filhas,
Um abençoado e feliz 2026! Que o Espírito Santo seja nossa companhia constante ao longo de todo este ano, conduzindo nossos passos para que permaneçamos firmes no caminho do Senhor.
Quero refletir com vocês sobre a importância da alegria em nossas vidas. E não por falta de outros temas, mas justamente por ser um assunto que exige nossa atenção constante, proponho essa reflexão nesta primeira mensagem de 2026. A alegria cristã não é algo superficial nem passageiro; ela nasce de uma experiência profunda com Deus.
Somos chamados a viver a alegria dos Reis Magos que, ao verem novamente a estrela, ficaram radiantes de alegria (cf. Mt 2,10). Alegraram-se porque reencontraram o caminho, porque perseveraram na busca e puderam chegar até o Deus Menino, envolto em faixas, para adorá-Lo e oferecer seus presentes. Essa alegria é fruto da fidelidade e da confiança.
Devemos também nos alegrar como as mulheres na madrugada da Ressurreição que, ao encontrarem o túmulo vazio, correram cheias de alegria para anunciar aos discípulos que Jesus está vivo (cf. Mt 28,8). Essa é a alegria que transforma, que move, que impulsiona à missão.,
A alegria nos enche de energia e entusiasmo. A própria origem da palavra entusiasmo nos ajuda a compreender isso: significa “ter um deus dentro de si”, “ter alma”, “ter ânimo”. A alegria é um estado interior pleno, que nasce quando experimentamos a presença de Deus agindo em nossa vida.
São Paulo nos exorta a sermos alegres no Senhor. Por isso, precisamos cultivar a alegria todos os dias. Precisamos exercitar a surpresa boa, aquela capacidade de nos deixar tocar por Deus nas pequenas coisas. Não é maravilhoso quando, de repente, descobrimos um novo ensinamento ou compreendemos, pela primeira vez, um sentido mais profundo de uma passagem bíblica?
Muitas pessoas já partilharam comigo dizendo: “Padre, eu já tinha lido esse texto tantas vezes, mas quando o senhor explicou daquela forma, eu parei, refleti e compreendi algo que antes não percebia”. Esse processo da descoberta alegre também acontece comigo. Ao reler a Palavra de Deus, quantas vezes os versículos parecem saltar aos olhos, revelando novos significados. Essa ação do Espírito Santo alegra profundamente o meu coração.
Essa alegria simples nos prepara para a alegria plena que um dia viveremos em Deus. Por isso, precisamos estar atentos: o mundo oferece prazer, não alegria. Cria expectativas exageradas e responde a elas com frustrações. Deus, ao contrário, gera alegria verdadeira, que sustenta e permanece.
O próprio Catecismo da Igreja Católica nos ensina onde está a fonte dessa alegria: reconhecer que somos totalmente dependentes de Deus. Ele não nos abandona, mas a cada instante nos mantém no ser, nos sustenta e nos conduz. Reconhecer essa dependência é fonte de sabedoria, liberdade, confiança e alegria (cf. CIC 301).
Que neste ano que se inicia possamos permanecer alegres, conscientes de que somos criaturas amadas, cuidadas e sustentadas por Deus.
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti
Boletim do dia 14 de Janeiro de 2026
“Tudo posso naquele que me fortalece” (Fl 4,13).
Inicio a mensagem desta semana com o lema do meu sacerdócio, porque nesta quarta-feira, dia 14, completo 31 anos de vida sacerdotal. Antes de qualquer coisa, quero agradecer a Deus. Foi Ele quem me chamou, foi Ele quem confiou em mim. Sou realizado, sou feliz como padre, e não me canso de repetir, porque é verdade: se eu nascesse de novo, padre eu seria.
Agradeço também a todas as pessoas que partilham comigo a alegria de celebrar esses 31 anos de sacerdócio. De modo especial, agradeço à minha família. Meu pai, vicentino, e minha mãe, do Apostolado da Oração, são para mim exemplos concretos de fé, de entrega e de espiritualidade. Muito do que sou nasceu nesse chão simples e fecundo.
