06 de Janeiro de 2021
Filhos e filhas,
Feliz
2021! Que neste novo ano que se inicia, possamos ainda mais confiar em
Deus e superar desafios, na humildade e fraternidade.
É
o primeiro boletim do ano, é tempo de renovar as esperanças, fazer
novos planos, traçar metas em todas as áreas de nossa vida. Deus nos
reserva muitas graças e nos quer felizes, mas pelo livre arbítrio que
nos concedeu, tudo dependerá do nosso esforço pessoal e disciplina.
Sempre é possível avançar mais rumo àquilo que Deus pensou para nós e
Jesus veio revelar: uma vida plena e abundante.
A
Igreja sempre reconheceu e exaltou a importância da família para a
construção de uma sociedade equilibrada, justa e fraterna. São João
Paulo II a descrevia como a célula mãe da sociedade e a conclamava a ser
um santuário de amor, uma pequena Igreja doméstica.
A
família foi colocada à prova no ano de 2020, como também nos anos
anteriores. Mas, em particular, as famílias tiveram que, juntos,
aprender a conviver frente a uma nova realidade que exige tantos dos
pais, quanto dos filhos.
Por isso, sugiro algumas reflexões para que em 2021 toda família viva em harmonia e paz:
Perdoem-se sempre
O
perdão é o remédio para a cura espiritual do ser humano. O perdão
liberta e nos devolve a paz. Ao se perdoarem sobre algo que os magoou e
acertarem como devem agir, não toquem mais no assunto.
Mantenham o respeito
Busquem
focar a atenção naquilo que os une, nos pontos comuns. Rezem um pelo
outro e busquem seguir com o olhar para o mesmo horizonte. O sucesso ou o
fracasso da relação depende de quem faz parte dela, ou seja, do casal.
Não abandonem o barco antes de começarem a remar. Não desistam na
primeira dificuldade. Sejam persistentes e façam tudo o que puderem para
sempre reavivar a chama do sentimento que um dia fez com que quisessem
passar a vida inteira juntos.
Na vida de fé
Devemos dar graças ao Senhor e confiar a Ele nossas preocupações por meio de nossas orações, conforme São Paulo recomenda: “Não
vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias, apresentai a Deus
as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de
graças” (Fl 4, 6). O Espírito Santo, que ensina a Igreja e a faz recordar de tudo o que Jesus disse, também educa para a vida de fé.
Essas
são apenas algumas orientações em algumas áreas importantes da vida que
nos proporcionarão um ano melhor e uma vida mais feliz.
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti
27 de Janeiro
Filhos e filhas,
A
fé é um dom gratuito de Deus, oferecido a todos os homens, sem exceção.
Chamamos de dons infusos a fé, a esperança e a caridade.
A
fé é como uma semente. Quando nascemos, Deus planta em nós a semente da
fé e nós nascemos com esta semente. É uma semente em potencial, que
ainda não é ato, mas compete a nós darmos condições materiais para que a
fé cresça. Ou seja, a fé é dom de Deus que não nasce separadamente da
vontade humana, porque ninguém acredita se não quiser. Também ninguém
acredita sem que Deus o permita.
A
fé precisa ser estimulada, precisa ser exercitada e para isso, requer
algumas atitudes importantes. Podemos tomar como exemplo o dom de tocar
violão. A pessoa tem o dom mas precisa treinar, estudar e exercitar.
Para exercitar a fé precisamos ter caridade, pois a fé cresce na prática da caridade. Outro exercício fundamental é a vivência sacramental. Buscar os sacramentos da confissão e da comunhão, mesmo que não tenha vontade e não o faça por sentimento.
Santa
Teresa D’Ávila ensinava que quando se tem vontade de ir à missa, vai.
Mas, se no domingo seguinte não se tem, não se deve deixar de ir, porque
é justamente quando se vai sem ter vontade, que se vai pela fé. É o
mesmo com a oração: quando se reza sem vontade, sem prazer, se age pela
fé e o valor desta oração é dobrado. Não é uma questão de sentir prazer,
sentir vontade, é uma questão de atitude. Não podemos reduzir a fé ao
sensacionalismo, ao sentimento de estar com vontade ou não.
E por fim, mas não menos importante, quem deseja exercitar a fé deve realizar com constância a leitura da palavra de Deus.
A fé unida a inteligência e a razão voa com maior facilidade. Voltemos
ao exemplo do dom da música, se não exercitamos os dedos, a memória
auditiva e a habilidade, nós perdemos este dom, pois não o
desenvolvemos. Assim também é com a fé.
Gostaria de salientar que Jesus não menciona se há oração fraca ou forte, porém Jesus diz: “Tudo que pedirdes com fé na oração, vós o alcançareis” (Mt 21, 22). A fé, dom de Deus, deve crescer a cada dia em nós.
Grande
ou pequenina como um grão de mostarda, mas capaz de transportar
montanhas (Mt 17, 20), mais preciosa que o ouro segundo São Pedro (1Pd
1, 7) a fé exige uma verdadeira pessoal e intransferível experiência com
Jesus Cristo. Pessoal e intransferível porque cada discípulo terá que
fazer a sua.
A partir dessa experiência com Jesus Cristo, a fé nos compromete a realizar, momento a momento, o que Deus espera de nós.
“Fé é acreditar no que você não vê; a recompensa da fé é ver o que você acredita” (Santo Agostinho).
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti
17 de Fevereiro
Filhos e filhas,
Já
estamos na Quaresma e mais uma vez a Pandemia nos impõe muitas
penitências. E mesmo com todas as restrições, começou o tempo de
conversão, tempo favorável para um “voltar-se para Deus”. Começou a
caminhada para a Páscoa do Senhor.
Já
falando da Páscoa, padre? Explico. Ao comentar o salmo 148, Santo
Agostinho nos fala do mistério pascal de Cristo celebrado pela Igreja em
dois momentos pedagógicos. O primeiro é aquele que antecede a Páscoa e
que denominamos de Quaresma e Semana Santa. Já o segundo refere-se ao
mistério pascal da ressurreição e glorificação ao Senhor.
Tudo
que celebramos na Igreja está inserido no mistério Pascal,
principalmente a Quaresma. Num primeiro momento, somos chamados a
perceber um Cristo Senhor que enfrentou tribulações, tentações, traições
e por fim, a morte, dando-nos uma grande lição com sua obediência ao
Pai até as últimas consequências: a crucificação.
Tudo
na Quaresma está estabelecido para favorecer a conversão. Porém, não
entendamos conversão como mero fruto de nossa capacidade de autocrítica
ou de um sincero exame de consciência, mas sim como dom de Deus que vem a
nós por Cristo Jesus.
Nesse
sentido, todo esforço de viver intensamente a Quaresma através das
obras da penitência (jejum, oração e caridade) é para aperfeiçoar a
santidade já recebida no batismo. A Quaresma é um tempo muito forte para
todos nós, para purificação e iluminação. Tudo favorece a isso.
Observe os sinais externos
que a própria Igreja nos dá. Analise a abertura da Quaresma que é feita
na Quarta-feira de Cinzas, quando elas são colocadas na nossa cabeça
lembrando o próprio Cristo que nos pede “Convertei-vos e crede no Evangelho”, mesmo que nesse ano de uma forma diferente.
Atente para a cor roxa
com a qual os sacerdotes se vestem e são revestidos alguns altares, nas
flores e ornamentações, demonstrando a sobriedade que o tempo exige.
Perceba o silêncio dos Aleluias e Glórias
não entoados nas nossas assembleias litúrgicas, a espera de explodirem
com o Cristo, que vencerá a morte na madrugada da ressurreição.
Escute
atentamente a liturgia da palavra que, nos cinco domingos da Quaresma,
propicia um mergulho profundo nas águas do batismo, que brotam do
cordeiro imolado. Você já se deu conta que sempre no primeiro domingo da
Quaresma, a liturgia versa sobre a tentação de Jesus no deserto, como
exemplo para superarmos nossos próprios demônios?
Reze
a Via Sacra como exercício penitencial, colocando nossos pés nas
pegadas de nosso Senhor, que foi obediente ao Pai até o fim. Exalte a
cruz através da qual Cristo redimiu e salvou toda a humanidade.
Intensifique as obras da penitência quaresmal: o jejum, a oração e a
caridade.
Celebre com intensidade e profundidade o mistério pascal no tempo da Quaresma!
“Com Cristo quero viver, com Cristo quero sofrer para com Cristo Ressuscitar”.
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti
Boletim do dia 24 de Março
Filhos e filhas,
Na
próxima sexta-feira acontece a Live ‘Compromisso de Amor’ e, desde já,
eu te convido para acompanhar e participar! Nossa intenção é ajudar o
maior número de pessoas que conseguirmos. Por isso, peço que você
colabore fazendo a doação de alimentos durante a live. É nosso dever de
cristão estender a mão a quem precisa e alimentar os famintos.
Feito esse convite, quero abordar nesta mensagem um assunto muito necessário hoje em dia: o ato de PERDOAR.
O perdão deve acontecer, principalmente, por se tratar de um preceito
de Nosso Senhor. Não devemos perdoar por sermos movidos por amor,
complacência ou benevolência, mas sim porque foi isso que Jesus nos
pediu.
Quem
se fecha à graça do perdão fica preso ao passado, à dor, à magoa, à
raiva e às vezes até ao desejo de vingança, sentimentos tóxicos que
acabam bloqueando o futuro. Além disso, podem gerar doenças
psicossomáticas, pois reduzem a imunidade do organismo e abrem espaço
para as enfermidades oportunistas.
Há
também aqueles que acham difícil perdoar porque ainda não entenderam
que perdoar não se trata de desculpar, minimizar a ofensa sofrida e
fingir que nada aconteceu. Agir dessa forma significa mascarar o
problema, como colocar um curativo em cima de uma ferida que ainda
contém sujeira. Ela pode até aparentar estar cicatrizada, mas, por baixo
da casca, a infecção permanece. Insisto: a ferida precisa ser raspada e
sangrada para acontecer a cicatrização. Desculpar não é perdoar.
O
perdão só cura quando reconhecemos a dor, conversamos sobre a ofensa.
E, apesar de admitir ao outro que ele agiu mal e nos machucou,
escolhemos não alimentar a tristeza, não guardar ressentimentos e, em
Deus, perdoamos suas fraquezas e limitações. Quando se perdoa, não se
esquece. A memória do que passamos não se apaga e nem Deus pede façamos
isso. Mas, se no momento em que lembrarmos daquilo que nos fizeram
brotar o sentimento de mágoa ou dor, é sinal de que não houve perdão.
Quando perdoamos de fato, a lembrança daquilo que foi cometido contra
nós deixa de ter poder destrutivo e não desperta mais emoções negativas e
nos proporciona força para prosseguir. Já os que não trilham esse
caminho, tendem a se tornar agressivos e vingativos.
Jesus nos ensinou a rezar na Oração do Pai Nosso: “perdoai-nos, assim como perdoamos quem nos tem ofendido”. São Paulo também recomenda essa prática em sua carta aos Colossenses ao afirmar: “Suportem-se
uns aos outros e se perdoem mutuamente, sempre que tiverem queixa
contra alguém. Cada um perdoe o outro, do mesmo modo que o Senhor
perdoou vocês” (Cl 3,13). Jesus, na cruz nos dá o grande exemplo: “Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem”
(Lc 23,34). Não guardemos magoas, não fiquemos rancorosos, não azedemos
nossa alma, pois a ausência do perdão bloqueia até a oração
A
Quaresma é, por excelência, o tempo propício à conversão e
reconciliação com Deus. Por isso, se você guarda alguma mágoa, pequena
ou grande, aproveite esse tempo forte e faça a experiência do perdão.
Liberte-se para realmente viver a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus.
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti
Boletim do dia 31 de Março
Filhos e filhas,
“Antes
da festa da Páscoa, Jesus sabia que tinha chegado a sua hora. A hora de
passar deste mundo para o Pai. Ele, que tinha amado os seus que estavam
no mundo, amou-os até o fim”. (Jo 13,1)
Estamos
em plena Semana Santa, que se iniciou com o Domingo de Ramos. Mais uma
vez em plena Pandemia, o que nos leva a fazer dos nossos lares local de
celebração da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Nesta Quinta-feira
Santa, começaremos o Tríduo Pascal, que é o coração da liturgia cristã.
Jesus
Cristo, em sua vida e missão, assume e conduz à perfeição o que
prefigurava a Páscoa antiga. A memória do Êxodo, como passagem da
escravidão para a liberdade, encontra sua culminância na atitude de amor
e de serviço de Jesus Cristo.
Celebrar
o Tríduo Pascal é celebrar toda a história de nossa salvação. É viver
intensamente a memória da passagem de Jesus Cristo no meio de nós. Com
sua atitude de amor ao Pai e serviço aos irmãos, Jesus marca de uma
maneira decisiva a história da humanidade e inaugura uma nova maneira de
viver como irmãos e como filhos de um mesmo Pai.
Cremos
que ele é o Alfa e o Ômega, a revelação do Deus da Aliança e Sua vida e
a missão manifestam de forma perfeita o que é o amor e a fidelidade de
Deus.
A
cruz, escândalo aparente de um Deus que fracassa, torna-se o lugar
referencial de salvação para a humanidade. A morte foi vencida e o amor
tem a última palavra.
Fazer
a memória da Paixão, morte e ressurreição do Senhor Jesus com as
celebrações que nos propõe a Igreja é tornar-se contemporâneo desses
acontecimentos salvíficos. É para nós cristãos a memória de um
acontecimento fundador de nossa identidade cristã. É Ele o fundamento da
nossa fé e de nosso agir cristão.
Nós,
os seguidores de Jesus Cristo, somos os responsáveis por esta memória.
Mas, esta memória cristã é comprometedora, de tal maneira que o caminho
do servidor não é tranquilidade, mas sim luta, doação e serviço até as
últimas consequências, a exemplo de nosso Mestre e Senhor.
Assim,
para o discípulo seguidor de Jesus Cristo, a vida é um constante
caminhar em que Deus é a fonte e também a meta a se alcançar. Em Jesus
Cristo, o Pai já nos fez entrar, no que Ele nos prometeu e que será
plenamente manifestado quando da vinda de Seu filho na glória, como está
escrito na Carta aos Hebreus: “Não temos aqui a nossa pátria definitiva, mas buscamos a pátria futura” (Hb 13, 14).
Não
é ao paraíso perdido que nós sonhamos voltar. A Pátria que buscamos é a
cidade nova, a Jerusalém celeste. Ou seja, o Reino definitivo, a
Aliança plenamente realizada, objeto de nossa esperança cristã.
Se
somos Igreja que celebra o mistério da paixão, morte e ressurreição de
Jesus é porque cremos que para toda a humanidade hoje, apesar das
ameaças e da violência assustadora, Ele é a luz, a esperança e a Boa
Nova de salvação.
Procuremos
com todo o empenho preparar e viver bem a celebração do Tríduo Pascal,
para que possamos participar frutuosamente do Mistério da nossa
salvação, que culmina com a Celebração da Páscoa do Senhor.
O Domingo da Páscoa é como diz o Salmista: “O dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos!”. Por isso, nenhum cristão católico pode deixar de celebrar a Eucaristia neste dia.
É o dia do Povo de Deus fazer o grande eco: “Jesus ressuscitou! Ele está vivo! Alegrai-vos!”
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti
Boletim do dia 14 de Abril
Filhos e filhas,
Em
tempos difíceis, como este que estamos vivendo, o amor e cuidado com o
próximo devem ser intensificados. E o “próximo” não somos nós que
escolhemos, é a vida que nos interpõe. Ninguém pode escolher seu
“próximo”, é o momento que nos traz. Podemos estar saindo para comprar
pão e o “próximo” estar ali, entre a casa e a panificadora.
Foi
o próprio Jesus quem nos ensinou isso na Parábola do Bom Samaritano (Lc
10,30-37). O próximo se coloca em nossa vida como se colocou na vida do
sacerdote que virou as costas e foi embora, na vida do levita que
também passou e não se tocou até que chega o Bom Samaritano.
Quando
Jesus conta a Parábola, está falando que nós somos chamados a sermos
hoje Bons Samaritanos. Fico pensando naquele homem, que apanhou dos
ladrões e foi deixado, quase morto, e Jesus diz que o samaritano o levou
para a hospedaria. Jesus é o Bom Samaritano, é aquele que é capaz de
passar pelos caminhos e acolher aqueles que estão precisando de
misericórdia. Ele os leva para a hospedaria, que é seu coração.
Conforta-me pensar que Jesus age dessa forma, recolhendo aqueles que
caíram e se perderam, porque se não nos cuidarmos, nos perdemos.
Por
isso, quanto mais pudermos, sejamos misericordiosos. Perdoemos mais. Se
alguém nos fez alguma ofensa, perdoemos. Isso conta pontos no céu e
Deus agirá dessa forma conosco. Sempre fique com essa imagem: “Eu quero ser o Bom Samaritano”.
Jesus
viu a humanidade caída e compadeceu-se. Ele viu que o ser humano foi
assaltado, roubaram das pessoas a esperança, tiraram das pessoas a fé.
Os acontecimentos da vida minam, tiram, esfacelam a imagem de Deus em
nós e deixam-nos machucados e desfalecidos à beira do caminho. Mas,
podemos contar com a misericórdia divina, pois Jesus se tornou um de
nós. Ele desceu até nós e se encheu de compaixão.
Ele
levantou o gênero humano, assumindo nossas culpas e levando consigo
nossas dores. Ele nos tomou nos braços, derramou seu sangue para nos
lavar do pecado e nos ofereceu o óleo de seu Espírito. Nos carregou e
levou à hospedaria da casa do Pai, que é a Igreja. Jesus já pagou as
despesas na cruz, deu tudo o que tinha. Entregou as duas moedas de
prata, o sangue e a água que saíram de Seu Coração transpassado e disse:
Eu voltarei e tudo que a Igreja faz e tudo o que também nós
fizermos a mais para aqueles que estão caídos Ele restituirá em graças.
Tenho
observado como as pessoas realmente estão machucadas, como estão
precisando que ajamos como o bom samaritano. Há muitos feridos em nosso
caminho e não podemos passar por eles e desviar. Às vezes, nós somos
miseráveis também na ajuda ao próximo, o que a nossa direita faz a nossa
esquerda já cobrou faz tempo ou nossa língua fica contando para todo
mundo e vai se inflando nosso ego.
Se
hoje somos o Bom Samaritano para alguém, amanhã corremos o risco de
necessitarmos de alguém para nos acudir, pois podemos estar caídos pelas
frustrações e lambadas que levamos da vida. Ninguém está imune a isso.
Vamos ser sinceros, somos cobrados a cada instante. É uma cobrança atrás
da outra e se não nos cuidarmos, dormimos angustiados e acordamos
preocupados, porque a vida é assim.
Jesus
nos ensina que a compaixão é uma atitude tão profundamente humana
quanto divina. Por isso, deixemo-nos amar pelo Bom Samaritano e amemos
nosso próximo como Bom Samaritano.
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti
Boletim do dia 21 de Abril
Filhos e filhas,
A
vitória com Deus é certa! Temos essa certeza porque Jesus Ressuscitou,
venceu a morte e nos garantiu a vida eterna. Mas, para chegarmos até a
glória da ressurreição, é necessário também passar pela Cruz. Na Cruz
está a redenção e Jesus só ressuscitou porque morreu. Por isso, é
fundamental em nossa vida aceitarmos a cruz, na certeza de que com Deus a
vitória é certa.
O
caminho de Jesus passa pelo calvário e em nosso itinerário de
discípulos missionários de Cristo. Compreender as últimas frases de
Nosso Senhor Jesus é primordial. São João cita como sendo sete, mas em
particular a última é a confirmação e realização de tudo que Jesus
passou: “Tudo está consumado.” (Jo 19,28) Consumatum est,
tudo foi bem feito, tudo está completo. A última palavra de Jesus é
como a última observação que Deus faz no livro do Gênesis, quando tendo
criado tudo disse que tudo era bom (cf. Gn 1,31).
Consumatum est,
tudo foi feito para nossa salvação, para nossa redenção. Cristo não só
se esvaziou fisicamente, Ele se sente abandonado a ponto de gritar: “Meu Deus, meu Deus por que me abandonaste?”
(cf. Mt 27,46). Ele certamente buscou em Deus uma resposta e Ele cobriu
o mundo com as trevas. A mesma que cobria a Terra, narrada no livro do
Gênesis antes da criação do mundo. No 1º dia Deus fez a luz e Ele começa
a criar o mundo dizendo, faça-se a luz. Ele podia ter feito o homem,
mas Deus fez a luz (cf. Gn 1,1-3). E no primeiro dia da semana, no raiar
do sol, as mulheres foram ao túmulo e não encontraram Jesus. No 1º dia
da semana, Deus disse faça-se a luz e no primeiro dia da semana, Jesus
fez a luz nascer de novo para a humanidade.
A
ressurreição vai contra qualquer princípio humano, antropológico,
biológico e escatológico. Ele venceu o diabo, Ele venceu seus algozes,
Ele venceu o sepulcro e aqui reside a minha e a tua fé! Se você caminhar
até a Sexta-feira Santa ou Sábado Santo e parar por aí, tudo acabou,
pois a vitória de Jesus está no primeiro dia da semana. Cristo
ressuscitou, essa é a diferença!
Se
Jesus tivesse terminado num sepulcro eu não seria padre e você não
seria católico, porque morrer todo mundo vai e não tem glória nenhuma em
morrer. Se olharmos para os grandes imperadores, todos morreram e os
grandes impérios ruíram. Então, o que fez a diferença é o fato de Jesus
Cristo ter morrido na cruz? Também não! Pouco antes de Jesus morrer na
cruz, mais de seis mil judeus foram crucificados de Roma até a Judeia. O
que faz a diferença em Jesus Cristo é o fato de que foi o único que
morreu e voltou à vida. O sepulcro estava vazio, aqui tem algo de novo.
Na
nossa vida há uma única certeza: a certeza de que ninguém vai viver
eternamente na Sexta-feira Santa. Não se iluda, a maior parte da nossa
vida é peleja, é sofrimento, é tribulação. Todos têm dificuldades, mas a
diferença é a certeza da vitória, seja nessa ou na outra vida,
garantida por Cristo na Ressurreição. O poder do inimigo no homem foi
cruel, mas Aquele (Jesus) que foi obediente e humilde viu a mão de Deus,
que O ressuscitou.
Todos
nós que entendermos que não importa como, nem em que circunstâncias,
não importa em que silêncio ou a sensação de abandono, obedecer a Deus é
o melhor caminho para sermos vitoriosos. Tudo estava consumado e Jesus
foi vitorioso.
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti
Filhos e filhas,
Quando
as tribulações e sofrimentos são grandes, a intercessão é fundamental
para permanecermos firmes. Tenho recebido muitas partilhas dolorosas de
perdas e enfraquecimento da fé. E, nessas horas, a intercessão é um
apoio que não nos faz cair no desespero.
Interceder
é pedir algo em favor de uma outra pessoa. É colocar-se entre Deus e
alguém, rogando pela sua causa e necessidade, como São Tiago nos exorta a
fazer: “orai uns pelos outros para serdes curados. A oração do justo tem grande eficácia” (Tg 5,16). Na intercessão, aquele que reza “não procura seus próprios interesses, mas sobretudo dos outros” (Fl 2, 4), e reza mesmo por aqueles que lhe fazem mal (CIC 2635).
A
intercessão é uma oração de pedido que nos conforma com a oração de
Jesus. Ele é o único Intercessor junto do Pai em favor de todos os
homens, principalmente dos pecadores. Jesus Cristo, se coloca entre Deus
e os homens, como intercessor. No plano da salvação, Cristo se consagra
em favor da humanidade. Então, entre Deus e a humanidade, ali bem no
meio, está um intercessor que é Jesus.
A Carta aos Hebreus fala de Jesus depois da sua morte, ressurreição e ascensão: “Este,
porque vive para sempre, possui um sacerdócio eterno. É por isso que
lhe é possível levar a termo a salvação daqueles que por ele vão a Deus,
porque vive sempre para interceder em seu favor” (Hb 7, 24-25).
Assim
como no batismo, somos chamados a nos associarmos ao único intercessor,
que é Jesus. A missa, que é uma ação de graças, na verdade também é uma
intercessão. Jesus se coloca como “o consagrado”, aquele que se
entregou, para que a humanidade tivesse vida.
O
poder de interceder está expresso em diversas passagens das Sagradas
Escrituras. Na vida de Moisés, temos o exemplo da eficácia da
intercessão. Em várias ocasiões, Moisés eleva à Deus suplicas em favor
do povo e obtém de Deus o perdão para o povo, e, a mudança da sentença
que Deus já resolverá executar (Nm 14,13-21; Êx 32,11-14).
Os
Evangelhos apresentam mais exemplos de suplicas de intercessão
dirigidas a Jesus, como por exemplo nas Bodas de Cana (Jo 2, 1-11);
Jairo intercedendo pela família (Mc 5, 22-23); o oficial do Rei que
suplica pelo filho (Jo 4, 47-53); o Centurião intercedendo pelo seu
servo (Mt 8, 5-6); ainda podemos considerar como um ato de intercessão o
gesto dos quatro homens que trouxeram o paralítico e desceram seu leito
pelo telhado, fazendo-o chegar a Jesus (Mc 2, 3-4).
Sabemos
que o único intercessor entre Jesus e Deus é o próprio Jesus Cristo.
Mas, até chegar a Jesus os santos são os intercessores. Nossa Senhora é a
advogada, o próprio Jesus nos deu como mãe e intercessora.
Rezemos sempre um pelos outros, porque intercessão é carregar o outro, de joelhos dobrados.
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti
Boletim do dia 02 de Junho de 2021
Filhos e filhas,
“Tomai
e comei, isto é o Meu corpo. Tomai e bebei, todos vós, isto é o Meu
sangue. O sangue da aliança, que é derramado por muitos, para remissão
dos pecados” (Mt 26, 26-27)
Em
nenhum versículo da Sagrada Escritura, a Eucaristia é apresentada como
um mero “símbolo” do corpo de Cristo. Na verdade, nela está presente o
próprio Cristo: corpo, sangue, alma e divindade. Essa é a verdadeira
doutrina sobre a Eucaristia ensinada por Cristo e pelos apóstolos, até
porque se a Eucaristia fosse apenas um “símbolo”, uma “lembrança”, ela
não poderia se constituir num alimento para a vida eterna.
A
Eucaristia sempre foi considerada o “Sacramento da Igreja”, estando no
centro da vida paroquial e da comunidade que dela participa. Não se
edifica uma comunidade se esta não tiver sua raiz e seu centro na
Eucaristia, lembra o Concílio Vaticano II (Presbyterorum Ordinis 6).
Nosso
Senhor Jesus instituiu a Eucaristia na noite em que foi entregue aos
soldados romanos, enquanto ceava com os apóstolos. Inaugurou o rito
eucarístico, oferecendo aos apóstolos o sacramento do pão e do vinho,
Seu próprio corpo e sangue em comida e bebida, e mandando que fizessem o
mesmo em Sua memória. Portanto, delegou o poder de realização deste
sacramento até o Seu retorno.
São João Paulo II assim falou sobre a Eucaristia: “Debaixo
das aparências do pão e do vinho consagrados, permanece conosco o mesmo
Jesus dos Evangelhos, que os discípulos encontraram e seguiram, viram
crucificado e ressuscitado, cujas chagas Tomé tocou, prostrando-se em
adoração e exclamando: ‘Meu Senhor e meu Deus’”.
Desde
a Quinta-feira Santa de 2017, Deus tem colocado em meu coração uma
necessidade de valorizarmos ainda mais Jesus Sacramentado. Nós,
católicos, temos o privilégio de podermos adorar a Jesus. Mas, tenho
ressaltado que esse privilégio também nos dá a responsabilidade de
mostrar o real valor da Eucaristia.
Olhar
para Jesus no Sacramento do Altar é ter a consciência de que somos
amados por Deus e reconhecer os sinais desse amor presentes nos
acontecimentos da nossa vida, em todos os pontos e vírgulas da nossa
história.
Fazer
uma experiência da presença real de Jesus é também amá-Lo e verificar
se nosso coração está inteiro n’Ele ou dividido. É descobrir onde
deixamos cada pedaço do nosso coração e pedir que o Espírito Santo
revele qual parte dele não pertence ao Senhor.
É
deixarmo-nos forjar no fogo do Espírito Santo, para que os pedaços do
nosso coração sejam fundidos como uma única peça, uma única joia, a qual
não mais se separe em pedaços e pertença inteiramente ao Senhor, um
coração adorador.
Termino
essa mensagem com uma das orações ensinadas pelo anjo em Fátima, aos
três pastorinhos: Lúcia, Jacinta e Francisco, que creio ser próprio de
um coração adorador:
“Meu
Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço Vos perdão para os que
não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam.” Amém
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti
Boletim do dia 16 de Junho
Filhos e filhas,
Já
estamos no meio do ano de 2021, vivendo a mais de um ano um marco na
história. Essa época nos faz valorizar a fé que recebemos, seja da nossa
família ou de outra fonte. Devemos ser gratos, pois é agora que nossa
fé nos sustenta – e o encontro com Jesus nunca foi tão importante.
Um
encontro capaz de nos curar e transformar nossas vidas. O
relacionamento com Jesus cura a visão da nossa própria existência, que
acaba adquirindo um novo sentido. Quem faz essa experiência do
“encontro” fica tão preenchido de Jesus que não consegue reter só para
si a graça, a alma e o coração curado, que se torna um coração
evangelizador.
Jesus
não nos força a nada, não arromba nosso coração. Mas, quando damos pelo
menos uma brechinha, Ele entra lentamente em nossa vida e realiza
maravilhas. Quando percebemos, já não conseguiremos viver sem Ele, pois
todo nosso ser é tomado por Ele. E essa experiência do Seu amor e da Sua
presença é que nos leva à mudança.
Passamos
a querer imitar o Mestre, tentar agir como Ele, tentar ver as coisas e
as pessoas com o olhar semelhante ao Dele e vamos descobrindo o
verdadeiro sentido da nossa vida. Seguir Jesus requer autenticidade e
fidelidade, a Ele ninguém engana, pois Ele conhece os nossos pensamentos
e sentimentos. Quando pensamos em procurá-Lo, Ele já nos encontrou.
Só
encontramos nossa felicidade, nossa vida plena em Jesus Cristo. Não
adianta buscar em outro lugar ou pessoa. Santo Agostinho compreendeu
isto e lamentava: “Tarde Te amei... Eu poderia ter encontrado esta felicidade antes”.
Podemos encontrar Jesus e não ser mais um serviçal, ser como Ele mesmo
nos chamou “amigos”. Ninguém é servo de Jesus. Somos amigos e foi Ele
quem nos autorizou e confirmou esta amizade (cf. Jo 15,15). Essa
experiência pessoal com Jesus é fundamental e é essa experiência que
traz a alegria de Deus.
Você
já foi olhado por Jesus? Ou melhor, você já olhou nos olhos de Jesus,
quando está diante do Santíssimo? Isso é de um valor incomensurável, se
ajoelhar em frente do Sacrário e fazer como Santa Teresinha de Lisieux, “Jesus, tua menina chegou, tua menina está aqui”,
Não precisa rezar, somente se colocar sob o olhar de Jesus. Se sentir
vontade de chorar, chore. Se sentir vontade de cantar, cante. Se não
sentir vontade de fazer nada, não faça. Apenas saber que está sob o
olhar de Jesus basta.
Jesus
nos olha com amor (cf. Mc 10,21). Você já sentiu esse olhar de Jesus
que diz: “Eu te amo!”? Esse olhar de Jesus muda toda a nossa vida e nos
leva a uma experiência de amor tão grande que nos faz nos apaixonar por
Ele a ponto de afirmar: “Jesus é meu amado, é a razão da minha vida!”
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti
A Igreja celebra o nascimento de João como um
acontecimento sagrado, sendo o único santo cujo nascimento e martírio
são celebrados
No dia 24 de junho, festejamos a natividade de São
João Batista. João Batista, nome que significa “Deus é propício”, é o
precursor de Jesus, aquele que preparou os caminhos do Senhor. No tempo
litúrgico, João Batista nasceu cerca de seis meses antes de Jesus;
portanto a Festa de São João foi fixada no dia 24 de junho, seis meses
antes da véspera do Natal. A Igreja celebra o nascimento de João como um
acontecimento sagrado, sendo único santo cujo nascimento e martírio são
celebrados.
Filho de Zacarias e Isabel, prima de Maria, João
nasceu seis meses antes de Jesus. Em Lucas, é narrada a dificuldade que
Isabel viveu para gerar um filho, pois acreditava que era estéril. E a
idade avançada também era mais uma dificuldade. Mas essas dificuldades
não existem para o Nossa Senhor. Por isso, enviou o anjo Gabriel para
comunicar a seu esposo, Zacarias, que sua esposa teria um filho e que
ele seria o grande percursor de Messias. Zacarias duvidou e, por isso,
Gabriel lhe disse que ficaria mudo até que tudo fosse cumprido. Meses
depois, quando Maria recebeu o anúncio de que seria a Mãe do Salvador, a
Virgem foi ver sua prima Isabel e permaneceu ajudando-a até o
nascimento de São João.
São João e o batismo
João
Batista pregava um batismo de arrependimento para o perdão dos pecados.
Aqueles que reconheciam seus pecados e se arrependiam eram purificados
na água, praticando principalmente no Rio Jordão. Logo, foi questionado
pelos judeus quem era, pois alguns acreditavam que ele era o Messias.
João respondia prontamente, lembrando uma profecia de Isaías: “Eu sou a
voz que clama no deserto; endireitai o caminho do Senhor” (Jo 1, 23). Na
sequência, perguntaram a ele com que autoridade ele batizava o povo e
João afirmou “Eu batizo com água, mas, no meio de vós, está quem vós não
conheceis. Esse é quem vem depois de mim; e eu não sou digno de lhe
desatar a correia do calçado” (Jo 1, 26-27). Quando batizou Jesus
Cristo, disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”!
Em
suas pregações, não poupava críticas ao rei local, Herodes, Rei de Roma
na Peréia e na Galileia. Denunciava, principalmente, a vida adultera do
rei, pois este tinha se unido a Herodíades, sua cunhada. Passado um
tempo, Salomé, filha de Herodíades, dançou para Herodes. O rei ficou
deslumbrado com ela e disse que daria tudo o que lhe pedisse. Então, ela
influenciada pela mãe Herodíades pede a cabeça de São João Batista numa
bandeja. Herodes, assim o fez, como havia prometido diante dos
convivas. (Mar 6.14-29).
Rezemos a São João Batista:
São
João Batista, voz que clama no deserto: “Endireitai os caminhos do
Senhor. Fazei penitência, porque no meio de vós está quem vós não
conheceis e do qual eu não sou digno de desatar os cordões das
sandálias”, ajudai-me a fazer penitência das minhas faltas para que eu
me torne digno do perdão daquele que vós anunciastes com estas palavras:
“Eis o Cordeiro de Deus, eis aquele que tira o pecado do mundo”.
São João, pregador da penitência, rogai por nós.
São João, precursor do Messias, rogai por nós.
São João, alegria do povo, rogai por nós. Amém.
fonte: https://pt.aleteia.org/2021/06/22/sao-joao-o-precursor-de-jesus-cristo
BOLETIM DO DIA 07 DE JULHO
Filhos e filhas,
A Cruz Sagrada seja a minha luz, não seja o dragão meu guia. Retira-te satanás!
Nunca me aconselhes coisas vãs. É mau o que tu me ofereces, bebe tu mesmo o teu veneno!
Começo
esta mensagem com a oração de São Bento, devido à proximidade de sua
festa litúrgica. São Bento foi um homem que lutou bravamente contra o
mal. Ele é o fundador da ordem dos beneditinos que tem como lema "Ora et Labora", ou seja, "Reza e Trabalha".
São Gregório, no livro dos Diálogos, descreve São Bento como um homem
que recebeu o dom da sabedoria desde sua mais tenra idade e insiste
sobre um carisma que era peculiar a Bento: o discernimento dos
espíritos.
Durante
sua vida, utilizando-se de seu dom do discernimento, São Bento
encontrou três brechas por onde o Inimigo pode entrar em nosso coração,
lugares de maior fragilidade humana e espiritual. É nestas brechas que
precisamos de mais vigilância. Como uma casa assolada por goteiras, à
primeira vista não são encontradas rachaduras, mas basta uma chuvinha
para que o inconveniente se manifeste.
Primeira brecha: A COBIÇA
É
a idolatria das coisas. Por exemplo, fazer do dinheiro um deus. É o
apego às coisas da terra. São Bento coloca como símbolo desta brecha o
porco, pois seu focinho está sempre ligado ao chão. Nesta brecha a luta
acontece na reorientação dos desejos. É preciso conquistar uma atitude
de oblação, de generosidade e desapego.
Segunda brecha: A VAIDADE
É
a idolatria do outro como objeto de prazer. É a necessidade de ser
reconhecido e amado distorcida, pois esquece da relação de fraternidade
com o próximo e pensa apenas em si mesmo. É fazer tudo só pelo interesse
de ocupar o primeiro lugar, ser bem visto pelos outros, elogiado, ter
status, ser admirado. Aqui São Bento usa o símbolo do Pavão. É preciso
reorientar esta necessidade natural e boa de ser reconhecido e amado. É
dizer com sua vida e todo o seu coração: “Senhor, vosso é o Reino, o Poder e a Glória”. Se
na primeira brecha, a atitude de desapego era uma garantia de vitória,
nesta segunda brecha é necessário perseguir a atitude da solidariedade,
do diálogo, da comunhão com Deus e com próximo. Para isso, é fundamental
a mansidão e a simplicidade.
Terceira brecha: O ORGULHO
É
querer dominar tudo para si. Ser um verdadeiro deus. É a idolatria de
“si mesmo”. Aqui São Bento ilustra com o símbolo da águia. O orgulho é a
origem de todos os pecados. É pelo orgulho que o homem se separa de
Deus e procura sua independência. É necessário perseguir a virtude da
humildade. Na luta espiritual, às vezes Deus nos dá a graça da
humilhação como uma espécie de exercício para crescermos na humildade e
vencermos a brecha do orgulho.
As
lições de São Bento são muito atuais, uma vez que somos tentados todos
os dias. Muitos se deixam levar por uma falsa neutralidade, acreditando
ser possível “manter-se em cima do muro”, mas a verdade é que ou estamos
trabalhando para o Reino de Deus, ou estamos a serviço do reino de
Satanás. Que São Bento nos ajude nesse combate contra o mal.
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti
Boletim do dia 14 de Julho
Filhos e filhas,
Estamos
próximos da festa de Nossa Senhora do Carmo, Madrinha da Obra
Evangelizar é Preciso. Acredito fielmente que em Nossa Senhora do Carmo
aplica-se o que São Bernardo de Claraval testemunhou sobre Maria: “Quem recorreu à vossa proteção não foi por vós desamparado, Ó Clemente, Ó Poderosa, Ó sempre Virgem Maria”.
Seu
histórico narra que, na Idade Média, monges atuavam como cavaleiros
cruzados. Por volta de 1155, muitos deles, fatigados pelas batalhas
empreendidas para conquistar a Terra Santa, fixaram-se no chamado Monte
Carmelo, montanha na costa de Israel com vista para o Mar Mediterrâneo e
cujo nome significa “jardim” ou “campo fértil”. Desejosos de uma vida
autenticamente cristã, ali se estabeleceram e fundaram uma capela
dedicada à Virgem Maria, razão pela qual ficaram conhecidos como Irmãos
da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo.
Posteriormente,
em 1226, o Papa Honório III concedeu a aprovação oficial da Igreja à
Ordem fundada pelos monges carmelitas. Em 1235, os mouros voltaram à
Terra Santa e promoveram brutal perseguição contra os cristãos. Para
sobreviver, os monges separaram- se em dois grupos, cabendo a um deles a
missão de defender o mosteiro, mas acabaram mortos e sua morada foi
incendiada. O outro grupo dispersou-se em três regiões distintas:
Sicília, na Itália; Creta, na Grécia; e Aylesford, na Inglaterra. Nesta
última localidade, em 1238, chegaram a fundar um mosteiro, porém não
foram aceitos pelas autoridades eclesiásticas locais e enfrentaram a
ameaça de extinção.
Em
16 de julho de 1251, no Convento de Cambridge, durante oração feita a
Nossa Senhora pelo superior da Ordem, São Simão Stock, pedindo um sinal
de sua proteção que fosse visível aos inimigos, o Escapulário da Virgem
do Carmo foi entregue por Nossa Senhora com a seguinte promessa: “Recebe,
meu filho muito amado, este Escapulário de tua Ordem, sinal de meu
amor, privilégio para ti e para todos os carmelitas: quem com ele
morrer, não se perderá. Eis aqui um sinal da minha aliança, salvação nos
perigos, aliança de paz e de amor eterno”.
Após
essa aparição, a perseguição deixou de ocorrer e a Ordem tornou-se
conhecida em toda a Europa, atraindo muitos adeptos. O Escapulário, por
sua vez, foi incorporado aos objetos de uso corrente dos cristãos, como
sinal da manifestação do Amor da Virgem Maria e símbolo de vida cristã
dedicada a Deus.
Jesus, em seus últimos momentos de vida, nos dá aquilo que é mais precioso e nos deixa como testamento de amor: “Eis ai tua mãe”. Ser
devoto de Maria é tomar posse do presente de Jesus. Nos “agarrarmos” a
ela nos mantêm fiéis a Seu Filho Jesus, de modo particular sob o título
de Nossa Senhora do Carmo que traz o Santo Escapulário.
A
forma mais clássica de ver o Escapulário é como sendo um avental que se
usa quando está a serviço. Portanto, usar o Santo Escapulário, eu uso
desde os dez anos, é senti-lo toda vez que você passar a mão no peito e
lembrar que está a serviço de Nosso Senhor e Maria nos protegendo.
O
Escapulário tem o propósito em duas vias: uma, o nosso comprometimento
com Jesus por Maria, assim como ela foi a serva fiel também nós
trabalharemos pelo Reino de Seu Filho Jesus Cristo. Por outra via, é um
carinho de Maria para conosco. Na mesma disposição que temos em servir,
Ela tem para conosco e nos dá um pedaço do seu manto para nos proteger.
Nas horas em que nos sentimos desencorajados ela nos sustenta. Na hora
em que nos sentirmos abatidos, ela nos afaga. Na hora em que nos
sentirmos cansados, Ela será nosso descanso. É a Mãe a nos dizer: “Não desanimem porque a vitória vem depois da cruz”.
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti
Boletim do dia 21 de Julho de 2021
Filhos e filhas,
O
Papa Francisco instituiu o próximo domingo, dia 25 de julho, como o 1º
Dia Mundial dos Avós e dos Idosos. Verdade que no Brasil a data já era
comemorada no dia 26, em memória a São Joaquim e Sant’Ana, os pais de
Nossa Senhora e, por conseguinte, avós de Jesus. Por isso dedico essa
mensagem a esse tema e já começo com este ensinamento, da Carta de São
Paulo a Tito:
“Aconselhe igualmente os jovens, para que em tudo tenham bom senso” (Tt 2, 6).
Como
é edificante uma família que valoriza os avós, nesse caso, todos
ganham! As crianças são beneficiadas porque convivem com gerações
diferentes, aprendem a valorizar os idosos e mantêm o sentimento de
pertença familiar. Alguns estudos indicam até que a convivência com os
avós, fornece valores sólidos e apoio emocional aos netos.
Os
pais também são beneficiados porque pode contar com uma ajuda na
formação dos filhos. Quando os avós não têm a função de educar os netos,
e justamente por isso, fica mais fácil ser conselheiro, companheiro e
contribuir para o desenvolvimento deles. Não estou dizendo que os pais
não podem realizar tal tarefa, porém a responsabilidade diária exige uma
forma de tratamento diferente de quem ajuda temporariamente.
E
convenhamos, hoje em dia, é graças aos avós que as crianças são
iniciadas na fé, pois os pais estão demasiadamente preocupados e
ocupados no trabalho para garantir o melhor para os filhos. Não quero
generalizar, mas os pais não têm “tempo” para a educação espiritual dos
filhos. E aqui não posso deixar que lembrar que essa é uma
responsabilidade dos pais.
A
família é chamada por Deus a ser testemunha do amor e fraternidade,
colaboradora da obra da Criação. Seu papel é fundamental na formação dos
filhos, já que aos pais é dada a responsabilidade de formar pessoas
conscientes e cristãs. Eles são representantes legítimos de Deus perante
os filhos que devem ser conduzidos nos valores do Evangelho.
A Igreja sempre reconheceu e exaltou a importância da família para a construção de uma sociedade equilibrada, justa e fraterna.
São
João Paulo II, a descrevia como a célula mãe da sociedade e a
conclamava a ser um santuário de amor, uma pequena igreja doméstica. O
Papa Francisco nos ensina que “A família é um elemento essencial para
todo e qualquer progresso humano e social sustentável”.
E repito, feliz é a família que valoriza os avós, sejam idosos ou não, pois já nos ensina o livro dos Provérbios: “Os netos são a coroa dos anciãos, e os pais são a honra dos filhos” (Pr 17,6).
Jesus
fala de edificar a casa na rocha firme (cf. Mt 7,24-27), e a casa
edificada na rocha é uma família que pratica a Palavra, é temente a
Deus. O alicerce de nossa casa é a rocha e a única rocha é Jesus Cristo.
Muitas
vezes permitimos que os fundamentos de nossa família comecem a ruir
quando guardamos mágoas, dissabores, segredos; quando deixamos de rezar,
quando não percebemos que os corações estão se distanciando. Mas é
possível novamente fundamentar na rocha quando se volta a Deus. Voltar a
Deus é reedificar os alicerces da família.
Senhor, por intercessão de São Joaquim e Sant’Ana, rogais pelos idosos e amparai as famílias.
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti
Tenho
um grande amor por Nossa Senhora. Você que me acompanha a mais tempo,
sabe disso. E faço questão de celebrar e exaltar Nossa Senhora
Aparecida, pois sou fruto e testemunha viva do seu poder intercessor.
Nessa
mensagem destaco duas, entre tantas, virtudes de Nossa Senhora que
creio mais inspiram o povo brasileiro: a ESPERANÇA e a FORTALEZA.
Maria é modelo da perfeita Esperança.
Demonstrou isso desde sua juventude, quando ardentemente desejou a
vinda do Messias. Depois, ao guardar o segredo da filiação divina de
Jesus, esperançosa de que José a compreenderia assim que o próprio Deus
lhe explicasse.
Teve
esperança em Deus quando precisou fugir para o Egito e salvar o Menino
Jesus do extermínio imposto por Herodes aos recém-nascidos (Mt 2,
13-14), e novamente durante as Bodas de Caná, ao pedir para fazerem o
que Jesus dissesse (Jo 2,5).
Imitar
a esperança de Maria é esperar em Deus, é não se desesperar nem
desanimar diante das dificuldades e sofrimentos. Mas, como Ela, voltar
para Deus na oração, com a convicção de que Ele nos ajudará e só quer o
nosso bem.
Maria nos ensina a Fortaleza
quando, ao ver todo o sofrimento do seu Filho, manteve-se firme, de é
junto à cruz (Jo 19,25), acompanhando-O em todas as suas provações. Essa
presença silenciosa de Maria, na hora da dor, que devemos ter como
exemplo em nossa vida.
Às
vezes, quando nos deparamos com pessoas que estão sofrendo, por doença
ou acidente e pelas quais já não podemos fazer mais nada, não
encontramos palavras que confortem. Contudo, mesmo sem verbalizar, nossa
presença é de grande ajuda, pois aquele que sofre sabe estar
acompanhado em seu calvário.
Maria
entendeu isso e, diante da cruz, não pronunciou uma palavra sequer.
Pelos Evangelhos sabemos que Jesus falou, enquanto Maria permaneceu de
pé, forte, perseverante. Não precisa estar escrito para sabermos que seu
coração dizia: “Estou aqui, filho, estou ao Teu lado”.
Certamente,
não é fácil. Muitas vezes, dá até vontade de “dormir hoje e acordar
apenas quando tudo passar”, como se diz popularmente. Mas, o exemplo de
Maria nos ensina a perseverar, nos mantendo firme em meio a pequenos e
grandes sofrimentos.
São
muitas virtudes que Maria tem, inúmeras, mas nessa semana da padroeira
do Brasil, destaco essas duas, para que seja inspiração para o povo
brasileiro. E pedindo a intercessão da Mãe, que tenhamos esperança de
dias melhores para nossa nação e fortaleza para, juntos, construir um
país justo e fraterno.
Que Deus, por intercessão de Nossa Senhora, abençoe a todos nós. Amém
Padre Reginaldo Manzotti
Boletim do dia 11 de Agosto de 2021
Filhos e filhas,
Somos
convidados nessa semana a voltar as atenções para a família. Aqui em
nosso país, estamos em plena Semana Nacional da Família, que tem como
tema a “A alegria do amor na família”, em sintonia com a
vivência do Ano Família Amoris Laetitia, convocado pelo Papa Francisco.
Como lema, foi escolhido um trecho do livro do Eclesiástico “Dá e recebe, e alegra a ti mesmo” (Eclo 14, 1).
E
na família, o amor se traduz em gestos concretos, principalmente na
relação entre o casal. O relacionamento entre marido e mulher é um
conjunto de sentimentos, gestos e ações que precisam ser bem trabalhados
senão o amor pode acabar.
Em
várias partilhas que ouço, percebo que o que mais machuca duas pessoas
envolvidas numa relação e que vai arranhando o amor, matando o
companheirismo e acabando com a convivência é a desconsideração. Isto é,
não valorizar as qualidades e apontar sempre os defeitos do outro.
Quando
a desconsideração se torna crônica, provavelmente o casal chegou perto
da dissolução, porque o ser humano não suporta viver numa relação em que
nunca é valorizado. Por isso, ressalto que a valorização do outro
precisa acontecer no dia a dia do relacionamento. Não uma valorização
extraordinária, num momento especial ou em datas especiais, mas no
cotidiano, porque é aí que a relação vai se enfraquecendo.
Ninguém
se casa para ser infeliz, carregando o peso de uma relação que, às
vezes se torna até doentia, abusiva, onde não há momentos de alegria, de
prazer, não há cumplicidade. Filhos e filhas, o casamento é para que um
faça o outro feliz! E para isso, devemos sempre reservar o nosso melhor
para a família.
Jesus
fala de edificar a casa na rocha firme (cf. Mt 7,24-27). A casa
edificada na rocha é uma família que pratica a Palavra, é temente a
Deus. E eu e minha casa serviremos ao Senhor, está dizendo que
praticaremos a vontade de Deus. Seremos tementes a Deus. O alicerce de
nossa casa é a rocha e a única rocha é Jesus Cristo.
Muitas
vezes, permitimos que os fundamentos de nossa família comecem a ruir
quando guardamos mágoas, dissabores, segredos; quando deixamos de rezar,
quando não percebemos que os corações estão se distanciando. Mas é
possível fundamentar mais uma vez na rocha quando se volta a Deus.
Voltar a Deus é reedificar os alicerces da família. “Eu e minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24,15) deveria ser o lema das famílias.
A
Igreja é muito feliz em nos propor uma Semana da Família, de
intensificar as orações pela família. Tenho falado em meus programas que
nessa semana temos que levantar nossas mãos, assim como Moisés, e
interceder pela família. Carente de muitas orações e atenção.
Em sua homilia do Encontro das Famílias, o Papa Francisco assim falou: “O
verdadeiro vínculo é sempre com o Senhor. Todas as famílias têm
necessidade de Deus: todas, todas! Necessidade da Sua ajuda, da Sua
força, da Sua bênção, da Sua misericórdia, do Seu perdão. E requer
simplicidade. Para rezar em família requer simplicidade! Quando a
família reza unida, o vínculo torna-se mais forte”.
Vale a pena investir na família, ela traz alegria e realização a todos nós.
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti
Boletim do dia 22 de Setembro de 2021
Filhos e filhas,
Estamos
nos aproximando do dia de São Pio de Pietrelcina, celebrado neste dia
23. Um santo moderno, pois faz pouco mais de 20 anos que foi canonizado e
ainda temos muito o que aprender com ele. Nesta mensagem, quero
destacar a intimidade dele com Deus. São Pio desde de criança deixou-se
atrair por Deus e ao longo da vida foi estreitando os laços, tornando-se
um santo.
Quem
dera se nós também, um dia, tenhamos tamanha intimidade com Deus, assim
como São Pio. Mas primeiro, filhos e filhas, precisamos nos encontrar
com Ele, pois só encontramos nossa felicidade e nossa vida plena em
Jesus Cristo, não adianta buscar em outro lugar ou pessoa.
Podemos
encontrar Jesus e não ser mais um serviçal, ser como Ele mesmo nos
chamou “amigos”. Ninguém é servo de Jesus. Somos amigos e foi Ele quem
nos autorizou e confirmou esta amizade (cf. Jo 15,15). Essa experiência
pessoal com Jesus é fundamental, é essa experiência que traz a alegria
de Deus.
Lembremos de Natanael (cf. Jo 1,43-51): “Eu te vi embaixo da figueir. Isso
é lindo demais, esse olhar de Jesus, que é profundo. Basta esse olhar
para transformar corações. Como Natanael podemos nos perguntar: De onde
Jesus me conhece? A resposta de Jesus certamente será: “Eu te vejo,
eu te conheço antes que você me conhecesse, eu te encontrei antes mesmo
de você me encontrar, eu te amei antes de você me amar!”
Você
já foi olhado por Jesus? Ou melhor, você já olhou nos olhos de Jesus,
quando está diante do Santíssimo? Isso é de um valor incomensurável, se
ajoelhar em frente do Sacrário e fazer como Santa Teresinha de Lisieux, “Jesus, tua menina chegou, tua menina está aqui”,
não precisa nem rezar, somente se colocar sob o olhar de Jesus. Se
sentir vontade de chorar, chore. Se sentir vontade de cantar, cante. Se
não sentir vontade de fazer nada, não faça. Apenas saber que está sob o
olhar de Jesus basta.
Jesus nos olha com amor (cf. Mc 10,21). Você já sentiu esse olhar de Jesus que diz: “Eu te amo!”?
Esse olhar de Jesus muda toda a nossa vida e nos leva a uma experiência
de amor tão grande que nos faz nos apaixonar por Ele a ponto de
afirmar: “Jesus é meu amado, é a razão da minha vida!”
Com certeza, São Pio, sentiu esse olhar de Jesus. Por isso, rezava aquela oração que rezo e até fiz questão de cantar, Fica Senhor Comigo. Convido a acessar as plataformas digitais, ouvir e rezar essa lindíssima oração:
Fica Senhor comigo, pois preciso da tua presença para não te esquecer.
Sabes quão facilmente posso te abandonar.
Fica Senhor comigo, porque sou fraco e preciso da tua força para não cair.
Fica Senhor comigo, porque és minha vida, e sem ti perco o fervor.
Fica Senhor comigo, porque és minha luz, e sem ti reina a escuridão.
Fica Senhor comigo, para me mostrar tua vontade.
Fica Senhor comigo, para que ouça tua voz e te siga.
Fica Senhor comigo, pois desejo amar-te e permanecer sempre em tua companhia.
Fica Senhor comigo, se queres que te seja fiel.
Fica
Senhor comigo, porque, por mais pobre que seja minha alma, quero que se
transforme num lugar de consolação para ti, um ninho de amor.
Fica
comigo, Jesus, pois se faz tarde e o dia chega ao fim; a vida passa, e a
morte, o julgamento e a eternidade se aproximam. Preciso de ti para
renovar minhas energias e não parar no caminho. Está ficando tarde, a
morte avança e eu tenho medo da escuridão, das tentações, da falta de
fé, da cruz, das tristezas. Oh, quanto preciso de ti, meu Jesus, nesta
noite de exílio.
Fica
comigo nesta noite, Jesus, pois ao longo da vida, com todos os seus
perigos, eu preciso de ti. Faze, Senhor, que te reconheça como te
reconheceram teus discípulos ao partir do pão, a fim de que a Comunhão
Eucarística seja a luz a dissipar a escuridão, a força a me sustentar, a
única alegria do meu coração.
Fica comigo, Senhor, porque na hora da morte quero estar unido a ti, se não pela Comunhão, ao menos pela graça e pelo amor.
Fica
comigo, Jesus. Não peço consolações divinas, porque não as mereço, mas
apenas o presente da tua presença, ah, isso sim te suplico!
Fica
Senhor comigo, pois é só a ti que procuro, teu amor, tua graça, tua
vontade, teu coração, teu Espírito, porque te amo, e a única recompensa
que te peço é poder amar-te sempre mais. Com este amor resoluto desejo
amar-te de todo o coração enquanto estiver na terra, para continuar a te
amar perfeitamente por toda a eternidade.
Amém.
São Pio de Pietrelcina, rogai por nós!
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti
Boletim do dia 10 de Novembro de 2021
Filhos e filhas,
Um
dos ensinamentos mais desafiadores que Jesus nos deixou foi o perdão.
Muitas são as passagens nos Evangelhos que Jesus nos exorta a isso, em
uma específica, ele nos diz que devemos perdoar várias vezes no mesmo
dia: “Se ele (o teu irmão) pecar contra ti sete vezes num só dia, e
sete vezes vier a ti, dizendo: ‘Estou arrependido’, tu deves perdoá-lo” (Lc 17,4).
Imagine
a situação: em um único dia, uma pessoa te ofende muitas vezes e vem,
arrependida, pedir perdão, ainda assim devemos perdoá-la? Sim, filhos e
filhas, lembrando que perdoar não é só sentimento, não é apenas uma
questão emocional, mas é decisão, vontade. Perdoar é libertar-se, não é
mágica, é vontade e muita decisão.
Tanto que na oração que Jesus nos ensinou, o Pai Nosso, a sexta e a sétima petições são relacionadas a esse tema: “Perdoai as nossas ofensas”,
essa parte tudo bem, Jesus deveria ter parado por aí, Ele teria
proclamado a misericórdia de Deus, mas o grande problema foi que
continuou a oração “assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.
Volto
a citar, em muitas parábolas Jesus ensina o sentido do perdão, como a
do funcionário que foi perdoado pelo rei numa grande quantia e esse
quando encontra um companheiro que lhe deve uma quantia ínfima, não o
perdoa (cf. Mt 18,21-35).
Jesus
falou muito da necessidade de perdoar sempre e nos deu o exemplo. Rezar
e perdoar, na verdade, requer de nós um exame de confiança permanente.
Quem eu ainda não perdoei? Quem ainda me falta perdoar? Quando rezamos o
Pai Nosso, colocamos para Deus algo extremamente perigoso, porque
estamos dizendo: “Pai, eu acredito na Vossa misericórdia, mas me perdoe na mesma proporção que eu perdoo”.
Interessante
que nós podemos ver nisso uma armadilha e um aprendizado. Nós sabemos
que Deus perdoa, mas só conseguiremos ser perdoados por Ele na medida em
que perdoarmos os nossos irmãos. Por isso, muitas vezes, confessamos
mais de uma vez e não conseguimos sentir o perdão de Deus, porque
provavelmente perdoamos pouco.
Quem
muito ama, muito perdoa. Portanto, quanto mais perdoarmos, mais o
perdão de Deus sentiremos. Quanto mais perdoamos, mais o amor de Deus
sentiremos. Um coração que se entrega ao Espírito Santo, um coração de
filho que realmente reza ao Pai, consegue ter três atitudes que ninguém
consegue a não ser pela fé: compaixão, purificar a memória e transformar
a ofensa em intercessão.
Então, a petição “assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”
quer dizer perdoar a ponto daquilo que era mágoa, ferida,
transformar-se em compaixão. Com este espírito de filho do Pai
misericordioso conseguimos a purificação da memória, daquela lembrança
dolorida, os registros negativos e traumas são purificados. A partir do
momento que perdoamos e temos nossa memória purificada, o que era motivo
de sofrimento transforma-se em motivo de intercessão, em oração por
aquela pessoa.
Então
peçamos, filhos e filhas, que o perdão cure os ressentimentos para que
sejamos livres para amar a Deus e ao próximo, superando as desavenças e
vivendo em paz e harmonia. Façamos um exame de consciência, rastreando
quais os pecados que Deus nos mostra e peçamos perdão, rezando ao
Senhor:
"Senhor, permito que trabalhes em mim.
Coloco-me como barro em Tuas mãos.
Permito, Senhor, que mexas em mim.
Aceito a presença do Teu Espírito Santo.
Dá-me, Senhor, a clareza das minhas feridas.
Dá-me, Senhor, a clareza das minhas amarguras.
Creio que vieste trazer vida em plenitude, dá-me esta vida.
Reconstrói-me Senhor, refaz-me no Teu amor.
Aceito ser trabalhado.
Aceito passar por essa transformação.
Quero, Senhor, sobre mim, Teu perdão.
Aceito esse bálsamo que cura.
Quero este bálsamo que vai cicatrizar minhas feridas.
Hoje, Senhor, me apropriarei da graça do perdão.
Hoje, Senhor, com a Tua graça, eu quero perdoar.
Perdoo aqueles que me feriram.
Sim, Senhor, porque me amaste primeiro, eu posso perdoar!
Hoje, Senhor, quero me libertar das mágoas.
Hoje, Senhor, quero buscar a felicidade.
Quero, preciso e, com a Tua graça, Senhor, conseguirei.
Amém."
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti
Boletim do dia 17 de Novembro de 2021
Filhos e filhas,
No
próximo domingo, encerrando o ano litúrgico, a Igreja celebra a Festa
de Cristo Rei. Lançar um olhar sobre a imagem de Cristo padecente na
cruz, pobre, obediente, resignado e sobre a imagem de Cristo Rei é
contrastante.
Tiraram
a coroa de espinhos e colocaram uma coroa do mundo. Tiraram o cajado de
pastor e colocaram um cetro de poder. Engano da Igreja? Não. Jesus é o
Rei do Universo. Sua autoridade não se origina de um poder que oprime,
mas do amor e do serviço. Cristo é Rei na Cruz, é Rei glorificado.
Ele
conquistou a realeza pelo humilde serviço, assumindo nossa humanidade e
se entregando na cruz para nos remir da maldição do pecado, como nos
ensina São Paulo:
“Sendo
Ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus,
mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e
assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como
homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e
morte de cruz! Por isso, Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o
nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus se
dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos. E toda língua
confesse, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é o Senhor” (Fl 2,6-11).
A
festa de Cristo Rei nos recorda que devemos permitir que Cristo reine
em nossos corações e em nossas vidas, de lutarmos para que o Seu Reino
seja instaurado desde agora no mundo. Jesus tenta nos explicar o que é
esse Reino, usando várias comparações:
“O
Reino dos céus é comparado a um grão de mostarda que um homem toma e
semeia em seu campo. É esta a menor de todas as sementes, mas, quando
cresce, torna-se um arbusto maior que todas as hortaliças, de sorte que
os pássaros vêm aninhar-se em seus ramos” (Mt 13,31-32).
“O
Reino dos céus é comparado ao fermento que uma mulher toma e mistura em
três medidas de farinha e que faz fermentar toda a massa” (Mt 13,33).
“O
Reino dos céus é também semelhante a um tesouro escondido num campo. Um
homem o encontra, mas o esconde de novo. E, cheio de alegria, vai,
vende tudo o que tem para comprar aquele campo” (Mt 13,44).
“O
Reino dos céus é ainda semelhante a um negociante que procura pérolas
preciosas. Encontrando uma de grande valor, vai, vende tudo o que possui
e a compra” (Mt 13,45-46).
Nestas
comparações vemos como vale a pena lutar para instaurar o Reino de
Deus. Mas como vivê-lo e antecipá-lo? Vivendo as obras de misericórdia,
nós anteciparemos o Reino, com coisas muito mais simples do que
pensamos. Imaginamos uma revolução total do mundo, mas isso não se fará
com canhões, nem com bomba atômica, mas com a revolução da consciência
humana, dos anseios do ser humano.
Jesus
Rei do Universo tem o mundo em suas mãos, mas o ser humano nas suas
opções, por não acreditar no Reino, não está cuidando bem esse mundo.
Ele nos deu para que o administrássemos. E para bem administrar,
proclamemos o senhorio de Jesus consentindo que Ele reine em nossas
vidas, praticando o amor, o direito e a justiça.
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti
Boletim do dia 08 de Dezembro de 2021
Filhos e filhas,
Ave, ave sempre Virgem Santa Maria,
Mãe do verdadeiro Deus, Senhor do Céu, Senhor da Terra
És o templo do Deus vivo, és do Amor revelação
Ouve Mãe nosso lamento, és auxílio e compaixão
Nada me entristeça, nada me preocupe se estou no teu olhar
Doce mãe de Guadalupe
As
aparições da Virgem Maria que firam oficializadas pela Igreja sempre
deixaram profundas marcas na história, na alma e no coração dos fiéis.
Em alguns casos, deixaram provas contundentes, como ocorreu em Tepeyac,
noroeste da Cidade do México, no século XVI.
Na
tilma do índio Juan Diego, Maria fez estampar sua imagem
milagrosamente. E, ainda hoje, essa peça de vestuário permanece sem
sinais de deterioração. O fenômeno desafia a ciência e seus
pesquisadores, que são unânimes em afirmar: o manto de Guadalupe, que se
encontra exposto na basílica de mesmo nome, no México, é de natureza
divina.
A
Mãe de Guadalupe, Padroeira das Américas, título dado por São João
Paulo II em 1979, é digna de verdadeiros tratados também no que se
refere a aspectos sociais, políticos e religiosos. Não por acaso, fez
questão de manifestar-se a um índio por meio do rosto de uma jovem
morena com traços europeus, sendo a mão direita mais branca que a
esquerda, além de outros elementos evidentes de sua intenção de pôr fim
ao separatismo e reforçar a importância da solidariedade entre os povos e
culturas.
Devoto-me
à Mãe de Guadalupe por ter escolhido como um dos primeiros sinais de
sua maternidade a cura do tio moribundo de Juan Diego e empenho-me em
propagá-la como intercessora dos doentes. Tão irrefutáveis sãos os
testemunhos de graças recebidas nesse sentido.
Devoto-me
à Mãe de Guadalupe por utilizar como sinal de sua manifestação as
rosas, levadas como prova ao bispo daquela localidade. Apesar de
impróprias para o lugar e o clima no momento da aparição, ainda assim o
topo da montanha estava repleto de rosas perfumadas e umedecidas pelo
orvalho, para que nossa obediência a seu amado Filho Jesus exale como
perfume de santidade.
Para
aqueles que duvidam da aparição de Maria em Guadalupe, a Virgem
impôs-se num manto para ser lembrada. Quem tem olhos veja, pois o que se
vê é suficiente para ter fé!
Por
isso, nesta semana mariana, quando celebramos a Imaculada Conceição de
Maria e Nossa Senhora de Guadalupe, peçamos que a Mãe nos envolva em seu
manto.
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti
Bolettim do dia 29 de Dezembro de 2021
Filhos e filhas,
Estamos
na oitava do Natal, ou seja, ainda estamos vivendo a alegria do
nascimento do nosso Redentor. Deus vem ao encontro do seu povo, como
profetizou Isaías: “Nasceu para nós um menino, um filho nos foi
dado: sobre o seu ombro está o manto real, e ele se chama Conselheiro
Maravilhoso, Deus Forte, Pai para sempre, Príncipe da Paz. Grande será o
seu domínio, e a paz não terá fim” (Is 9,5-6a).
Nessa
semana da virada, rezamos e pedimos ao Deus Menino que a paz não tenha
fim em nosso lar e nosso coração. Porém, a paz não é apenas ausência de
guerras. Claro que precisamos de paz nas ruas, paz entre as nações.
Todos os dias nos chegam enxurradas de notícias de conflito entre povos,
guerrilhas, brigas, violência no trânsito, violência de todo tipo, a
vida humana não está valendo mais nada.
Mas
nesta mensagem, me refiro especialmente à paz interior. Na ânsia pela
paz muitos, na virada do ano, se vestirão de branco e farão simpatias;
procurando a paz onde jamais a encontrarão, porque a paz que o mundo nos
oferece é ilusória, é passageira. A verdadeira paz começa a existir do
nosso encontro pessoal com Jesus, o ‘Príncipe da Paz’.
Ela
brota dentro de cada um de nós, para depois exteriorizar-se, manifestar
e se expandir em casa, na família, no ambiente de trabalho, nas ruas,
nas cidades e no mundo.
Ninguém
é santo, ninguém é perfeito. Amamos e odiamos, erramos e acertamos,
cometemos gestos bons e maus. A nossa fragilidade humana é marcada pelo
pecado. Mas, Deus nos amou tanto que se compadeceu de nós, em Jesus
assumiu nossa humanidade, assemelhou-se a nós em tudo, menos no pecado.
E, porque Jesus veio a nós a paz tornou-se possível. Ele nos disse: “Eu
deixo para vocês a paz, eu lhes dou a minha paz. A paz que eu dou para
vocês não é a paz que o mundo dá. Não fiquem perturbados, nem tenham
medo” (Jo 14,27).
O
medo é um dos inimigos da paz, porque nos leva à insegurança, à
desconfiança, a nos armarmos contra aqueles que pensamos ser ameaça para
nós. Não digo que estejamos com armas de fogo, também não me refiro só à
agressão física, fazemos de nossa língua uma arma mortal, espalhando
fofoca e maledicência, “puxando o tapete”, mentindo e intimidando.
A
língua pode ter uma força de agressão violenta. Por isso, ao nos deixar
a paz, Jesus nos recomendou que não tivéssemos medo. Por isso também,
em seguida, Ele nos mandou amar-nos uns aos outros (cf. Jo 15,17). O
medo separa, desequilibra e desune; o amor atrai, congrega, dá segurança
e traz a paz.
A
mentira é outra inimiga da paz. A pessoa que pratica o mal não gosta de
ver as coisas à luz da verdade, se esconde. Por isso quem faz o mal não
gosta da luz. E Jesus é luz e quem caminha no mal, quem é mentiroso,
desonesto, quem busca o pecado não quer a luz, prefere as trevas, as
sombras, prefere fazer as coisas na surdina, nas fofocas, intrigas e
promovendo as discórdias.
Se
não temos paz, além de não sermos felizes, deixamos os que estão
próximos a nós infelizes, porque a luz irradia, mas o mal também
irradia. Então, nessa semana da virada, escolhamos irradiar a luz, o
bem.
É o que desejo a todos para 2022, que possamos irradiar a luz de Jesus para todos que andam nas trevas.
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti