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sábado, 18 de julho de 2026

Cartões de orações e trechos Bíblicos para Instagram

Santos do mês de Julho

Religiosa e cofundadora do Instituto das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo, foi uma monja exemplar ao serviço dos órfãos dos imigrantes italianos; ela viu Jesus presente nos pobres, nos órfãos, nos doentes, nos migrantes.

Maria Assunta Caterina Marchetti 

Nasceu em Lombrici di Camaiore (Lucca) em 15 de agosto de 1871. Desde muito jovem, desejou uma vida de total dedicação e entrega a Deus, mas o trabalho doméstico, a doença da mãe e a morte prematura do pai a impediram de realizar suas aspirações imediatamente.

Missionária

Em 1895, aceitou o pedido de seu irmão, Pe. Giuseppe Marchetti, para acompanhá-lo em sua missão no Brasil, para cuidar dos órfãos dos imigrantes italianos. Ela seguiu sua vocação e, junto com sua mãe e outros dois jovens, foi apresentada a Giovanni Battista Scalabrini, constituindo os Servos dos Órfãos e Abandonados . Era 25 de outubro de 1895.

Espiritualidade maternal 

Para a Madre, Jesus estava presente nos pobres, nos órfãos, nos doentes, nos migrantes. Ficou feliz por ser chamada, à honra do apostolado, ao serviço da caridade entre os mais abandonados. Dedicou sua juventude aos pequeninos, tornando-se mãe daqueles que ficaram órfãos; ele ansiava, em seu coração, terminar seus dias terrenos na companhia de seus entes queridos, os pequenos órfãos.

Modelo de vida

As Irmãs Missionárias Scalabrinianas têm nela um pilar e modelo de incansável dedicação missionária e corajosa ao serviço da caridade. Sua dedicação gerou uma grave lesão na perna, causada durante uma visita a uma pessoa doente, que lhe causou longos anos de sofrimento. Ele morreu no orfanato em São Paulo, Brasil, em 1º de julho de 1948. Sua Beatificação ocorreu, em 25 de outubro de 2014, por meio do Papa Francisco.

A minha oração

“Mãe dos pobres e abandonados, olhai para aqueles que mais sofrem e intercedei por eles. Assim como cuidai de nós como vossos filhos, aqueles a quem tu adotastes com amor e carinho. Por Cristo, nosso Senhor. Amém!”

Beata Madre Marchetti , rogai por nós!
Fonte Ironi Spuldaro
Sacerdote da Companhia de Jesus que resplandeceu por caridade e bondade. Rejeitando as honras mundanas, dedicou-se à pastoral dos presos e doentes e ao ministério da palavra e da penitência. Tornou-se um santo padroeiro de uma cidade toda mesmo em vida. 

Jovem dedicado ao estudo e às festas

Bernardino Realino nasceu em Carpi (Modena), em 1 de dezembro de 1530. Filho mais velho de um senhor ao serviço dos tribunais no norte da Itália, Bernardino lança-se com alma aberta e ardente na vida juvenil das Universidades, passando de umas para as outras, sempre dedicadas com a mesma vivacidade e com feliz sucesso à medicina e à literatura, à filosofia e ao direito, feliz companheiro nos círculos estudantis de Modena e parceiros em suas diversões barulhentas.

Companhia de Jesus

Depois de se formar em Direito em Bolonha, em 1556, entrou ao serviço do Marquês Francesco Ferdinando d’Avalos; vice-rei da Sicília, mudou-se para Nápoles e, em 1564, decidiu tornar-se religioso da Companhia de Jesus. Ele realiza um trabalho apostólico ativo, especialmente em Lecce, onde morreu em 2 de julho de 1616 aos 86 anos. As relíquias são mantidas na Igreja do Gesù em Lecce. 

Homilia de canonização

Canonizado em 1947 pelo Papa Pio XII, ele diz: “Tendo partido em uma ladeira tão escorregadia, para onde ele irá? A contenção de sua profunda fé religiosa o manterá à beira do abismo, enquanto um amor honesto cultivado no segredo de seu coração o guarda […] Diante de seus passos, abre-se o caminho brilhante do judiciário, a voz de Deus, que discretamente fala ao seu coração […] você o vê aos trinta e quatro anos apresentando-se ao noviciado em Nápoles […] Bernardino conhece cada vez mais a fugacidade do que o cerca, desprende-se cada vez mais resolutamente de tudo o que passa, riquezas, honras, laços de afeições mesmo legítimas, mas demasiado humanas, para consagrar-se sem reservas Àquele que permanece imutável, Senhor, Inspirador, Governante e Recompensador de todo o bem no meio do fluxo desta vida mortal”. 

A minha oração

“Depois de experimentar o mundo, tu descobristes que o melhor é estar ao lado de Deus. Por isso, ensina-nos a viver com piedade e livrai-nos das tentações e seduções do mundo para que sejamos santos. Que a tua bondade nos ajude a crescer nos estudos sem descuidar da espiritualidade. Amém!”

São Bernardino, rogai por nós!

Fonte: Canção Nova.
Fonte Ironi Spuldaro
Origem

Nasceu na Espanha no ano de 1271. Pertencia à família real de Aragão, que lhe concedeu uma ótima formação, digna do seguimento de Cristo. Ela foi criada por seu avô, Tiago I, que estava recém-convertido ao cristianismo.
Casamento

Foi entregue em casamento ao rei Diniz, rei de Portugal, com apenas 12 anos de idade, e já dava testemunho de uma esposa cristã, uma mulher de oração e centrada na Eucaristia. Seu matrimônio foi um lugar de humilhação e santificação: ela permaneceu fiel e amável mesmo diante das traições e dificuldades com o esposo.
Era rainha, mas nunca esqueceu que também era irmã dos mais necessitados.

Mulher religiosa e de caridade

Ela ajudou a propagar a grande devoção a Nossa Senhora da Conceição.
Refundou, em 1314, o Mosteiro de Santa Clara de Coimbra; também fundou, em 1321, em Santarém, o Hospital de Nossa Senhora dos Inocentes, voltado para crianças que, por algum motivo, eram abandonadas por suas mães.

Uma de suas últimas obras de caridade talvez tenha sido cuidar do seu próprio esposo. Dom Diniz, que tanto a fez sofrer, agora precisava dos cuidados de Isabel, que se dispôs, quis cuidar dele. Ele ficou doente em 1324, e faleceu no ano seguinte.

Viúva e Clarissa

Então, Isabel deixou a sua condição de viver no palácio como rainha, abdicando seus bens e títulos para receber o hábito no Mosteiro das Clarissas em Coimbra, ingressando na Ordem Terceira Franciscana.

Em 1336, saiu de Coimbra e foi ao encontro de seu filho devido a um novo conflito familiar. Mesmo enferma, conseguiu chegar. Foi acolhida e ouvida por seu filho.
Páscoa

Faleceu no dia 4 de julho de 1336, e foi sepultada no Mosteiro em Coimbra.

Foi canonizada pelo Papa Urbano VIII em 1665.
Padroeira de Portugal

Santa Isabel foi declarada padroeira de Portugal, recebendo do povo o título de “rainha santa da concórdia e da paz”.

A minha oração

“Santa Isabel, fostes uma exímia esposa, mãe, serva, rainha e religiosa, porque em tudo se dedicou ao amor a Deus e ao próximo, intercede por nós junto ao Senhor, para que também saibamos amar e nos doar a Ele e aos nossos irmãos. Amém!”

Santa Isabel, rogai por nós!
Fonte Ironi Spuldaro
05/07 - Santo Antônio Maria Zaccaria

Antônio Maria nasceu na rica família Zacarias, da tradicional nobreza italiana, na cidade de Cremona, em 1502. Era o filho único de Lázaro e Antonieta, e seu pai morreu quando ele tinha apenas dois anos de idade. Nessa ocasião não faltaram os pretendentes à mão da jovem viúva, que contava com dezoito anos de idade. Mas Antonieta preferiu afastar-se de todos. Tornou-se exemplo de vida austera, séria e voltada para a fé, dedicando-se exclusivamente à educação e formação do filho. E seu empenho ilustra a alma do homem que preparou para o mundo e para a Igreja. Em pouco tempo, Antônio Maria era conhecido por sua inteligência precoce e, ao mesmo tempo, pela disposição à caridade e humildade. Contam os escritos que era comum chegar do colégio sem seu caro manto de lã, pois o deixava sobre os ombros de algum mendigo que estava exposto ao rigor do frio. Ao completar dezoito anos de idade, doou toda sua herança para sua mãe, e foi estudar filosofia em Pávia e medicina em Pádua. Ao contrário dos demais estudantes, que pouco aprendiam e mais se dedicavam à vida de diversões das metrópoles, como em todas as épocas, Antônio Maria usava todo o seu tempo para estudar e meditar. Em vez de vestir-se como fidalgo, preferia as roupas simples e comportava-se com humildade. Depois de formado, exerceu a medicina junto ao povo, cuidando principalmente dos que não tinham recursos. Conta a tradição que, além de curar os males do corpo, ele confortava as tristezas da alma de seus pobres pacientes.
Distribuía os remédios científicos juntamente com o conforto, a esperança e a paz de espírito. Finalmente, sua espiritualidade venceu a ciência e, em 1528, Antônio Maria ordenou-se sacerdote. Com as bênçãos da mãe, que ficou feliz, mas sozinha, ele foi exercer seu apostolado em Milão. Ali, na companhia de Tiago Morigia e Bartolomeu Ferrari, fundou a Congregação dos Clérigos Regulares de São Paulo, cujos membros ficaram conhecidos como "barnabitas", pois a primeira Casa da Ordem foi erguida ao lado da igreja de São Barnabé, em Milão. Depois, com apoio da condessa de Guastalla, Ludovica Torelli, fundou também a Congregação feminina das Angélicas de São Paulo e criou o Grupo de Casais, para os leigos. Toda a sua Obra se voltou à reforma do clero e dos leigos, reaproximando-os dos legítimos preceitos cristãos. Tendo como modelo são Paulo, era também um devoto extremado da santa eucaristia. Foi o padre Antônio Maria que instituiu as "quarenta horas de adoração ao Santíssimo Sacramento", e também o soar dos sinos às quinze horas para indicar a Paixão de Jesus na cruz. Durante uma de suas numerosas missões de oração e pregação que efetuava na Itália meridional, foi acometido pela epidemia que se alastrava na região. Não tinha ainda completado os trinta e sete anos de idade quando isto aconteceu. Como médico que era, sabia que a morte se aproximava, voltou então para os braços da dedicada mãe Antonieta. Ele morreu, sob o teto da mesma casa onde nasceu, em 5 de julho de 1539, e foi canonizado em 1897. Tendo em vista a criação do Grupo de Casais, santo Antônio Maria Zacarias é considerado o pioneiro da Pastoral Familiar na história da Igreja.

Fonte:http://www.arquidiocesedemaringa.org
SANTO DO DIA
Santa Maria Goretti, Virgem e Mártir, Padroeira das virgens cristãs (1890-1902)

Maria Goretti, humilde camponesa, nasceu em 16 de outubro de 1890 na cidade de Corinaldo, província de Ancona, Itália. Seus pais, Luiz e Assunta, criavam os sete filhos em meio à penúria de uma vida de necessidades, mas dentro dos preceitos ditados por Jesus Cristo. A menina Maria, por ser a mais velha, cresceu cuidando dos irmãos pequenos em casa, enquanto os pais labutavam no campo. Uma de suas irmãs, mais tarde, tornou-se freira franciscana. As dificuldades financeiras eram tantas que a família migrou de povoado em povoado até fixar-se num povoado inóspito chamado Ferrieri. Nessa localidade, a família passou a residir na mesma propriedade de João Sereneli, ancião de sessenta anos de idade que tinha dois filhos, Gaspar e Alexandre, este com dezoito anos de idade. Assim, todos trabalhavam na lavoura enquanto a jovem Maria cuidava da casa e dos irmãos pequenos.
 
Desse modo, Maria nunca pôde estudar, mas ao lado da família sempre freqüentou a igreja. Ela só estudou o catecismo para fazer a primeira comunhão, aos doze anos de idade, um ano após a morte de seu pai. Quando isto ocorreu, o senhor João, compadecido, manteve tudo como estava, contando apenas com a viúva para o trabalho na lavoura. Porém o problema era seu filho Alexandre, que passara a assediar Maria. Apesar da pouca idade, ela era bonita e bem desenvolvida, já atraindo os olhares masculinos. Como recusasse todas as aproximações do rapaz, este se irritou ao extremo. Até que, no dia 5 de julho de 1902, ele perdeu a razão e a tragédia aconteceu.
 
Naquele dia, Alexandre trabalhava ao lado de Assunta quando inventou um pretexto, deixou a lavoura. Foi para o lar dos Goretti portando uma barra de ferro com ponta afiada, sabia que Maria estaria sozinha e indefesa. Primeiro insinuou, depois exigiu, por fim ameaçou a jovem de morte se não satisfizesse seus desejos. Mesmo temendo o pior, Maria resistiu dizendo que aquilo era um pecado mortal. Alexandre, transtornado por não alcançar seu intento, passou a golpear violentamente o corpo da menina.
 
Ela ainda foi levada com vida a um hospital, após ser vitimada com quatorze perfurações. E teve tempo de perdoar seu agressor, pedindo a sua mãe e seus irmãos que fizessem o mesmo, por amor a Jesus. Maria Goretti morreu no dia seguinte ao ataque, no dia 6 de julho de 1902.
Quanto a Alexandre, foi preso, quase linchado e condenado a trabalhos forçados. Porém, depois de vinte e sete anos de prisão, foi solto por bom comportamento. Depois de ir a Corinaldo pedir perdão à mãe de Maria Goretti, ingressou num convento capuchinho, onde viveu sua sincera conversão até morrer.
 
Muitos milagres passaram a acontecer por intercessão da pequena menina virgem. A fé na sua santidade cresceu e espalhou-se de tal forma no mundo cristão que, em 1950, ela foi canonizada.

Na solenidade, estava presente a sua mãe Assunta, então com oitenta e quatro anos, ao lado de quatro de seus filhos e Alexandre Sereneli, o agressor sinceramente convertido.
 
O papa Pio XII declarou santa Maria Goretti padroeira das virgens cristãs. Atualmente continuam as romarias ao Santuário de Nossa Senhora das Graças, em Nettuno, onde se encontra a sepultura da santa, há dez quilômetros do povoado onde tudo aconteceu.
Origens

São Bento nasceu em Núrcia, próximo de Roma, em 480, numa nobre família que o enviou para estudar na Cidade Eterna.

Por conta das invasões dos bárbaros e indignados, São Bento optou por se retirar e manter-se isolado em uma gruta, nas montanhas da Úmbria.

Vida de meditação e oração

No local, ele dedicou-se à vida de oração, meditação e aos diversos exercícios para a santidade.

Era alimentado por um outro monge que, através de um cesto erguido até o penhasco, mantinha-o munido de pão para completar a alimentação quase escassa.

Depois de três anos, passou a atrair outros que se tornaram discípulos de Cristo pelos passos traçados por ele, que buscou, nas Regras de São Pacômio e de São Basílio, uma maneira ocidental e romana de vida monástica.

Mosteiro de Monte Cassino

Aos 40 anos, Bento sai da gruta e vai para o sul de Roma a fim de fundar o que viria a ser o maior centro da vida beneditina de todos os tempos, o Mosteiro de Monte Cassino, berço da Ordem dos Beneditinos.

Ao todo, foram mais de 12 mosteiros fundados por ele ao longo da história.

Regra de São Bento

A Regra Beneditina dominou a Europa devido a sua eficácia de inspiração que formava cristãos santos por meio do seguimento dos ensinamentos de Jesus e da prática dos Mandamentos e conselhos evangélicos.

O lema principal era a máxima “Ora et labora” (Oração e trabalho), onde a oração era transformada em trabalho e o trabalho em oração, através da fé e da obediência.

Além disso, a Regra de São Bento deixava todos bem à vontade, e era aplicada e moldada de acordo com a capacidade e as limitações de cada um.

Expansão e consagração

Os mosteiros beneditinos tornaram-se centros de referência e deles saíram vários nomes e ícones da Igreja Católica. Ao todo, foram 23 papas, 5 mil bispos e cerca de 3 mil santos canonizados.

Medalha de São Bento

A medalha de São Bento é um dos maiores símbolos e heranças deixadas por esse santo.

As primeiras medalhas foram confeccionadas dentro do Mosteiro Cassino, e como símbolo principal carregam a cruz, muito usada por Bento em diversas situações de sua vida.

Para Bento, o sinal da cruz era como um sinal de coisas boas sendo feitas, um sinal de vitória contra o mal e a morte.

Em 1742, o Papa Bento XIV aprovou o uso da medalha oficializando-a assim como um instrumento de devoção de fé, ao contrário do que muitos pensavam ser apenas um amuleto de superstição.

Páscoa

Tradicionalmente, tinha-se o falecimento de São Bento como ocorrido em 543 d.C., mas estudos cronológicos mais recentes fixam o ano de 547 d.C. para a sua passagem para a glória.

São Bento tem o título de “padroeiro da Europa”.

Foi canonizado, em 1220, pelo Papa Honório III.

Oração de entrega a São Bento:

“Ó Padre São Bento, ajuda dos que a ti recorrem, aceitai-me sob a Tua Proteção,
defendei-me dos perigos que assaltam a minha vida,
obtém-me a graça do arrependimento sincero e de uma conversão verdadeira,
para que possa reparar os pecados cometidos
e glorificar a Deus todos os dias da minha vida.

Tu que conformaste o teu coração à vontade do Senhor,
recorda-te de mim junto do Altíssimo, para que,
dando-me o perdão de todas as minhas faltas,
Ele me faça forte na prática do bem,
não permita que jamais d’Ele me separe,
receba-me nos coros dos eleitos e, juntamente contigo,
associe-me às fileiras dos santos que, atrás de ti, entraram na Beatitude Celeste.

Deus Onipotente e Eterno,
pelos méritos e exemplo de São Bento,
de Sua Irmã Santa Escolástica e de todos os Santos Monges que estão no Céu
renovai em mim o Vosso Espírito Santo,
dai-me força no combate contra as seduções do maligno,
paciência nas tribulações da vida,
prudência nos perigos.

Aumentai em mim o amor à caridade,
o ardor na obediência
e uma fidelidade humana na prática da vida cristã.
Confrontado pelo Vosso auxílio e pela caridade de todos,
possa eu vos servir com alegria e chegar vitorioso à Pátria Celeste, morada de todos os Santos.
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.”

São Bento, rogai por nós!
Fonte Ironi Spuldaro
Origens

Olavo II Haraldsso nasceu, em 995, na Noruega, em uma família real.

Quando jovem, foi enviado à Inglaterra em uma expedição, e teve contato com o Cristianismo.

Batismo 

Santo Olavo recebeu o batismo em 1014. Após ser batizado, Olavo retornou à Noruega para assumir o trono, já que o pai havia falecido.

No país, encontrou usurpadores, e entrou em conflito para manter o reinado.

Reinado de Santidade

Como rei, buscou a santidade, governando mais pela força do testemunho do que pela força das armas.

Empenhou-se muito para que seus súditos deixassem o paganismo. Construiu igrejas e viabilizou a vinda de sacerdotes estrangeiros, muitos deles naturais da Inglaterra, para que pudessem evangelizar e catequizar o povo.

Exílio 

Suas ações de converter o povo ao Rei dos Reis não agradou a todos. Por isso, Olavo exilou-se para a Rússia entre os anos 1028 e 1030.

Páscoa

Foi morto durante um conflito armado retornando a Noruega em 1030.

Ele foi canonizado, em 1164, por um bispo a pedido do Papa Alexandre III.

Minha oração

Santo Olavo, que lutou contra o paganismo a todo custo, dai-nos forças para proclamar o nosso amor a Jesus Cristo. Amém.” 

Santo Olavo, rei da Noruega, rogai por nós

Origens

Henrique era filho de duque Baviera, e nasceu num castelo na Alemanha em 973. Pertencia a uma família santa, e por isso foi educado pelos cânones de Hildesheim; depois, pelo bispo Saint Wolfgang, em Regensburg.

Seus outros irmãos também tiveram uma vida de santidade. Bruno foi o primeiro a abandonar o conforto da corte para tornar-se padre e, depois, bispo de Augusta. Das irmãs, Brígida fez-se monja, e Gisela foi mulher do rei Estêvão da Hungria, também um santo.

“Entre seis”

Quando jovem, sonhou com o seu falecido diretor espiritual, que teria escrito na parede do quarto do príncipe: “Entre seis”. Ele interpretou primeiramente que teria seis dias antes de morrer, mas, como não aconteceu, preparou-se em vista de seis meses. Porém, seis anos após o sonho, ele assumiu o trono da Alemanha em 1002, quando seu pai morreu.

Dois anos depois, também foi rei da Itália.

Em 1014, o Papa Bento VIII consagrou Henrique imperador do Sacro Império Romano.

Santa Cunegundes 

Casou-se com a filha de um conde, Cunegundes de Luxemburgo, também santa. Junto da esposa, Henrique concedeu a população benefícios sociais e assistenciais.  O casal não conseguiu ter filhos.

Páscoa 

Henrique II morreu em 13 de julho de 1024, e foi sepultado em Bamberg.

Foi canonizado, em 1152, pelo Papa Eugênio III.

Com a morte do marido, Cunegundes foi morar em um mosteiro, abdicando do trono e da fortuna.
Ela morreu em 3 de março de 1039, e foi sepultada ao lado do marido.
Foi canonizada em 1200 pelo Papa Inocêncio III.

Minha oração

“São Henrique, que amou a Deus acima do trono, vos pedimos a fortaleza de seguir uma vida santa, abandonando os caminhos fácies e luxuosos. Amém.”

São Henrique II, imperador Romano, rogai por nós!
Origens!!!

Nasceu em Portugal, no Porto, em 1527, filho de D. Emanuel e Dona Vielante, ambos descendentes de famílias lusitanas ricas e nobres. Recebeu cuidadosa educação e tornou-se o administrador dos bens familiares aos 18 anos de idade. 

Companhia de Jesus

Após um retiro realizado em Coimbra, decidiu-se pela vida religiosa, entrando na Companhia de Jesus em 1548; era a idade dos grandes ideais, dos sonhos e das grandes esperanças. Revelou-se logo excelente religioso; suas austeridades tiveram de ser moderadas pelo seu provincial, o padre Simão Rodriguez. Não terminara, aos 26 anos de idade, o seu curso de teologia, quando foi nomeado reitor do Colégio Santo Antônio em Lisboa.

Tornou-se vice-provincial em 1556. Depois de terminados seus estudos, foi mandado a Braga para assessorar o bispo da cidade na reforma da diocese. Mais tarde, foi eleito por sua comunidade para ir a Roma para a eleição do novo responsável Geral. 

Vida missionária

Assim, em 1565, este Geral, que outro não foi senão são Francisco Borja, confiou a Inácio a inspeção das missões das Índias e do Brasil. Essa visita durou cerca de três anos. A evangelização do Brasil começara há apenas 16 anos, mas a Companhia de Jesus já estava em sete tribos do interior e no litoral possuía escolas e seminários. Em seu relatório, Inácio pedia reforços. São Francisco de Borja ordenou-lhe que recrutasse em Portugal e na Espanha elementos para o Brasil, e que os chefiasse.

Após cinco meses de exercícios religiosos e preparativos, partiram, a 5 de junho de 1570, Azevedo e 39 companheiros, no navio mercante São Tiago. Trinta outros seguiam num barco de guerra da esquadra comandada por Dom Luís de Vasconcelos, então governador do Brasil. Oito dias depois, alcançavam a ilha da Madeira, onde Dom Luís decidiu permanecer a fim de esperar ventos mais favoráveis. Mas o capitão de São Tiago preferiu demandar às ilhas Canárias, apesar de se falar em perigosos piratas, sobretudo franceses. 

Os mártires

São Tiago, perto da Grande Canária, antes de seguir para Las Palmas, onde faria escala, ancorou num pequeno porto, onde Inácio foi aconselhado a deixar o barco. Todavia, inspirado talvez por Deus, o bem-aventurado preferiu permanecer a bordo. Deixando o pequenino ancoradouro, a nau alcançou o alto-mar, onde foi alcançada pelo corsário francês Jacques Sourie, que partira de La Rochelle para capturar os jesuítas.

Após séria luta corpo a corpo, São Tiago foi dominado pelos calvinistas; Sourie declarou salvar a vida de todos os sobreviventes com exceção dos jesuítas; estes foram então friamente degolados, com exceção de um, o cozinheiro, que foi tomado como escravo e era coadjutor temporâneo. Mas o número de mártires foi 40, pois degolaram também um postulante, recrutado durante a viagem. Assim morreu Inácio de Azevedo. De seus 40 companheiros de martírio, nove eram espanhóis e os demais portugueses. O culto desses mártires foi confirmado por Pio IX em 1854.

A minha oração

“Rogamos aos mártires que nos ajudem a anunciar a Palavra de Deus com coragem e com um espírito missionário sempre fortificado. Pelo testemunho deles, possamos ser homens e mulheres evangelizadores por Cristo Nosso Senhor. Amém!”

Bem-aventurados Mártires, rogai por nós!
Fonte Ironi Spuldaro
Origens

Nasceu em Montilla, Espanha, no ano de 1549. Pertencente a uma família abastada e de nobre ascendência, os pais, Mateus Sanches Solano e Ana Gimenez, eram cristãos fervorosos.

Sua formação passou pelo colégio jesuíta, ingressando, mais tarde, na Ordem Franciscana. O que mais ansiava era ser um missionário. Porém, adiou os planos para cuidar dos doentes, principalmente os mais pobres na Espanha, que foram devastados pela peste. Ele acabou contraindo a doença, mas logo se recuperou.

Missão na América Latina 

Em 1589, Francisco foi escalado para uma missão evangelizadora no novo continente latino-americano. Durante o caminho, eles enfrentaram uma forte tempestade, que fez o navio encalhar em um banco de areia. Porém, com sua presença e palavra de fé, acalmou as pessoas. Com isso, acabou batizando muitos passageiros e também os escravos negros que viajavam com eles. Logo depois, o que Francisco dissera aconteceu. Um outro navio os avistou e  chegaram a salvo ao destino: Lima, no Peru.

Quinze anos de apostolado 

Durante os quinze anos de apostolado, vivenciou vários milagres como: a cura de doentes com o toque de seu cordão de franciscano, livrou totalmente uma vasta região da praga dos gafanhotos e o dom de aprender facilmente as novas línguas e catequizar a cada tribo em seu próprio dialeto.

Páscoa

Passou os últimos cinco anos de sua vida em Lima. Francisco Solano morreu em julho de 1610 enquanto os frades cantavam  o Credo. Suas últimas palavras foram:  “Glorificetur Deus”. Foi canonizado pelo Papa Bento XIII em 27 de dezembro de 1726.

Minha oração

“São Francisco Solano, Padroeiro dos Missionários da América Latina, dai-nos o anseio de sermos missionários e nunca desistir de anunciar as maravilhas de Deus. Amém.”

São Francisco Solano, rogai por nós!

BOLETINS DO PADRE REGINALDO DO ANO DE 2026

 


Filhos e filhas,

Um abençoado e feliz 2026! Que o Espírito Santo seja nossa companhia constante ao longo de todo este ano, conduzindo nossos passos para que permaneçamos firmes no caminho do Senhor.

 

Quero refletir com vocês sobre a importância da alegria em nossas vidas. E não por falta de outros temas, mas justamente por ser um assunto que exige nossa atenção constante, proponho essa reflexão nesta primeira mensagem de 2026. A alegria cristã não é algo superficial nem passageiro; ela nasce de uma experiência profunda com Deus.

 

Somos chamados a viver a alegria dos Reis Magos que, ao verem novamente a estrela, ficaram radiantes de alegria (cf. Mt 2,10). Alegraram-se porque reencontraram o caminho, porque perseveraram na busca e puderam chegar até o Deus Menino, envolto em faixas, para adorá-Lo e oferecer seus presentes. Essa alegria é fruto da fidelidade e da confiança.

 

Devemos também nos alegrar como as mulheres na madrugada da Ressurreição que, ao encontrarem o túmulo vazio, correram cheias de alegria para anunciar aos discípulos que Jesus está vivo (cf. Mt 28,8). Essa é a alegria que transforma, que move, que impulsiona à missão.,

A alegria nos enche de energia e entusiasmo. A própria origem da palavra entusiasmo nos ajuda a compreender isso: significa “ter um deus dentro de si”, “ter alma”, “ter ânimo”. A alegria é um estado interior pleno, que nasce quando experimentamos a presença de Deus agindo em nossa vida.

São Paulo nos exorta a sermos alegres no Senhor. Por isso, precisamos cultivar a alegria todos os dias. Precisamos exercitar a surpresa boa, aquela capacidade de nos deixar tocar por Deus nas pequenas coisas. Não é maravilhoso quando, de repente, descobrimos um novo ensinamento ou compreendemos, pela primeira vez, um sentido mais profundo de uma passagem bíblica?

Muitas pessoas já partilharam comigo dizendo: “Padre, eu já tinha lido esse texto tantas vezes, mas quando o senhor explicou daquela forma, eu parei, refleti e compreendi algo que antes não percebia”. Esse processo da descoberta alegre também acontece comigo. Ao reler a Palavra de Deus, quantas vezes os versículos parecem saltar aos olhos, revelando novos significados. Essa ação do Espírito Santo alegra profundamente o meu coração.

Essa alegria simples nos prepara para a alegria plena que um dia viveremos em Deus. Por isso, precisamos estar atentos: o mundo oferece prazer, não alegria. Cria expectativas exageradas e responde a elas com frustrações. Deus, ao contrário, gera alegria verdadeira, que sustenta e permanece.

O próprio Catecismo da Igreja Católica nos ensina onde está a fonte dessa alegria: reconhecer que somos totalmente dependentes de Deus. Ele não nos abandona, mas a cada instante nos mantém no ser, nos sustenta e nos conduz. Reconhecer essa dependência é fonte de sabedoria, liberdade, confiança e alegria (cf. CIC 301).

Que neste ano que se inicia possamos permanecer alegres, conscientes de que somos criaturas amadas, cuidadas e sustentadas por Deus.

Deus abençoe,

Padre Reginaldo Manzotti

Boletim do dia 14 de Janeiro de 2026

 

Filhos e filhas,

 

Tudo posso naquele que me fortalece” (Fl 4,13).

 

Inicio a mensagem desta semana com o lema do meu sacerdócio, porque nesta quarta-feira, dia 14, completo 31 anos de vida sacerdotal. Antes de qualquer coisa, quero agradecer a Deus. Foi Ele quem me chamou, foi Ele quem confiou em mim. Sou realizado, sou feliz como padre, e não me canso de repetir, porque é verdade: se eu nascesse de novo, padre eu seria.

 

Agradeço também a todas as pessoas que partilham comigo a alegria de celebrar esses 31 anos de sacerdócio. De modo especial, agradeço à minha família. Meu pai, vicentino, e minha mãe, do Apostolado da Oração, são para mim exemplos concretos de fé, de entrega e de espiritualidade. Muito do que sou nasceu nesse chão simples e fecundo.

 

Quando Deus me chamou, Ele me confiou uma missão da qual eu ainda não tinha plena consciência. Entrei no seminário aos 12 anos, idade em que ninguém sabe exatamente o que quer da vida. Mas Deus sabia. E Ele chamou. Assim como aconteceu com Samuel, Deus falou, mas foi preciso aprender a escutar. Samuel precisou do ouvido atento de Eli para reconhecer a voz do Senhor. Eu tive essa graça: muitos ouvidos treinados, muitas pessoas que me ajudaram a discernir, orientar e confirmar o chamado de Deus na minha vida.

 

Tenho consciência de que ninguém segue a Deus de uma só vez. A vocação se revela aos poucos. O que Deus sonhou para mim, eu nunca sonhei. O que Ele pensou foi infinitamente maior do que eu poderia imaginar. Reconheço minhas fragilidades, mas, inspirado em São Paulo, eu não fico olhando para trás. Eu corro, eu avanço, eu busco o prêmio que é Nosso Senhor Jesus Cristo. Evangelizar não é apenas uma missão, é uma urgência. Tenho pressa de falar de Deus, pressa de anunciar a Boa Nova, pressa de levar esperança.

 

Louvo a Deus por sua paciência comigo. Ele espera o tempo da maturidade e se vale das minhas fraquezas para manifestar a sua grandeza. Isso é muito claro para mim: onde a fraqueza é maior, aí se revela ainda mais a força de Deus.

 

Quero louvar profundamente a Igreja que me ordenou. Ninguém se ordena a si mesmo. A Igreja viu em mim sinais vocacionais e disse: este pode ser padre. Sou muito grato aos frades carmelitas. Recebi muito da Ordem do Carmo: formação, disciplina, espiritualidade e uma mãe que me acompanha até hoje, Nossa Senhora do Carmo. Mesmo não estando mais no Carmelo, a Mãe continua comigo.

 

Saí de Paraíso do Norte, uma cidade simples, para chegar a uma evangelização que hoje alcança capitais, milhares de emissoras, uma TV com alcance nacional e internacional. Isso só pode ser obra de Deus. Sou prova viva de que, quando Deus quer, Ele faz, e quando nós deixamos, Ele conduz.

 

Agradeço a todos vocês que sonham comigo e tornam esse sonho realidade, agora juntos conquistando um terreno que chamamos Nossa Terra Prometida, lugar de prodígios e graças de Deus. Somos todos vocacionados.

 

Cada pessoa que ajuda a Obra Evangelizar é Preciso faz parte dessa missão. Estou entregando minha vida por esta obra de evangelização e caridade. Muitas vezes não são oito, mas doze, quatorze horas de trabalho diário. Estou oferecendo o que tenho de melhor: meu tempo, minha força, meu vigor. É tempo de plantar, e vocês são os instrumentos que Deus usa para que essa obra exista e floresça.

Este Santuário é a minha casa. Depois de tantas viagens e tanto cansaço, é aqui que me sinto em família. Ao olhar para vocês, descanso o coração. Louvo a Deus por todos os colaboradores e por essa relação de comunhão que nos une.


Enquanto Deus me permitir viver, quero ser esse intermediário: ouvido atento à voz de Deus, olhar fixo em Jesus, o Cordeiro de Deus. Que Ele continue me usando para a sua glória e para o bem do seu povo. 


Filhos e filhas,

Nesses dias de Quaresma, me deparei com esse ensinamento do nosso Papa Leão XIV:
“O verdadeiro problema da fé não é acreditar ou não acreditar em Deus, mas procurá-Lo! Ele deixa-se encontrar pelo coração que O procura e, talvez, a distinção correta a fazer não seja tanto entre crentes e não crentes, mas entre aqueles que procuram e aqueles que não procuram Deus”.
Essa foi uma resposta do Papa a uma carta de um poeta que se dizia “um ateu que ama a Deus”. Na resposta, Leão XIV lembra de Santo Agostinho e diz que “não pode ser ateu quem ama a Deus, quem O busca com coração sincero”. E é baseado nesse ensinamento do Papa que faço a mensagem dessa semana.
A vida é busca e encontro. Nossa grande busca é Deus, Ele é o Amado de nossa alma, como diz São João da Cruz, num dos seus poemas espirituais:
“Buscando meu Amor, meu Amado, vou por montes e vales, sem temer mil perigos. Nem flores colherei no caminho, pois segui-lo é preciso sem deter-me ou parar. Já não tenho outro ofício, só amar é o exercício. Solidão povoada, presença amorosa do Amado. Viver ou morrer, sem Ele eu não quero ser”! (São João da Cruz)
Busquemos encontrar Deus e Ele se deixará encontrar. O próprio Deus nos diz, através do profeta Jeremias: “Vocês me procurarão e me encontrarão se me buscarem de todo o coração” (Jr 29,13).
Não importa se é como nos diz a Parábola dos trabalhadores da vinha (Mt 20,1-16), ao amanhecer, ao meio dia ou ao entardecer de nossa existência vamos ter um encontro com Deus, se não pelo amor, pela dor. Deus espera pacientemente que o pecador se converta e se volte para Ele.
E assim como Papa Leão XIV, cito Santo Agostinho. Ele deu um trabalho imenso para sua mãe Santa Mônica. Ele era da “pá virada”, chegou a ter um filho com uma prostituta, era ateu e precisou ser forjado com muito custo por Deus para se tornar um homem de fé. Depois de sua experiência com Deus, Santo Agostinho diz que nossa alma foi feita para Deus e não encontraremos a paz enquanto não repousarmos em Deus. Santo Agostinho é o reflexo do anseio de todos nós.
Onde está a resposta da existência humana? Em Deus! Foi isso que Santo Agostinho descobriu. Tanto que chega um momento em sua vida que ele diz:

“Tarde te amei Senhor. Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu fora. Estavas comigo e não eu contigo. Exalaste perfume e respirei. Agora anseio por ti. Provei-te e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz”.
Jesus nos revelou o Pai, Ele é o caminho que nos leva ao Pai. Ele é a luz que dissipa as trevas. Ele disse eu vim como luz (cf. Jo 12, 46), mas o mundo preferiu as trevas. Quem vive no pecado não quer luz. Todos fomos crianças e quem tem filhos sabe que quando a criança é arteira e apronta alguma coisa errada, entra dentro de casa e vai pelos cantos escuros para não ser vista, para não chamar a atenção e passar sem levar bronca e ser castigada. É a mesma coisa quem anda no pecado. Não quer luz, não quer discernimento, quer se afastar da Igreja, quer se afastar dos sacramentos, das pessoas de bem.
Pecado gera pecado, quem está no meio do pecado quer andar na escuridão do pecado, para que a podridão não venha à tona. Então, se aproximar da luz de Jesus significa olhar para nossa própria podridão, olhar para nossos pecados e dizer: “Sou eu, Senhor. Dissipe as trevas da minha vida”.
Jesus é verdade! Não a verdade do mundo que é idêntica a analgésico, tira a dor, mas não cura. A verdade do mundo fascina, ludibria, cega e engana. A verdade de Deus, muitas vezes dói, mas sempre liberta. A felicidade que buscamos e que sei que todos buscamos, só encontraremos em Deus, por Jesus. Não depositemos a razão de nossa felicidade em pessoas, não arrisquemos todos os trunfos da nossa vida em alguém. Arrisquemos em Deus, Ele é fiel.

Busquemos a luz sem trevas, a verdade sem mentiras, a felicidade absoluta que é Deus, em Cristo Jesus.
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti 
Boletim do dia 18 de Fevereiro
Filhos e filhas,
Convertei-vos e crede no Evangelho! (Mc 1,15)

É isso mesmo, filhos e filhas, já estamos na Quaresma, tempo favorável! No início desse tempo, recebemos as cinzas em sinal de que aceitamos e queremos fazer uma caminhada de purificação, de arrependimento e de conversão.
Ao recebermos a Imposição das Cinzas, lembramo-nos da nossa condição humana, cheia de incoerências, fraquezas, infidelidade. O gesto da Imposição das Cinzas é externo, mas deve ser fruto de uma vontade interna de mudança e conversão.
As cinzas são dos ramos bentos do ano anterior e cada um, ao recebê-las, deve ter em seu coração a vontade de se voltar para Deus e se deixar reconciliar com Ele. É o próprio Deus quem nos dá essa oportunidade, esse presente e nos propicia essa reconciliação. Como diz São Paulo: “Em Nome de Cristo nós vos suplicamos deixai-vos reconciliar com Deus” (2Cor 5,20b).
Esse é o sentido da Quaresma; nos permitir reconciliar com Deus através daquilo que nos diz a profecia de Joel: rasgando o coração (cf. Jl 2,13). É muito forte! Não é abrir o coração, é rasgar o coração. É dizer: “Senhor eu não sou nada. Eu rasgo meu coração e me derramo na Vossa presença. Eu rasgo meu coração e tiro todas as resistências à minha conversão”.
Jamais devemos olhar a Quaresma como um fardo pesado, mas sim como escreveu São Paulo na Segunda Carta aos Coríntios, que no momento favorável Deus nos ouviu e no dia da salvação, Ele nos socorreu. É agora o momento, é agora o dia da salvação (2Cor 6,2).
Tempo de Quaresma é o tempo favorável. É o tempo de conversão. É a volta à casa do Pai. É o tempo em que a nossa abertura para Deus nos faz reconciliar com Ele. É o tempo também de grandes batalhas e tribulações. Então permaneçamos cada vez mais perto de Deus para que consigamos vencer todas as lutas que nos forem apresentadas.
Filhos e filhas, muitas vezes o Inimigo quer nos afastar de Deus através do pecado, e o pecado nos aniquila, nos vicia e a Quaresma é o tempo oportuno de ajustar a nossa vida com a proposta de Deus. É o tempo de graça e de retiro, para a reflexão e conversão espiritual.
Deus quer se reconciliar conosco, porque Ele nos amou primeiro. Se alguém virou as costas, fomos nós, não Deus! O esforço da Quaresma é se deixar tocar por Deus e se deixar envolver pela Sua misericórdia. Logo não sejamos indiferentes e deixemos Deus, no seu Espírito, nos provocar.
Por isso, eu sugiro que, o propósito para a Quaresma desse ano seja diferente. Além de suprimir comidas e bebidas específicas, mais que isso é fazer o sacrifício que Deus nos propõe. Quaresma é tempo favorável para a graça, a cada ano, devemos ser pessoas melhores e esse deve ser também o intuito da Quaresma, criar novos hábitos, para sermos homens e mulheres renovados em Cristo.
Papa Leão XIV nos convida nessa Quaresma a uma forma de abstinência “muito concreta e frequentemente pouco apreciada”, ou seja, a abstinência de palavras que atingem e ferem o nosso próximo.
“Comecemos por desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário, ao falar mal de quem está ausente e não se pode defender, às calúnias.”
O Papa propõe aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social e nas comunidades cristãs. “Assim, muitas palavras de ódio darão lugar a palavras de esperança e paz.”
Que saibamos viver bem esse tempo, muito propício para lembrar a Infinita misericórdia de Deus e que tenhamos uma santa e frutífera Quaresma.
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti 
Boletim do dia 04 de Março 


Filhos e filhas,

 

“Deus amou de tal forma o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que n’Ele creia não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).

 

Nós amamos porque Deus nos amou primeiro (cf. 1Jo 4,19). Somos constantemente perdoados por Deus, que nos amou primeiro. E, porque somos perdoados e amados por Deus, devemos também perdoar.

 

E qual a medida do perdão? Pedro chega para Jesus e faz essa pergunta: “Senhor, quantas vezes devo perdoar?” (cf. Mt 18,21). E é impressionante que Pedro faz a pergunta e nem espera resposta, ele mesmo sugere: “Até sete vezes?” (Mt 18,19,21). Como ele foi afobado na resposta e mostrou que ele não compreendeu o mestre, Jesus explicou: “Oh! Pedro! Não sete, mas setenta vezes sete, isto é, sempre!" (cf. Mt 18,22).

 

É importante perceber isso, pois se trata de perdoar muitas vezes a mesma pessoa, às vezes pelos mesmos erros, pelos mesmos equívocos. Isso exige tolerância, isso exige misericórdia. Mas também pede força de vontade e empenho, porque, na maioria das vezes, trata-se de pessoas mais próximas. Primeiro, porque as atitudes de outras pessoas não nos causam tanto sofrimento e decepção quanto aquelas de quem amamos e, por isso, não esperamos receber um tratamento hostil ou deliberadamente prejudicial. Em segundo lugar, porque, muitas vezes, nesses casos, o perdão exige reconstruir a confiança, a convivência e o próprio relacionamento.

 

Sem querer ser egoísta ou incentivar o egoísmo, ao perdoar não devemos nos preocupar se o outro vai mudar. Não devemos nos preocupar com os efeitos que o nosso perdão vai provocar, se trará a pessoa de volta, se restaurará a amizade ou se ela também irá nos perdoar. A reconciliação é uma consequência do perdão que nem sempre acontece. O amor, para ser vivido, precisa ser recíproco; o perdão pode ser unilateral. Isso não significa que o outro precise nos perdoar, significa que nós vamos perdoar. É diferente. O perdão deve ser gratuito, unilateral. Não se devem impor condições para perdoar. Deus não age assim conosco; por mais egoístas, miseráveis e pecadores que sejamos, Ele sempre nos perdoa.

 

O perdão deve acontecer, principalmente por se tratar de um preceito de Nosso Senhor. Sejamos sinceros: ao perdoar, não agimos apenas movidos por amor, complacência ou benevolência; perdoamos porque foi isso que Jesus nos pediu. Quem se fecha à graça do perdão fica preso ao passado, à dor, à mágoa, à raiva e, às vezes, até ao desejo de vingança, sentimentos tóxicos que acabam bloqueando o futuro. Além disso, podem provocar doenças psicossomáticas, pois diminuem a imunidade do organismo e abrem espaço para enfermidades oportunistas.

 

Há também aqueles que encontram dificuldade para perdoar, porque ainda não compreenderam que perdoar não significa desculpar ou minimizar a ofensa sofrida e fingir que nada aconteceu. Agir assim é mascarar o problema, como colocar um curativo sobre uma ferida que ainda está suja. Ela pode até parecer cicatrizada, mas, por baixo da casca, a infecção permanece. Insisto: a ferida precisa ser limpa, precisa sangrar, para que possa cicatrizar.

 

Desculpar não é perdoar, e o perdão só cura quando reconhecemos a dor, conversamos sobre a ofensa e, mesmo admitindo ao outro que ele agiu mal e nos feriu, escolhemos não alimentar a tristeza, não guardar ressentimentos e, em Deus, perdoamos suas fraquezas e limitações.

 

Pode parecer difícil, mas, se fizermos de Jesus a nossa rocha firme, teremos a graça de conseguir perdoar e também de sermos perdoados.

 

Deus abençoe,

Padre Reginaldo Manzotti

Boletim do dia 11 de Março


Filhos e filhas,

 


Já estamos na terceira semana da Quaresma, isso mesmo, Carnaval já acabou e precisamos viver plenamente esse tempo se quisermos ressuscitar novas pessoas no domingo da Páscoa do Senhor.

 

E essa preparação obrigatoriamente passa pela confissão. O Sacramento da Reconciliação é um convite a fazer a experiência da misericórdia pelo perdão, por intermédio do sacerdote que age em nome de Deus e da Igreja.

 

Nosso Senhor Jesus Cristo, sabendo de nossas fraquezas, instituiu o sacramento da confissão e escolheu seus representantes, dando-lhes o poder de perdoar os pecados em Seu nome, como ensina São João: “Jesus soprou sobre eles, dizendo: ‘Recebam o Espírito Santo. Os pecados daqueles que vocês perdoarem, serão perdoados. Os pecados daqueles que vocês não perdoarem, não serão perdoados’” (Jo 20, 22b-23).

 

Jesus já havia dito em outra ocasião: "Tudo quanto ligardes na terra será ligado no céu, e tudo quanto desligardes na terra será desligado também no céu" (Mt 18, 18). Sendo assim, o sacerdote não age em seu nome, mas com a autoridade concedida por Jesus. Ou seja, mesmo sendo uma pessoa sujeita ao pecado, como todas as outras, ele atua em nome de Deus e da Igreja para absolver os pecados. É instrumento do perdão de Deus, e o fato de também possuir fraquezas o faz compreender a conduta humana e sua inclinação ao pecado, não se colocando na posição de juiz intransigente. Vale mencionar ainda que, segundo o cânon 1388, o segredo de confissão é inviolável.

 

Costumo dizer que a confissão é um banho espiritual que lava a alma. Da mesma forma que é preciso tomar banho todos os dias para manter o corpo limpo, há a necessidade de confessar-se para garantir a limpeza espiritual. A confissão apaga completamente os pecados, mesmo os mortais, e concede a graça santificante. Aumenta os méritos diante do Criador e permite desenvolver todas as virtudes, além de proporcionar tranquilidade de consciência, alívio das mágoas e consolo espiritual.

 

Para realizar uma confissão adequada, são necessárias, pelo menos, cinco condições:

 


1. Fazer um exame de consciência, que consiste em lembrar os pecados mortais cometidos desde a última confissão. Para que seja caracterizado pecado mortal ou matéria grave (praticar ato que caracterize grande ofensa aos Mandamentos de Deus e da Igreja) é necessário: conhecimento (estar ciente, saber que o ato a ser praticado é pecado); consentimento (ter tempo para refletir e, mesmo assim, cometer o pecado por livre e espontânea vontade). Quando falta um só adjetivo a esses 3 requisitos, é pecado venial ou leve.

 

2. Estar sinceramente arrependido por ter ofendido a Deus e ao próximo.

 

3. Ter o firme propósito de não cometer mais o(s) erro(s), confiando no auxílio da graça de Deus.

 

4. Confessar objetivamente os próprios pecados e não o dos outros.

 

5. Cumprir a penitência que o confessor indicar.

 

Confesse seus pecados com a fé em Jesus Cristo. E, lembre-se:

“Se confessarmos nossos pecados, fiel e justo é Ele para perdoar-nos e purificar-nos de toda iniquidade" (1 João 1, 9).

 

Que o Espírito Santo ilumine e impulsione sempre à confissão principalmente neste tempo de Quaresma.

 

Deus abençoe,

Padre Reginaldo Manzotti


  Boletim do dia 18 de Março

Filhos e filhas,


 

Amanhã, dia 19 de março, a Igreja celebra a Festa de São José, esposo da Virgem Maria, Padroeiro da Igreja Católica, como elevado pelo Papa Pio IX em 1870. Nessa data, a Igreja celebra esse santo homem, silencioso e obediente. Nós da Obra Evangelizar o temos como protetor, pois esse santo é referência nas causas temporais, para que nunca nos falte recursos na evangelização.

 

Eu particularmente, tenho muita devoção a São José e cada vez mais aprendo com esse grande santo. São José é apresentado como um homem justo que observa a lei, um trabalhador, humilde e apaixonado por Maria, como nos ensinou Papa Francisco.

 

Diante do incompreensível, São José prefere colocar-se de lado, mas depois Deus lhe revela a sua missão. E assim José abraça a sua tarefa, o seu papel, e acompanha o crescimento do Filho de Deus, sem julgar. Ele ajudou Jesus a crescer, a se desenvolver. Assim procurou um lugar para que o filho nascesse; cuidou dele; ajudou-o a crescer; ensinou-lhe a profissão e certamente muitas outras coisas.

 

Em todos lugares procuro ter uma imagem de São José dormindo, propago o que aprendi com o Papa Francisco: “No meu escritório, eu tenho uma imagem de São José dormindo, e dormindo, ele cuida da Igreja. Quando eu tenho um problema ou uma dificuldade, e o escrevo em um papelzinho e o coloco embaixo da imagem de São José, para que ele sonhe sobre isso. Isso significa: para que ele reze por este problema”. (Encontro com as famílias filipinas em Manila, em janeiro de 2015).

 

São José, mesmo dormindo, continua intercedendo por nós, pelas famílias e pela Igreja. O culto a São José começou no século IX e um dos primeiros títulos que utilizaram para honrá-lo foi “nutritor Domini”, que significa “guardião do Senhor”.

 

No Experiência de Deus, junto com a novena, estamos vivendo a experiência do Cordão de São José, um verdadeiro caminho de oração e perseverança, no qual somos convidados a rezar durante 30 dias, apresentando nossas intenções e confiando na intercessão de São José, enquanto refletimos as sete dores e alegrias do santo Patriarca.

 

É gratificante acompanhar tantos testemunhos que não param de chegar, relatando graças e bênçãos alcançadas ao longo dessa caminhada de fé, vivida com confiança e entrega a Deus.

 

Por isso, convido todos a fazerem essa experiência, meditando sobre as dores e alegrias de São José, que nos ajudam a conhecê-lo mais profundamente e a compreender que, assim como nós, ele também enfrentou desafios, mas permaneceu fiel ao Senhor.

 


Primeira Dor: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo (Mt 1,18).

 

Primeira Alegria: O anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho, e lhe disse: José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo (Mt 1, 20-21).

 

Segunda Dor: Veio para o que era seu, e os seus não o acolheram (Jo 1,1).

 

Segunda Alegria: Foram às pressas a Belém e encontraram Maria e José, e o recém-nascido, deitado na manjedoura (Lc 2,16).

 

Terceira Dor: Quando se completaram os oito dias para a circuncisão do menino, deram-lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo anjo antes de ser concebido (Lc 2,21).

 

Terceira Alegria: A quem porás o nome de Jesus, será chamado Filho do Altíssimo..., e o seu reino não terá fim (Lc 1, 31 e 32).

 

Quarta Dor: Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus: Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações (Lc 2, 34).

 

Quarta Alegria: Porque meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos: luz para iluminar as nações (Lc 2, 30.32).

 

Quinta Dor: O Anjo do Senhor apareceu em sonho a José e lhe disse: Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito! Fica lá até que eu te avise! (Mt 2,13).

 

Quinta Alegria: Ali ficou até à morte de Herodes, para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: 'Do Egito chamei o meu Filho' (Mt 2,15).

 

Sexta Dor: José levantou-se, pegou o menino e sua mãe, entrou na terra de Israel. Mas, quando soube que Arquelau reinava na Judeia, no lugar de seu pai Herodes, teve medo de ir para lá (Mt 2, 22).

 

Sexta Alegria: Depois de receber um aviso em sonho, José retirou-se para a região da Galileia, e foi morar numa cidade chamada Nazaré. Isso aconteceu para se cumprir o que foi dito pelos profetas: Ele será chamado Nazareno (Mt 2,23).

 

Sétima Dor: Começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. Não o tendo encontrado, voltaram para Jerusalém à sua procura (Lc2, 44).

 

Sétima Alegria: Três dias depois, O encontraram no Templo. Estava sentado no meio dos mestres, escutando e fazendo perguntas (Lc 2,45).

 

Que ao contemplarmos as dores e alegrias de São José, possamos também aprender a confiar nos desígnios de Deus, mesmo quando não compreendemos os caminhos que Ele nos apresenta. São José nos ensina o silêncio que escuta, a obediência que acolhe e a fé que persevera.

 

E, assim como ele, que sejamos capazes de cuidar daquilo que Deus nos confia: nossa família, nossa missão e nossa própria vida espiritual. Que não nos falte coragem diante das dificuldades, nem gratidão nas alegrias, mas, em tudo, um coração fiel ao Senhor.

 

Peçamos hoje, com confiança, a intercessão desse grande santo, para que ele continue passando à frente de nossas causas, abrindo portas, sustentando nossas necessidades e conduzindo-nos sempre mais perto de Jesus.

 

Deus abençoe,

Padre Reginaldo Manzotti

Boletim do dia 26 de Março

Filhos e filhas,

 


Nesta mensagem quero convidar a uma reflexão sobre a Anunciação do Senhor, uma festa natalina comemorada dia 25 de março. Essa celebração nos apresenta Maria, que sempre nos é um modelo de fé.

Sobre isso disse Santo Agostinho: “Mais bem-aventurada, pois, foi Maria em receber Cristo pela fé do que em conceber a carne de Cristo. A consanguinidade materna, de nada teria servido a Maria, se Ela não se tivesse sentido mais feliz em acolher Cristo no seu Coração, que no seu seio”.

 

A Anunciação a Maria inaugura a “plenitude dos tempos” (Gl 4,4), isto é, o cumprimento das promessas e dos preparativos para a chegada do Messias. O Anjo a saúda: “Ave cheia de graça” (Lc 1,28). Na fé, Maria acolheu o anúncio, questionou, mas não duvidou, acreditou que para Deus “nada é impossível” e deu seu consentimento: "Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”. (Lc 1,26-38).

 

A cheia de graça, como disse o Arcanjo, buscou a luz. E não pensemos que ela tinha clarividência, ela não entendia os fatos que aconteciam na sua vida e na de seu filho, mas em nenhum momento reclamava ou se revoltava. Ao contrário, com paciência, “guardava tudo em seu coração”.

 

Essa expressão mostra que enquanto humana Maria também teve momentos de obscuridade. Que não compreendia tudo. Mas diante do que não compreendia, ela mergulhava em oração. Ela buscava esclarecer em Deus. Ela buscava uma luz numa vida de escuta de Deus.

 

Maria foi a primeira anunciadora do Filho, ao visitar sua prima Isabel, é portadora da alegria da boa-nova e da luz do Espírito Santo. Foi pela fé que ela, ao dar à luz a Jesus, entre os animais em um estábulo, acreditou que ele era o Filho de Deus. E, quando o viu maltratado, crucificado acreditou que ele era o Salvador. Humilde e obediente, Maria se sujeita à lei mosaica da purificação, embora o mistério da concepção e do parto virginal a preserve de qualquer impureza e apresente no Templo, Aquele que é o Filho de Deus, o próprio Deus (Lc 2,22-24).

 

Foi pela fé e confiança em Deus que se manteve firme quando ouviu do velho Simeão a profecia, que mãe nenhuma suportaria ouvir com resignação: “Eis que este menino vai ser causa de queda e elevação de muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. Quanto a você, uma espada há de atravessar-lhe a alma. Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações”.(Lc 3,34-35).

 

Foi pela fé, confiança e esperança em Deus, que a motivou quando precisou fugir para o Egito com o Menino Jesus nos braços para salvá-lo da morte pelo extermínio, que Herodes ordenou se fizesse aos recém-nascidos (Mt 2,13-14). No acontecimento do Calvário, aos pés da cruz, o Evangelista João (que esteve ao seu lado) mostra a mãe, mulher forte, junto do Filho, em pé, acolhendo o legado de mãe da humanidade, que Jesus deixou em Suas palavras: “Filho, eis aí tua mãe. Mãe, eis aí teu filho”. (Jo 19,25-27).

 

Nesses tempos, aprendamos com Maria a ter fé em Deus e assim como Ela, confiar no Deus do impossível que tudo pode, porque afinal, a tempestade vai passar.

 

E não quero terminar sem antes pedir uma prece pela Obra Evangelizar é Preciso, para que o Espírito Santo conduza e abra os caminhos. E também peço que ofereça uma Ave Maria pela pelos frutos do II Evangelizar é Preciso Rio de Janeiro, para que seja de bênçãos e graças.

 

Deus abençoe,

Padre Reginaldo Manzotti

Boletim do dia 08 de Abril

Filhos e filhas,

 


Ressuscitou Aleluia! Verdadeiramente ressuscitou, aleluia!

 

A vitória com Deus é certa! Temos essa certeza porque Jesus Ressuscitou, venceu a morte e nos garantiu a vida eterna. Ele fez nova todas as coisas!

 

No primeiro dia Deus fez a luz, Ele começa a criar o mundo dizendo, faça-se a luz, primeiro dia da criação. Ele podia ter feito o homem, mas Deus fez a luz. (cf. Gn 1,1-3). E no primeiro dia da semana, no raiar do sol, as mulheres foram ao túmulo e não encontraram Jesus. No primeiro dia da semana Deus disse: faça-se a luz e no primeiro dia da semana Jesus fez a luz nascer de novo para a humanidade. A ressurreição! (Mt 28,1-10).

 

A ressurreição vai contra qualquer princípio humano, antropológico, biológico, escatológico. Ele venceu o diabo, Ele venceu seus algozes, Ele venceu o sepulcro, e aqui reside a minha e a tua fé! Se você caminhar até a Sexta-feira Santa ou Sábado Santo e parar por aí, tudo acabou, porque a vitória de Jesus está no primeiro dia da semana. Cristo ressuscitou, essa é a diferença!

 

Se Jesus tivesse terminado num sepulcro eu não seria padre e você não seria católico, porque morrer todo mundo vai, não tem glória nenhuma em morrer, se olharmos para os grandes imperadores todos morreram, e os grandes impérios ruíram. Então, o que fez a diferença é o fato de Jesus Cristo ter morrido na cruz? Também não! Pouco antes de Jesus morrer na cruz mais de seis mil judeus foram crucificados de Roma até a Judeia. O que faz a diferença em Jesus Cristo é o fato de que foi o único que morreu e voltou à vida.

 

O sepulcro estava vazio, aqui tem algo de novo. Na nossa vida há uma única certeza, a certeza de que ninguém vai viver eternamente na Sexta-feira Santa, não se iluda, a maior parte da nossa vida é peleja, é sofrimento, é tribulação. Todos têm dificuldades, a diferença é a certeza da vitória seja nessa ou na outra vida, garantida por Cristo na Ressurreição.

 

Por tudo isso quis inserir na imagem de Jesus das Santas Chagas a superação da morte, as chagas de Cristo, são chagas gloriosas. Pode-se notar que são feridas cicatrizadas, são marcas de quem amou até o fim.

 

Outro detalhe é a pedra que está atrás de Jesus, sim a pedra do sepulcro não é mais empecilho para Cristo, ela está atrás dele, menor que ele, sendo apenas mera memória de um cárcere mortuário incapaz de reter em si a vida que resplandece com a força da ressurreição.

 

Não posso terminar essa mensagem sem citar que estamos prestes a celebrar a Festa da Misericórdia, agora no segundo Domingo da Páscoa. Jesus garantiu que, para aqueles que na Festa da Misericórdia recorressem a Ele, faria abrir todas as comportas de graças e bênçãos.

 

Ele disse a Santa Faustina:

“Nesse dia estão abertas as entranhas da Minha misericórdia. Derramo todo um mar de graças nas almas que se aproximam da Minha misericórdia. (Diário 699). E prometeu: “Todos os que clamarem minha misericórdia, pela minha própria honra, eu os defenderei na vida e principalmente na hora da morte”.

 

É a Festa de Cristo que, pela Sua Morte e Ressurreição, nos justifica através do Sacramento do Batismo e nos alimenta pelo Sacramento da Eucaristia.

 

Digo a vocês que ninguém se arrepende de recorrer à misericórdia de Jesus. Ninguém se arrepende de dizer: “Jesus pelas minhas forças eu não consigo, eu clamo à Vossa misericórdia”. Aí está a nossa salvação.

 

Deus abençoe,

Padre Reginaldo Manzotti

 


Boletim do dia 15 de Abril

Filhos e filhas,

 

É para a liberdade que Cristo nos libertou (cf. Gl 5,1)

 

Neste tempo pascal, eu convido você a refletir comigo sobre expressões que muitas vezes repetimos com facilidade, mas nem sempre compreendemos em profundidade: “O Senhor ressuscitou. O Senhor nos libertou”. Mas libertou de quê? Somos livres para quê? Como podemos afirmar que somos verdadeiramente livres?

 

Com frequência, nós ouvimos: “faça o exame de consciência”. Mas o que é a consciência? Se ela existe, por que tantas vezes insistimos no erro? Porque a nossa consciência pode estar deformada, enfraquecida… e assim, o pecado acaba convivendo dentro de nós.

 

São Pedro nos ensina:

“Pois o batismo não serve para limpar o corpo da imundície, mas é um pedido a Deus para obter uma boa consciência, em virtude da ressurreição de Jesus Cristo” (1Pd 3,21).

 

Filhos e filhas, nós somos livres para praticar o bem. A liberdade que Cristo nos conquistou na cruz e na ressurreição não é qualquer liberdade, é uma liberdade que nasce do sepulcro vazio, uma liberdade em Jesus, que deve nos conduzir a uma consciência reta.

 

Deus nos concedeu o livre-arbítrio, ou seja, a capacidade de escolher: fazer ou não fazer, agir ou não agir. Mas essa liberdade só encontra sua plenitude quando está em sintonia com Deus.

 

Como nos recorda a Palavra no Livro do Eclesiástico:

“Deus criou o homem e o deixou em poder de suas próprias decisões” (cf. Eclo 15,14).

 

Por isso, tudo o que fazemos tem consequências: para nós, para os outros e para a nossa salvação. Deus é misericordioso, mas respeita a nossa liberdade. E o caminho para escolher o bem é formar, endireitar a consciência, iluminando-a pela razão e pela graça.

 

No dia a dia, somos chamados a decidir o tempo todo. Não existe um roteiro pronto, precisamos usar a nossa liberdade. Mas então, como não errar? Como fazer as escolhas certas?

 

O ser humano pode escolher seguir a Deus ou não. Enquanto não estivermos totalmente unidos a Ele, sempre haverá essa luta: escolher o bem ou o mal, crescer na graça ou permanecer no pecado. A decisão é nossa.

 

Por isso, formar a consciência é um trabalho para toda a vida. A educação, a busca das virtudes, da prudência… tudo isso precisa nos conduzir à cura do medo. Muitas vezes, a pessoa se aproxima de Deus por medo, e isso pode até ser um começo. Mas a nossa relação com Deus não pode parar no medo, ela precisa amadurecer no amor.

 

Deus não nos quer como servos assustados, mas como filhos e filhas que amam, que confiam e que entregam a Ele a própria liberdade. A cura do medo, do egoísmo e da culpa é um caminho, um exercício constante. E quem busca uma consciência reta encontra a verdadeira paz.

 

Estamos todos em processo de conversão. Uma conversão que acontece todos os dias: na caridade com os pobres, na defesa da justiça, na correção fraterna, no exame de consciência, na aceitação das cruzes de cada dia.

 

Tomar a cruz e seguir Jesus: eis o caminho da verdadeira liberdade.

 

Deus abençoe,

Padre Reginaldo Manzotti

Boletim do dia 06 de Maio

Filhos e filhas,

 


“A mais bela obra-prima do coração de Deus é o coração de uma mãe.”

 

Começo a mensagem de hoje com essa frase de Santa Teresinha de Lisieux porque a maternidade é um dos mais belos mistérios que Deus confiou à humanidade. Mais do que um fato biológico, ser mãe é uma vocação, um chamado profundo ao amor que se doa, que se entrega e que se renova todos os dias. É um amor que não se explica, mas se vive, com o poder de transformar tudo ao redor.

 

Encontramos o modelo mais perfeito de maternidade em Nossa Senhora. Maria não teve uma vida fácil. Sua maternidade foi marcada por desafios, incertezas e dores profundas. Desde o anúncio do Arcanjo Gabriel até a cruz de seu Filho, ela viveu cada etapa com uma fé firme e um coração totalmente disponível a Deus.

 

Maria nos ensina que ser mãe é confiar. Quando não entendia, ela guardava tudo no coração. Sua maternidade não foi construída sobre facilidades, mas sobre fidelidade. Concebida sem pecado, Maria é a serva fiel que se ofereceu inteiramente a Deus e, acolhendo o convite da graça com seu “sim”, torna-se modelo de quem realiza a vontade do Pai e imagem da comunidade comprometida com o plano da salvação.

 

Do Antigo ao Novo Testamento, muitos são os personagens destacados, mas a nenhum outro foi confiado um papel tão singular na obra de salvação como foi o papel de Maria. Seu ventre foi o solo fecundo, no qual Deus, pelo Espírito Santo, gerou o Verbo. Jesus, Nosso Senhor e Salvador. No seio de Maria, Deus se fez criança e veio habitar entre nós.

 

O Magistério da Santa Igreja, no Concílio Vaticano II, apresentou Maria Santíssima como modelo de virtudes. A virtude é uma disposição constante e firme para fazer o bem. Permite à pessoa não apenas praticar atos bons, mas oferecer o melhor de si (CIC 1803). Na Santíssima Virgem, a Igreja alcançou já aquela perfeição sem mancha nem ruga que lhe é própria (cf. Ef. 5,27), os fiéis ainda precisam esforçar-se para vencer o pecado e crescer na santidade; e por isso elevam os olhos para Maria, que resplandece como modelo de virtudes sobre toda a família dos eleitos. (Lumen Gentium, 65)

 

Como bem afirmou Santo Tomaz de Aquino “A Bem-aventurada Virgem Maria é o modelo e o exemplo de todas as virtudes”. Por isso Ela é a Mãe de todas as mães, porque a própria maternidade deve ser uma escola de virtudes. Maria foi a serva humilde que jamais buscou para si mesma a atenção. Encontramos, na Bíblia, pouquíssimas palavras pronunciadas por Maria.

 

Maria foi preparada desde sempre para ser a Mãe do Filho de Deus, como nos ensina o Catecismo da Igreja Católica:

“Ao longo de toda a Antiga Aliança, a missão de Maria foi preparada pela missão de santas mulheres. No princípio está Eva: apesar de sua desobediência, ela recebe a promessa de uma descendência que será vitoriosa sobre o Maligno e a de ser a mãe de todos os viventes. Em virtude dessa promessa, Sara concebe um filho, apesar de sua idade avançada. Contra toda expectativa humana, Deus escolheu quem era considerado impotente e fraco para mostrar sua fidelidade à sua promessa: Ana, a mãe de Samuel, Débora, Rute, Judite e Ester, e muitas outras mulheres. Maria se sobressai entre (essas) humildes e pobres do Senhor, que dele esperam e recebem com confiança a Salvação. Com ela, Filha de Sião por excelência, depois de uma longa espera da promessa, completam-se os tempos e se instaura a nova economia”. (CIC 489)

 

 

Maria permaneceu com sua missão junto aos apóstolos: “Ao final desta missão do Espírito, Maria torna-se a ‘Mulher’, nova Eva, ‘mãe dos viventes’, Mãe do ‘Cristo total’. É nesta condição que ela está presente com os Doze, ‘com um só coração, perseverantes na oração’ (At 1,14), na aurora dos ‘últimos tempos’ que o Espírito vai inaugurar na manhã de Pentecostes, com a manifestação da Igreja”. (CIC 726)

 

Ela é a Mãe da Igreja, a mãe que intercede por nós junto a Jesus. Como nas Bodas de Caná, ela continua a ver nossas necessidades e levá-las ao Filho, ao mesmo tempo continua sempre a nos dizer: “Façam tudo o que meu Filho vos disser”. (cf. Jo 2,5)

 

Hoje, ao refletirmos sobre a maternidade, somos convidados a olhar para Maria e aprender com ela. Que cada mãe possa encontrar em Nossa Senhora consolo nas dificuldades, força nas lutas e esperança nos momentos de incerteza.

 

E a todos nós, fica o convite: valorizemos nossas mães enquanto podemos. Um gesto, uma palavra, um abraço, podem significar mais do que imaginamos. O amor de mãe é um presente que devemos valorizar em todos os momentos.

 

Que Deus abençoe todas as mães, fortaleça seus corações e recompense cada gesto de amor, mesmo aqueles que ninguém vê. E que, à luz de Maria, possamos compreender que a maternidade é, acima de tudo, um reflexo do próprio amor de Deus no mundo.

 

Deus abençoe e fortaleça todas as mães,

Padre Reginaldo Manzotti

 

Boletim do dia 20 de Maio

Filhos e filhas,

 Vivemos um tempo de graça muito especial. Aproxima-se a Solenidade de Pentecostes, o dia em que o Espírito Santo foi derramado sobre a Igreja nascente, transformando homens simples em testemunhas corajosas do Evangelho. Somos convidados a não só recordar um fato do passado, mas a viver uma experiência atual, concreta e profunda com o Espírito de Deus.

 

Pentecostes não é apenas uma celebração litúrgica. É um acontecimento que precisa se repetir em nossa vida. Assim como os apóstolos estavam reunidos no Cenáculo, em oração, com Maria, também nós somos chamados a entrar nesse espaço interior, esse lugar de encontro com Deus, onde o Espírito Santo pode agir com liberdade.

 

A Palavra de Deus nos mostra que, antes de Pentecostes, os apóstolos estavam com medo, inseguros, fechados. Mesmo tendo convivido com Jesus, ainda não tinham compreendido plenamente a missão que lhes havia sido confiada. Mas tudo mudou quando o Espírito Santo desceu sobre eles como um vento impetuoso e línguas de fogo (cf. At 2,1-4).

 

O medo deu lugar à coragem. A dúvida foi vencida pela fé. O silêncio foi transformado em anúncio. Pedro, que antes havia negado Jesus, agora se levanta com autoridade e proclama a verdade. João, que acompanhava com amor, passa a testemunhar com firmeza. Aqueles homens não eram mais os mesmos. O Espírito Santo os transformou profundamente.

 

E aqui está uma pergunta importante para nós: temos permitido essa transformação acontecer em nossa vida? Muitas vezes, vivemos uma fé superficial. Participamos da Igreja, frequentamos celebrações, recebemos os sacramentos, mas continuamos os mesmos. Entramos de um jeito e saímos do mesmo jeito. Falta algo. Falta fogo. Falta unção.

 

Infelizmente ainda existem corações frios espiritualmente, vidas que não foram tocadas profundamente porque ainda não houve uma verdadeira abertura ao Espírito Santo. E sem essa abertura, corremos o risco de viver um cristianismo apenas de aparência. Pentecostes nos chama a sair dessa superficialidade.

 

O Espírito Santo não vem para fazer pequenos ajustes. Ele vem para transformar o que realmente é necessário. Ele quer queimar em nós tudo aquilo que é vazio, superficial, egoísta. Quer renovar nossa forma de pensar, de falar, de agir. Quer nos tornar verdadeiros discípulos de Jesus.

 

E para isso que isso aconteça é preciso abrir o coração. Deus não invade. Ele espera. O Espírito Santo não força. Ele sopra e cabe a nós acolher esse sopro. Quantas vezes estamos fechados? Presos ao orgulho, à indiferença, ao comodismo, ao mesmo tempo que desejamos mudanças. Queremos um mundo melhor, famílias restauradas, uma Igreja mais viva, mas não permitimos que essa transformação comece em nós.

 

Pentecostes é esse convite: deixe Deus agir. Deixe o Espírito Santo tocar sua vida. Deixe que Ele aqueça o que está frio, ilumine o que está escuro, fortaleça o que está fraco. E quando essa transformação acontece, ela não fica escondida. Quem é tocado pelo Espírito se torna testemunha. Não consegue guardar para si. Sente a necessidade de anunciar, de servir, de amar de forma concreta. Por isso, Pentecostes também é envio.

 

Não fomos chamados apenas para receber, mas para transmitir. Não somos espectadores na Igreja. Somos discípulos missionários. Cada um, no seu ambiente, na sua família, no seu trabalho, é chamado a ser presença de Deus. Se não estamos sendo luz, precisamos nos perguntar: temos deixado o Espírito Santo nos iluminar?

 

E, por fim, Pentecostes nos recorda algo fundamental: a unidade. Naquele dia, pessoas de diferentes línguas e culturas compreenderam a mesma mensagem. O Espírito Santo une. Ele não divide. Ele constrói comunhão. Em um mundo marcado por tantas divisões, somos chamados a ser instrumentos de unidade. E isso começa dentro de nós, passa pelas nossas relações e alcança toda a Igreja.

 

Que nesta semana possamos viver um verdadeiro cenáculo. Que, unidos a Maria, peçamos com fé: “Vinde, Espírito Santo”.

Rezemos:

 

Divino Espírito Santo,

Derrama sobre mim, neste dia, os teus dons.

Peço os dons da Sabedoria, do Entendimento,

da Ciência, do Conselho, da Fortaleza,

da Piedade e do Temor de Deus.

Divino Espírito Santo,

Há tantas coisas que não compreendo.

Há tantas respostas que não tenho.

Há tantas decisões a serem tomadas.

Divino espírito Santo, amor do Pai e do Filho,

Inspira-me sempre o que devo pensar,

o que devo dizer e como devo dizer.

O que devo calar, o que devo escrever, como devo agir.

Inspira-me o que devo fazer para obter a tua glória

e a minha própria santificação.

Amém

 

Deus abençoe,

Padre Reginaldo Manzotti

Boletim do dia 03 de Junho



Filhos e filhas,

 

“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue, verdadeira bebida” (Jo 6,54-55).


Começo essa reflexão com um versículo sobre o Pão da Vida, que é Jesus, para nos lembrarmos de que Corpus Christi, celebrado nesta quinta-feira (04/06), não é somente um feriado, mas, para nós católicos, é um dia de manifestarmos publicamente nossa fé em Jesus Cristo, presente na Sagrada Eucaristia.


Tenho recordado, em minhas homilias, o grande privilégio e também a responsabilidade que temos: somos a Igreja na qual o próprio Cristo permanece entre nós, presente em corpo, sangue, alma e divindade em nossos sacrários. Por isso, insisto com carinho: façamos, ao menos às quintas-feiras, uma visita ao Santíssimo Sacramento. Ainda que por poucos minutos, permaneçamos em adoração, deixando que o Senhor fale ao nosso coração.


É na Eucaristia, filhos e filhas, que encontramos a força para a nossa caminhada. Ali, Jesus se oferece por inteiro e nos sustenta, ajudando-nos a viver o mandamento do amor, amando uns aos outros como Ele nos amou.


No capítulo 6 do Evangelho segundo São João, conhecido como discurso do Pão da Vida, Jesus afirma que ele é “o pão vivo que desceu do céu”, ou seja, Ele nos diz que o Pai o enviou ao mundo como o alimento de vida eterna, e por isso Ele vai sacrificar a si mesmo, a sua carne.


Na cruz, Jesus deu o seu corpo e derramou o seu sangue. O Filho do homem crucificado é o verdadeiro Cordeiro pascal, que nos faz sair da escravidão do pecado e nos apoia no caminho para a terra prometida. E a Eucaristia é o Sacramento da sua carne, dada para vivificar o mundo; quem se nutre deste alimento permanece em Jesus e vive por Ele.


Nutrir-se de Jesus Eucaristia significa abandonar-nos com confiança a Ele e deixar-nos guiar por Ele. Trata-se de acolher Jesus no lugar do próprio “eu”. Desta forma, o amor gratuito recebido de Cristo na Comunhão eucarística alimenta o nosso amor por Deus e pelos nossos irmãos que encontramos no cada dia.


Ao contemplarmos o mistério de Corpus Christi, somos convidados a fortalecer uma fé verdadeiramente inabalável, aquela que não se abala diante das dificuldades, mas encontra na Eucaristia a sua sustentação diária. Assim como partilho no livro Inabalável, a fé precisa ser cultivada com constância, confiança e entrega. E é na presença real de Jesus, no Pão da Vida, que encontramos a força para permanecer firmes, mesmo nas tempestades. A Eucaristia nos recorda que não caminhamos sozinhos: Cristo está conosco, nos alimenta, nos fortalece e nos conduz, transformando a nossa fragilidade em coragem e a nossa fé em uma rocha sólida.


Para concluir, deixo um trecho da belíssima sequência Lauda Sion, de São Tomás de Aquino, para meditarmos nesta Solenidade:

Faz-se carne o pão de trigo,
faz-se sangue o vinho amigo:
deve-o crer todo cristão.
Se não vês nem compreendes,
gosto e vista tu transcendes,
elevado pela fé.
Pão e vinho, eis o que vemos;
mas ao Cristo é que nós temos
em tão ínfimos sinais...
Alimento verdadeiro,
permanece o Cristo inteiro
quer no vinho, quer no pão.
É por todos recebido,
não em parte ou dividido,
pois inteiro é que se dá!

 

Deus abençoe,

Padre Reginaldo Manzotti

 

Boletim do dia 17 de Junho

Filhos e filhas,

 

Quando chega o mês de junho, o Brasil se enche de cores, música, sabores e tradições. As bandeirinhas enfeitam as ruas, as famílias se reúnem e as comunidades celebram as tradicionais festas juninas.

Mas, por trás de toda essa alegria popular, existe uma riqueza espiritual que não podemos esquecer: a homenagem a grandes santos que marcaram a história da Igreja com sua fé e testemunho de vida.

 

As festas juninas têm profundas raízes cristãs. Embora algumas tradições populares tenham se desenvolvido ao longo dos séculos, o coração dessas celebrações está na memória de três grandes santos: Santo Antônio, São João Batista e São Pedro. Essas festas chegaram ao Brasil por meio dos colonizadores portugueses e foram incorporadas à cultura do nosso povo, tornando-se uma das mais belas expressões da fé popular.

 

No dia 13 de junho, celebramos Santo Antônio. Conhecido popularmente como o santo casamenteiro, ele foi, acima de tudo, um grande pregador do Evangelho. Sua vida foi marcada pelo amor aos pobres, pela defesa da verdade e por uma profunda intimidade com Deus. Santo Antônio nos recorda que a verdadeira riqueza está em viver a caridade e colocar nossos dons a serviço do próximo.

 

Já no dia 24 de junho, a Igreja celebra o nascimento de São João Batista, um privilégio concedido a poucos santos no calendário litúrgico. João foi o precursor de Jesus, aquele que preparou os caminhos do Senhor e apontou para Cristo com humildade, dizendo: "É necessário que Ele cresça e eu diminua". Em um mundo que valoriza tanto a aparência e o reconhecimento, São João nos ensina a grandeza da humildade e da missão cumprida por amor a Deus.

 

Encerrando as celebrações, encontramos São Pedro, festejado no dia 29 de junho. Simples pescador da Galileia, ele foi escolhido por Jesus para ser a pedra sobre a qual edificaria Sua Igreja. Pedro experimentou fraquezas, dúvidas e até mesmo a queda, mas permitiu que a misericórdia de Deus transformasse sua vida. Seu testemunho nos mostra que a santidade não é reservada aos perfeitos, mas àqueles que confiam na graça divina e recomeçam sempre que necessário.

 

É bonito perceber que cada um desses santos representa uma virtude essencial para a vida cristã: Santo Antônio nos fala da caridade, São João Batista da humildade e São Pedro da fidelidade. Juntos, eles nos ajudam a compreender que a fé não é apenas uma tradição herdada, mas uma experiência viva que transforma o coração.

 

Por isso, ao participarmos das festas juninas, não nos detenhamos apenas nos elementos culturais, tão importantes para a identidade do nosso povo. Aproveitemos também a oportunidade para conhecer melhor a vida desses santos, fortalecer nossa caminhada espiritual e agradecer a Deus pelo testemunho daqueles que dedicaram a própria vida ao anúncio do Evangelho.

 

Que Santo Antônio nos ensine a amar. Que São João Batista nos ensine a apontar para Cristo. E que São Pedro nos ensine a permanecer firmes na fé.

 

Deus abençoe,

Padre Reginaldo Manzotti

 

Boletim do dia 24 de Junho

Filhos e filhas,

 

Estamos nos preparando para as 24 Horas em Oração na Presença do Senhor. Um dia todo que o Santuário Nossa Senhora de Guadalupe e Jesus das Santas Chagas permanece aberto em louvor e súplica ao Sagrado Coração de Jesus. E o tema desse ano será: “Chagas que curam, Amor que restaura”.
 
O Coração de Cristo, a chaga do lado aberto, é a fonte da nossa cura, porque é a fonte do Amor. Desse manancial de graças, que é o Sagrado Coração de Jesus, um rio de misericórdia desce sobre os nossos corações feridos, endurecidos e indiferentes ao apelo e ao amor de Deus. Por isso, é necessário pedirmos constantemente que os nossos corações tenham os mesmos sentimentos que o de Jesus Cristo.
 
Jesus, manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao Vosso!
 
Do coração de Jesus brotou água e sangue e ao mesmo tempo se cumpriu as escrituras: “Olharão para aqueles que transpassaram” (cf. Jo 19,34-37). Os soldados não lhe quebraram as pernas porque o cordeiro tinha que ser perfeito, sem mancha, sem defeitos e transpassaram o coração que foi capaz de amar a humanidade sem limites.
 
Um coração que foi capaz de aceitar a encarnação, porque a encarnação de Jesus já foi um transbordar de amor. Esse coração capaz de amar até as últimas consequências, ainda fez transbordar a água do Batismo, da purificação e o sangue da Eucaristia. O coração transbordante de Jesus fez nascer, no momento da cruz, a vida sacramental.
 
A devoção ao Sagrado Coração de Jesus foi muito bem pontuada através de Escritos Papais e, particularmente, a Carta Encíclica “Haurietis Aquas” (Beberão águas), do Sumo Pontífice Pio XII, trata da Devoção ao Sagrado Coração de Jesus e exorta-nos a abrirmos ao mistério de Deus e de seu amor, deixando-nos transformar por Ele.
 
A devoção ao Sagrado Coração é um dos grandes desafios da nossa fé, porque nos leva a contemplar, a experimentar e testemunhar o amor de Deus. Para aprofundarmos na relação com Jesus, temos que parar de ser rasos, porque isto não é próprio de quem quer experimentar o amor de Deus.
 
Na devoção ao Sagrado Coração, como nos ensina o ministério da Igreja, somos chamados a “experimentar” Jesus e todo seu amor por nós. E aqui nos cabe uma reflexão: Qual a profundidade de nossa experiência com Deus?
 
Precisamos nos perguntar isso, porque o que nos leva à experiência e ao conhecimento é a Palavra de Deus “mastigada”, “ruminada” e tão internalizada a ponto de não sabermos se é nosso conceito ou conceito de Deus, como viveu São Paulo: “Eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20a).
 
É essa a dinâmica do Coração transbordante de Jesus. “Olharão para aquele que transpassaram”, deixemo-nos atrair por esse Coração que é misericórdia, amor, perdão e doação.

Deus abençoe,

Padre Reginaldo Manzotti

Boletim do dia 01 de Julho 
Filhos e filhas,

Todo o mês de julho dedicamos ao Preciosíssimo Sangue e Nossa Senhora do Carmo, Madrinha da Obra Evangelizar é Preciso, dedicarei uma mensagem a essas devoções no tempo apropriado.

Hoje, quero dedicar esse texto a São Tomé, Apóstolo, e eu carinhosamente o chamo de Apóstolo das Santas Chagas celebrado pela Igreja dia 03 de julho. Ele é muito conhecido por ser o incrédulo, aquele que precisa “ver para crer”, mas esse fato que o torno famoso está em uma das passagens bíblicas que fundamenta a Devoção de Jesus das Santas Chagas, mais precisamente no Evangelho segundo São João, capítulo 20, versículos 24 a 29:

“Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Os outros discípulos disseram-lhe: Vimos o Senhor. Mas ele replicou-lhes: Se não vir nas suas mãos o sinal dos pregos, e não puser o meu dedo no lugar dos pregos, e não introduzir a minha mão no seu lado, não acreditarei!

Oito dias depois, estavam os seus discípulos outra vez no mesmo lugar e Tomé com eles. Estando trancadas as portas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse: A paz esteja convosco! Depois disse a Tomé: Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos. Põe a tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé. Respondeu-lhe Tomé: Meu Senhor e meu Deus! Disse-lhe Jesus: Creste, porque me viste. Felizes aqueles que creem sem ter visto!” (Jo 20,24-29).

Baseado nesse texto, Tomé somos eu e você. Tomé é todo aquele que carrega uma certa suspeita, uma indecisão, mas devemos sempre nos lembrar, antes da profissão de fé vem a dúvida: “nós vimos o Senhor” Tomé disse: “se eu não ver a marca dos pregos nas mãos de Jesus, se eu não colocar o dedo na marca dos pregos e se eu não colocar a minha mão no lado dele eu não acreditarei”.

Agora, frente a essa situação, como é a ação de Jesus, sempre movido pelo amor. Com as atitudes, ele diz: se isso for preciso, eu vou tirar a tua dúvida Tomé, se for preciso te dar esse sinal, eu atenderei o seu pedido. Jesus poderia ter ressuscitado sem marca nenhuma, mas quis manter as marcas da crucificação. Como escreve Santo Agostinho: “Cristo transpassado por nós e pregado com os cravos sobre a cruz, descido da cruz e sepultado, é a nossa salvação. Ele ressuscitou do sepulcro, curado dos ferimentos e mantendo as cicatrizes”.

Suas chagas gloriosas tornam-se para os discípulos, além da comprovação de que era o Mestre ressuscitado, também cura para a incredulidade, que o apóstolo Tomé teve a coragem de verbalizar, mas certamente, a dúvida deveria estar também no coração dos demais.

Tanto que outros santos da nossa Igreja falaram sobre essa grande profissão de fé, que faço questão de transcrever aqui

Santo Agostinho: “Jesus quis de fato ajudar seus discípulos ao manter suas cicatrizes, para curar nos seus corações as feridas da incredulidade”

Santo Ambrósio escreveu: “Quem duvida que seja verdadeiro o corpo carnal de Jesus, apresentado aos apóstolos para ser tocado, no qual permaneceram os sinais dos ferimentos e os traços das flagelações? Com isso não só nossa fé é fortalecida, mas se exalta também a devoção. Ele ao invés de apagar dos seus membros os ferimentos que recebeu por nós, quis levá-los ao céu para mostrar ao Pai o preço da nossa libertação. E é neste estado que o Pai o entroniza à sua direita, enaltecendo o troféu da nossa salvação”.

Pelas suas Chagas fomos curados, pela sua cruz fomos libertados.

Deus abençoe,

Padre Reginaldo Manzotti

Boletim do dia 08 de Julho

Filhos e filhas,


 

Nesta semana, no dia 11 de julho, celebramos São Bento, um dos santos mais queridos da Igreja e um poderoso intercessor contra as ciladas do mal. Sua vida nos ensina que, quando permanecemos firmes em Deus, nenhuma perseguição é capaz de destruir os planos que o Senhor tem para nós.


Nascido na cidade de Núrsia, Itália, São Bento viveu entre os anos de 480 e 547. Em 529, ele fundou o Mosteiro Monte Cassino, mas seu maior legado foi a Regra de São Bento, escrita por volta do ano 530. Mais do que um conjunto de normas para a vida monástica, ela é um verdadeiro caminho de santidade, que convida cada cristão a "ouvir com o coração" e a jamais perder a esperança na misericórdia de Deus.


Entre seus ensinamentos mais conhecidos está o lema "Ora et labora" ("Reza e trabalha"). Para São Bento, oração e trabalho caminham juntos. A oração fortalece a alma e dá sentido ao trabalho, enquanto o trabalho vivido com amor torna-se uma forma concreta de servir a Deus. Como ele mesmo ensinava, o Senhor espera diariamente a nossa resposta aos Seus ensinamentos, por meio de uma vida de fé, dedicação e compromisso com o bem.


São Bento também foi alvo de muitas intrigas, motivadas por inveja e também pela discordância em relação às suas regras. Numa primeira ocasião, tentaram matá-lo colocando veneno em seu cálice. Contudo, ao ser abençoado por São Bento, o cálice partiu-se em vários pedaços.


Numa segunda investida, ao constatarem sua popularidade e o êxito dos trabalhos por ele desenvolvidos, tentaram arruiná-lo com todo tipo de calúnias, mas fracassaram. Desesperados, enviaram a ele um alimento envenenado, o qual foi retirado de suas mãos por um corvo e assim, mais uma vez, foi salvo.


Infelizmente, a inveja continua presente em nossos dias. Ela não escolhe idade, condição social ou ambiente. Pode surgir dentro das famílias, no trabalho, nas amizades e até mesmo nas comunidades de fé. A inveja nasce quando o coração deixa de agradecer pelo que possui e passa a sofrer pelo bem que o outro recebeu.


A Palavra de Deus nos alerta: "Um coração tranquilo é a vida do corpo, enquanto a inveja é a cárie dos ossos" (Provérbios 14,30). Que imagem forte, filhos e filhas! Assim como a cárie corrói silenciosamente um dente, a inveja vai consumindo a alma pouco a pouco. Ela rouba a paz, alimenta comparações, gera ressentimentos e impede que a pessoa reconheça as próprias bênçãos.


É importante compreender que admirar as qualidades de alguém não é pecado. Pelo contrário! O problema começa quando a felicidade do outro passa a nos incomodar. Quando deixamos de agradecer pelos dons que Deus nos concedeu e desejamos possuir aquilo que pertence ao próximo, abrimos espaço para um sentimento destrutivo.
Os santos sempre ofereceram um caminho diferente. Santo Agostinho ensinava que a inveja pode ser transformada em admiração e inspiração. Em vez de entristecer-se com as conquistas do irmão, devemos agradecer a Deus pelos dons que Ele distribui e buscar desenvolver, com esforço e humildade, os talentos que também recebemos.


São João Crisóstomo foi ainda mais incisivo ao afirmar que o invejoso se torna prisioneiro do próprio coração. E isso nos faz refletir: quem alimenta esse sentimento sofre mais do que aquele que é alvo da inveja. A pessoa invejosa perde a capacidade de alegrar-se, de reconhecer o bem e de viver em paz.


Por isso, quando percebermos que esse sentimento tenta encontrar espaço em nossa vida, não devemos escondê-lo nem justificá-lo. Devemos levá-lo à oração. Peçamos ao Espírito Santo que purifique nosso coração e nos ensine a viver a gratidão, a generosidade e a confiança na providência divina.


Ao mesmo tempo, se nos sentirmos vítimas da inveja, não respondamos com ressentimento ou desejo de vingança. Façamos como Jesus nos ensinou: rezemos por aqueles que nos perseguem. Muitas vezes, por trás de atitudes hostis existe um coração ferido que também necessita da misericórdia de Deus.


Neste dia, convido você a recorrer à poderosa intercessão de São Bento, rezando e pedindo que: "A Cruz Sagrada seja a minha luz. Não seja o dragão meu guia." Que essa oração fortaleça nossa caminhada, afaste toda influência do mal e encha seu coração da verdadeira riqueza, que é viver em comunhão com Deus.


Que o Senhor nos conceda um coração capaz de alegrar-se com o bem do próximo, reconhecendo que cada bênção distribuída por Deus jamais diminui o amor que Ele tem por cada um de nós.

 

Deus abençoe,

Padre Reginaldo Manzotti

 

Boletim do dia 15 de Julho


Filhos e filhas,

 

Estamos próximos de celebrar a festa de Nossa Senhora do Carmo, madrinha da Obra Evangelizar. Falar dessa devoção mariana é algo profundamente pessoal para mim. É como tentar descrever o amor por minha própria mãe: sempre terei a impressão de que faltaram palavras para expressar tantos momentos de consolo, proteção e graças que recebi por sua intercessão. 

 

É a Nossa Senhora do Carmo que recorro todos os dias, rezando as três Ave-Marias e trazendo continuamente sobre o peito o Santo Escapulário. No dia da minha ordenação sacerdotal, consagrei meu ministério à sua proteção. Mais tarde, em um dos momentos mais difíceis da minha vida, quando minha irmã enfrentou uma enfermidade gravíssima, foi diante de Nossa Senhora do Carmo que derramei minhas lágrimas em oração. A graça da cura que ela recebeu atribuo, com gratidão, à misericórdia de Deus alcançada por sua poderosa intercessão. 

 

Ao longo do meu sacerdócio, também testemunhei inúmeras graças ao impor o Santo Escapulário durante a celebração do Sacramento da Unção dos Enfermos. São experiências que fortaleceram ainda mais minha confiança na materna proteção da Virgem do Carmo. 

 

Por isso, quando Deus inspirou em meu coração a criação da Obra Evangelizar é Preciso, não poderia ser diferente: Nossa Senhora do Carmo tornou-se sua madrinha. É sob seu manto que confiamos os associados, os projetos, os pedidos de oração e todas as intenções que diariamente chegam à Obra, certos de que ela as apresenta ao coração de seu Filho Jesus. 

 

A devoção a Nossa Senhora do Carmo remonta aos tempos das Cruzadas. Por volta do ano de 1155, alguns cristãos estabeleceram-se no Monte Carmelo, na Terra Santa, desejosos de viver uma vida de oração. Ali construíram uma capela dedicada à Virgem Maria, dando origem à comunidade que ficou conhecida como os Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo. 

 

Com o passar dos anos, a Ordem Carmelita recebeu o reconhecimento oficial da Igreja. Entretanto, enfrentou duras perseguições que ameaçaram sua existência. Foi nesse contexto que, em 16 de julho de 1251, Nossa Senhora apareceu a São Simão Stock e lhe entregou o Santo Escapulário como sinal de proteção, pronunciando uma promessa que atravessou os séculos: "Recebe este Escapulário, sinal da minha aliança, proteção nos perigos e garantia da minha especial assistência." 

 

Depois desse acontecimento, a perseguição diminuiu, a Ordem Carmelita floresceu e o Escapulário tornou-se um dos maiores símbolos da devoção mariana, recordando aos cristãos o compromisso de viverem unidos a Cristo, sob o olhar materno de Maria. 

 

Nos últimos instantes de sua vida na cruz, Jesus nos deixou um dos seus maiores presentes ao dizer: "Eis aí tua mãe." Receber Maria como Mãe é acolher esse testamento de amor do próprio Cristo. E viver a espiritualidade do Santo Escapulário é renovar, todos os dias, esse desejo de permanecer fiel ao Senhor, caminhando sob a proteção de Nossa Senhora do Carmo. 

 

Faço minhas as palavras de São Bernardo de Claraval, que expressam tão bem a confiança dos filhos de Maria: "Quem recorreu à vossa proteção não foi por vós desamparado." Que essa certeza fortaleça nossa fé e nos ajude a caminhar sempre mais perto de Jesus, pelas mãos daquela que jamais abandona seus filhos. 

 

Deus abençoe,

Padre Reginaldo Manzotti