Quando Deus me chamou, Ele me confiou uma missão da qual eu ainda não tinha plena consciência. Entrei no seminário aos 12 anos, idade em que ninguém sabe exatamente o que quer da vida. Mas Deus sabia. E Ele chamou. Assim como aconteceu com Samuel, Deus falou, mas foi preciso aprender a escutar. Samuel precisou do ouvido atento de Eli para reconhecer a voz do Senhor. Eu tive essa graça: muitos ouvidos treinados, muitas pessoas que me ajudaram a discernir, orientar e confirmar o chamado de Deus na minha vida.
Tenho consciência de que ninguém segue a Deus de uma só vez. A vocação se revela aos poucos. O que Deus sonhou para mim, eu nunca sonhei. O que Ele pensou foi infinitamente maior do que eu poderia imaginar. Reconheço minhas fragilidades, mas, inspirado em São Paulo, eu não fico olhando para trás. Eu corro, eu avanço, eu busco o prêmio que é Nosso Senhor Jesus Cristo. Evangelizar não é apenas uma missão, é uma urgência. Tenho pressa de falar de Deus, pressa de anunciar a Boa Nova, pressa de levar esperança.
Louvo a Deus por sua paciência comigo. Ele espera o tempo da maturidade e se vale das minhas fraquezas para manifestar a sua grandeza. Isso é muito claro para mim: onde a fraqueza é maior, aí se revela ainda mais a força de Deus.
Quero louvar profundamente a Igreja que me ordenou. Ninguém se ordena a si mesmo. A Igreja viu em mim sinais vocacionais e disse: este pode ser padre. Sou muito grato aos frades carmelitas. Recebi muito da Ordem do Carmo: formação, disciplina, espiritualidade e uma mãe que me acompanha até hoje, Nossa Senhora do Carmo. Mesmo não estando mais no Carmelo, a Mãe continua comigo.
Saí de Paraíso do Norte, uma cidade simples, para chegar a uma evangelização que hoje alcança capitais, milhares de emissoras, uma TV com alcance nacional e internacional. Isso só pode ser obra de Deus. Sou prova viva de que, quando Deus quer, Ele faz, e quando nós deixamos, Ele conduz.
Agradeço a todos vocês que sonham comigo e tornam esse sonho realidade, agora juntos conquistando um terreno que chamamos Nossa Terra Prometida, lugar de prodígios e graças de Deus. Somos todos vocacionados.
Cada pessoa que ajuda a Obra Evangelizar é Preciso faz parte dessa missão. Estou entregando minha vida por esta obra de evangelização e caridade. Muitas vezes não são oito, mas doze, quatorze horas de trabalho diário. Estou oferecendo o que tenho de melhor: meu tempo, minha força, meu vigor. É tempo de plantar, e vocês são os instrumentos que Deus usa para que essa obra exista e floresça.
Este Santuário é a minha casa. Depois de tantas viagens e tanto cansaço, é aqui que me sinto em família. Ao olhar para vocês, descanso o coração. Louvo a Deus por todos os colaboradores e por essa relação de comunhão que nos une.
Enquanto Deus me permitir viver, quero ser esse intermediário: ouvido atento à voz de Deus, olhar fixo em Jesus, o Cordeiro de Deus. Que Ele continue me usando para a sua glória e para o bem do seu povo.
Louvado seja Deus por tudo.
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti
Boletim do dia 21 de Janeiro
Filhos e filhas,
Nessa semana a Igreja celebra vários santos que admiro e que aprendi a pedir a intercessão. Na quarta-feira, dia 20, São Sebastião cuja novena fizemos no programa Experiência de Deus, na quinta, Santa Inês, a virgem mártir, também São Francisco de Sales, dia 24/01 e por fim, no domingo, celebramos a Conversão de São Paulo.
Todos sabem que ler sobre a vida dos santos é um dos meus hobbies preferidos, gosto de ver que ninguém nasce santo, todos passam por um processo de conversão, mas também chama minha atenção o fato de que Deus sempre nos chama, e de uma forma ou outra, todos nós sentimos Deus em nós.
O ser humano, a natureza humana, tem sede de Deus. Esta é uma verdade que temos que aceitar, nossa alma tem fome de Deus, tem sede de Deus. Nossa natureza humana busca sempre o Seu Criador. Isso não tem relação com as teorias de onde, como ou quando surgiu o ser humano.
O fato é que todo ser humano é um desdobramento de Deus. Quando nós falamos que Deus nos fez à sua imagem e semelhança é o mesmo que dizer que Deus nos fez como parte Dele.
“Todas as criaturas são portadoras duma certa semelhança de Deus, muito especialmente o homem, criado à imagem e semelhança de Deus. As múltiplas perfeições das criaturas (a sua verdade, a sua bondade, a sua beleza) refletem, pois, a perfeição infinita de Deus” (CIC 41).
Nós somos uma extensão de Deus, um derramamento de Deus e por mais que alguns não aceitem, nós temos saudades do Criador. Está em nossa natureza, em nossa essência, em nossa matéria. Então quando dizemos “tenho saudades de Deus”, “tenho fome de Deus e eu anseio por Deus” é antropológico, é da natureza.
O Salmista expressa esse nosso grande anseio: “Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo: quando voltarei a ver a face de Deus?” (Sl 42,3). Depois da criação ninguém mais viu a face de Deus e o grande anseio é encontrar essa face.
A vida é busca e encontro. Nossa grande busca é Deus, Ele é o amado de nossa alma, como diz São João da Cruz, num dos seus poemas espirituais:
“Buscando meu Amor, meu Amado, vou por montes e vales, sem temer mil perigos. Nem flores colherei no caminho, pois segui-lo é preciso sem deter-me ou parar. Já não tenho outro ofício, só amar é o exercício. Solidão povoada, presença amorosa do Amado. Viver ou morrer, sem Ele eu não quero ser”! (São João da Cruz)
Deus espera pacientemente que o pecador se converta e se volte para Ele. Isso me faz lembrar de um homem em particular: Santo Agostinho. Ele precisou ser forjado com muito custo por Deus para se tornar um homem de fé. Depois de sua experiência com Deus, Santo Agostinho diz que nossa alma foi feita para Deus e não encontraremos a paz enquanto não repousarmos em Deus. Santo Agostinho é o reflexo do anseio de todos nós.
Onde está a resposta da existência humana? Em Deus! Foi isso que Santo Agostinho descobriu. Tanto que chega um momento em sua vida que ele diz: “Tarde te amei Senhor. Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu fora. Estavas comigo e não eu contigo. Exalaste perfume e respirei. Agora anseio por ti. Provei-te e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz.”
Busquemos encontrar Deus e Ele se deixará encontrar. O próprio Deus nos diz, através do profeta Jeremias:
“Vocês me procurarão e me encontrarão se me buscarem de todo o coração” (Jr 29,13).
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti
Boletim do dia 28 de Janeiro
Filhos e filhas,
Estamos nos aproximando do final do mês de janeiro e do início de fevereiro, tempo em que celebramos São Brás. Brás nos remete à brasa, à chama do amor de Deus, da fé viva e do amor ao próximo. A vida heroica de São Brás é um forte estímulo para que também nós mantenhamos acesa, em nossas almas, essa brasa do amor, pois Deus nos amou primeiro.
E isso está claramente expresso na Palavra de Deus:
“Amemos, porque Ele nos amou primeiro. Se alguém disser: ‘Amo a Deus’, mas odeia seu irmão, é um mentiroso, pois no coração de quem ama a Deus não há espaço para o ódio” (1Jo 4,19-20).
Essa é a base daquilo em que acreditamos e, por isso, professamos. Deus é a maior referência do amor, pois Ele encerra em Sua própria essência a plenitude desse sentimento, com todos os seus significados mais profundos.
Nós somos pequenos, frágeis e limitados diante daquilo que Deus personifica: a perfeição máxima do amor. Talvez por isso, quando amamos, somos tão idealistas, porque nossa referência é única, perfeita e singular, que é o próprio Deus. Amar, para nós, é sempre uma busca constante por viver e experimentar esse amor divino.
No entanto, amar também traz exigências. No cotidiano, há um certo desgaste do significado do amor, quando ouvimos frases como: “Eu amo meu time de futebol”, “Como eu amo fazer isso!”, “Amo cantar”, “Amo minha profissão”. Mas será que tudo isso é, de fato, amor? Ou o uso da palavra está equivocado, ou o amor possui diferentes níveis e intensidades.
Na verdade, as duas coisas são verdadeiras. Porém, o que não podemos perder de vista é que todas essas formas de expressão, em suas dimensões mais específicas, devem conduzir a um amor maior, que é Deus. Quem primeiro amou o mundo foi Ele. A própria Criação é um ato de amor de Deus. E, em Seu Filho Jesus, esse amor chega à plenitude quando Ele nos oferece a redenção.
Os antigos gregos utilizavam três palavras para expressar as dimensões do amor: Eros, Filia e Ágape.
Eros é o amor carnal, ligado ao desejo entre homem e mulher. Representa o amor romântico, que envolve atração, paixão e também sentimentos como o ciúme.
Filia é o amor que se
coloca a serviço, que busca antes de tudo o bem do outro. Não tem
conotação sexual, mas expressa a amizade. Um belo exemplo desse amor
encontramos na amizade entre Davi e Jônatas, assim como no amor de Jesus
por Seus Apóstolos.
Por fim, no nível mais elevado, está o Ágape, o amor divino. Nós o conhecemos a partir de Jesus, que é a revelação do amor do Pai, pois, como nos diz a Escritura, “Deus é amor” (1Jo 4,8).
Para a doutrina católica, essas três dimensões não se separam, mas se completam e se fundem. Como nos ensina o Papa Emérito Bento XVI:
“Deus ama, e este seu amor pode ser qualificado sem dúvida como Eros, que, no entanto, é totalmente Ágape também”. E ainda: “Deus é a fonte originária de todo ser; mas esse princípio criador é, ao mesmo tempo, um amante com toda a paixão de um verdadeiro amor. Assim, o Eros, e também a Filia, são elevados, purificados e se fundem com o Ágape” (Encíclica Deus Caritas Est, nº 10).
À luz dessas dimensões do amor, soam um tanto superficiais afirmações como “amo meu time de futebol”, “amo comer carne seca”, “amo andar de bicicleta”. Amar é algo muito mais profundo. Por isso, quando alguém diz que sentiu amor à primeira vista, é preciso cautela. O primeiro encontro pode gerar paixão, atração, admiração, mas ainda está distante do amor maduro. Não podemos reduzir o amor apenas à emoção ou à atração.
Peçamos, então, a Deus a graça de amar verdadeiramente, como Ele nos ama.
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti
Boletim do dia 04 de Fevereiro
Filhos e filhas,
A oração é a respiração da alma.
Essa frase do nosso intercessor São Pio mostra como a oração é essencial
para a nossa vida. Ela sustenta, orienta e amadurece a fé. Sem oração, a
fé perde o fôlego. Com oração, ela ganha raiz, através da intimidade
com Deus.
A verdadeira oração é a lembrança constante de Deus, um contínuo
despertar da “memória do coração” (CIC 2697). A oração nasce da vida
concreta; é o filho que se dirige ao Pai para falar dos cansaços, das
conquistas e frustrações, das alegrias e tristezas, dos êxitos e
fracassos.
O elemento essencial da oração é um coração humilde e contrito. A
condição necessária para receber gratuitamente o dom da oração é
colocar-se, como dizia Santo Agostinho, na atitude de um verdadeiro
“mendigo” de Deus.
Quando os discípulos pediram: “Senhor, ensina-nos a orar” (Lc 11,1),
Jesus lhes ensinou a oração do “Pai Nosso”. Dois evangelistas narram
esse ensinamento. Lucas o apresenta de forma mais breve, com apenas
cinco petições (Lc 11,1ss), e Mateus o descreve de maneira mais longa,
com sete petições (Mt 6,9ss). Esta última é a forma que utilizamos em
nossa oração.
O “Pai Nosso” é chamado oração dominical e oração do Senhor, pois não
foi criada por mãos humanas, mas revelada pelo próprio Nosso Senhor
Jesus Cristo. A primeira parte do “Pai Nosso” é, na verdade, um
colocar-se na presença de Deus, nosso Pai. A segunda parte apresenta as
petições relacionadas às nossas necessidades.
Ao ensinar os Apóstolos a rezar, Jesus começa com a palavra “Pai”. Isso
demonstra que esse termo já estava elaborado, fazia parte do cotidiano e
havia sido interiorizado. Ele expressa em palavras aquilo que sua
filiação já vivia no coração.
Segundo São Tertuliano, o “Pai Nosso” é, na verdade, o resumo de todo o
Evangelho. Nele, Jesus revela sua relação com o Pai. Na estrutura e nas
petições dessa oração, Ele nos ensina a ordem e os valores do que
devemos pedir. São Mateus, de modo intencional, coloca o “Pai Nosso”
logo após as bem-aventuranças. É como se fosse indispensável rezarmos
essa oração para nos tornarmos bem-aventurados.
Chamar Deus de Pai é uma ousadia filial, e Ele deseja que sejamos
ousados, pois o filho não mede palavras: pede, implora, chora, grita,
insiste, mas não desiste. Jesus nos autoriza a essa ousadia, porque não
nos relacionamos com um Deus abstrato ou distante. Ele estabelece entre
nós e o Pai uma relação profundamente íntima.
O filho sempre se assemelha ao pai, tanto nas virtudes quanto nas
fragilidades. Chamamos Deus de Pai e Ele o é, mas será que nos parecemos
com Ele? Isso exige outra atitude: um coração humilde e confiante, um
coração de criança, de filho, que se submete, aceita e obedece.
Quando Jesus nos ensina a dizer “Pai Nosso”, e não “Pai meu”, Ele rompe
com qualquer fé individualista. Ele elimina toda possibilidade de
exclusão do outro no caminho da salvação. Ao rezarmos “Pai Nosso”,
entramos em profunda comunhão com todos os irmãos, crentes ou não, com
os que já encontraram Deus e com os que ainda não O encontraram.
Incluímos justos e pecadores.
Rezar o “Pai Nosso”, portanto, é sair do individualismo. É compreender
que o amor de Deus não tem fronteiras, e que a nossa oração também deve
ser assim.
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti
Boletim do dia 11 de Fevereiro
Filhos e filhas,
Nesses dias celebramos a festa litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, a quem, pelas características da aparição, é invocada pelos doentes e enfermos. Foi São João Paulo II, em 1992, que instituiu o dia 11 de fevereiro como o Dia Mundial do Enfermo. E todos os anos, cada Pontífice, envia uma mensagem em referência a data.
Nossa Senhora, com sua veste branca cingida com um modesto cinto azul, nas suas 18 aparições à jovem Bernadete, não fez menção ao fato de que ali seriam realizados milhares de curas, como ocorre até hoje, enfatizando, antes, a necessidade de rezar pela conversão dos pecadores e de orar sempre, por isso invariavelmente trazia o Santo Rosário no braço.
Acredito piamente na ocorrência das aparições e dos pedidos verbalizados por Nossa Senhora a Bernadete naquela gruta, hoje um dos maiores santuários do mundo. Aquilo que a ciência não explica e chamamos de milagre consegue tocar até mesmo os corações mais incrédulos e soberbos. Há mais de um século, um simples olho d’água é a lembrança permanente do que Jesus disse: “Eu sou a água viva, se alguém tiver sede, venha a mim e beba” (Jo 7,37-38).
São João Paulo II em uma de suas peregrinações ao Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, no Dia do enfermo, disse:
“Desde o dia da aparição a Bernadete, Maria naquele lugar curou dores e doenças, restituindo a muitos dos seus filhos também a saúde do corpo. Contudo, ela realizou prodígios muito mais surpreendentes na alma dos crentes, abrindo o seu coração ao encontro com o seu filho Jesus, resposta verdadeira às expectativas mais profundas do coração humano. O Espírito Santo, que a encobriu com a sua sombra no momento da Encarnação do Verbo, transforma a alma de numerosos doentes que a ela recorrem. Mesmo quando não obtêm o dom da saúde corporal, podem sempre receber outro muito mais importante: a conversão do coração, fonte de paz e de alegria interior. Este dom transforma a sua existência e faz deles apóstolos da cruz de Cristo, estandarte de esperança, mesmo entre as provas mais duras e difíceis”.
A conversão ocorre na ausência de explicação lógica para o milagre recebido, pois contra fatos não há argumentos.
Bem sabemos que nem todos os que vão até a gruta voltarão para casa com o milagre confirmado, mas jamais esqueçamos que não se trata apenas da cura das doenças do corpo, como também de muitos males da alma. São curas que provêm da Mãe, visando à salvação do rebanho de seu Filho Jesus.
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti





