Hoje a Igreja celebra a memória da devoção do Santíssimo Nome de Maria.
Como era costume entre os judeus, oito dias depois da Virgem Santíssima
nascer, os seus pais deram-Lhe, inspirados por Deus, o nome de Maria. A
liturgia, que celebra o Santíssimo Nome de Jesus poucos dias depois do
Natal, instituiu esta festa ao Santo Nome de Maria dentro da Oitava da
sua Natividade (celebrada 8 de setembro). A Espanha, por aprovação do
Romano Pontífice, concedida em 1513, foi a primeira a celebrar esta
festa. Inocêncio XI, em 1683, estendeu-a à Igreja Universal, em ação de
graças pela vitória alcançada por João Sobieski, rei da Polônia, sobre
os turcos que tinham cercado Viena e ameaçavam o Ocidente.
“Este nome tem mais virtude do que todos os nomes dos
Santos para confortar os débeis, curar os enfermos, iluminar os cegos,
abrandar os corações endurecidos, fortificar os que combatem, dar ânimo
aos cansados e derrubar o poderio dos demônios”
A este nome, o perdão desce infalivelmente sobre as almas pecadoras,
não porque tenha Ela o direito de concedê-lo, mas porque é onipotente
para implorá-lo. O nome de Maria abre o coração de Deus e põe todos os
seus tesouros à disposição da alma que o invoca.
A Sagrada Escritura sempre valorizou muito o nome dos personagens do
povo de Deus. O próprio nome de Jesus indica a sua identidade: “Deus
salva”, e o Anjo Gabriel o deu a Maria e a José: “Ela dará à luz um
filho a quem tú porás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos
seus pecados” (Mt 1, 21).
Certamente, devemos concluir que o santo nome da Virgem Maria não foi
dado sem um sentido, e certamente foi dado por Deus por inspiração a
seus pais Santa Ana e São Joaquim. E o Arcanjo Gabriel pronuncia o seu
nome: “Não temas Maria, porque achaste graça diante do Senhor” (Lc
1,30).
Segundo os etimologistas, o nome Maria pode ter vindo da raiz mery,
da língua egípcia que significa mui amada. Outros dizem que provém do
siríaco e quer dizer senhora. Mas, a probabilidade maior é a que veio do
hebraico, e pode ter vários significados: “Estrela do Mar; Esperança;
Excelsa; ou Sublime”, entre outros.
Não importa, contudo, o real significado, mas o que se tornou a
partir do momento que a Mãe do Redentor o recebeu. Poderoso é este nome
que deve ser invocado sempre.
ORAÇÃO
Deus de bondade infinita, cujo Filho Unigênito, ao morrer na
cruz, nos quis dar como nossa Mãe a Virgem Santa Maria, que Ele
escolhera para sua Mãe, fazei que, pela invocação do seu nome, sintamos o
auxílio da sua materna proteção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso
Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amém.
“O nome de Maria, que significa Senhora da luz, indica que Deus me
encheu de sabedoria e luz, como astros brilhantes, para iluminar os céus
e a terra”, disse a Virgem à Santa Matilde.
Este
fato, no qual a Mãe de Deus revela o significado de seu nome para a
santa, foi recolhido por São Luís Maria Grignion de Montfort, grande
propagador da devoção mariana, no livro “O Segredo do Rosário”.
No Novo Testamento, foi o Evangelista Lucas quem deu o nome da donzela que seria a Mãe do Salvador: “… O nome da virgem era Maria” (Lc 1, 27).
É
por isso que, desde os primeiros cristãos até nossos dias, foi honrada
com toda classe de títulos, porque o “nome” representa a “pessoa”, assim
como nos diz o Catecismo da Igreja Católica (2158):
“O nome de todo homem é sagrado. O nome é a imagem da pessoa. Exige respeito em sinal da dignidade do que o leva”.
Eis,
então, uma das tantas razões desta importante festa, que foi instituída
com o propósito de que os fiéis encomendem a Deus, através da
intercessão da Santa Mãe, as necessidades da Igreja, agradeçam por seu amparo e seus inumeráveis benefícios, em especial os que recebem pelas graças e a mediação da Virgem Maria.
A
celebração desta festa foi autorizada pela primeira vez em 1513, na
cidade espanhola de Cuenca, de onde se estendeu por toda a Espanha. Em
1683, o Papa Inocêncio XI a admitiu na Igreja do Ocidente como ação de graças pela vitória sobre os turcos na Batalha de Viena.
Coração de Maria, concebido sem pecado, Rogai por nós.
Coração de Maria, cheio de graça,
Coração de Maria, bendito entre todos os corações,
Coração de Maria, sacrário da Santíssima Trindade,
Coração de Maria, semelhantíssimo ao Coração de Jesus,
Coração de Maria, no qual Jesus bem se compraz,
Coração de Maria, abismo de humildade,
Coração de Maria, trono de misericórdia,
Coração de Maria, incêndio de amor divino,
Coração de Maria, oceano de bondade,
Coração de Maria, prodígio de pureza e de inocência,
Coração de Maria, espelho de todas as perfeições divinas,
Coração de Maria, no qual foi formado o Sangue de Jesus, preço de nossa redenção,
Coração de Maria, que apressastes por vossos desejos a salvação do mundo,
Coração de Maria, que obtendes graças para os pecadores,
Coração de Maria, que conservais fidelissimamente as palavras e as ações de Jesus,
Coração de Maria, transpassado por um gládio de dor,
Coração de Maria, acabrunhado de aflição durante a Paixão de Jesus Cristo,
Coração de Maria, pregado à Cruz com Jesus crucificado,
Coração de Maria, sepultado pela dor com Jesus morto,
Coração de Maria, restituído à alegria pela Ressurreição de Jesus,
Coração de Maria, inundado de inefável consolação na Ascensão de Jesus,
Coração de Maria, cumulado de uma nova plenitude de graças na descida do Espírito Santo,
Coração de Maria, consolação dos aflitos,
Coração de Maria, refúgio dos pecadores,
Coração de Maria, esperança e doce sustentáculo daqueles que vos veneram,
Coração de Maria, socorro dos agonizantes,
Coração de Maria, alegria dos Anjos e dos Santos,
.
V/Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo,
R/ Perdoai-nos, Senhor.
.
V/ Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo,
R/ Atendei-nos, Senhor.
.
V/ Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo,
R/ Tende piedade de nós.
.
V/ Maria Imaculada, mansa e humilde de coração,
R/ Fazei meu coração semelhante ao Coração de Jesus.
.
Oremos:
Deus clementíssimo, que para salvação dos pecadores e alívio dos
desvalidos quisestes que o Imaculado Coração da Bem-Aventurada Virgem
Maria fosse idêntico em caridade e misericórdia ao Divino Coração de seu
Filho Jesus Cristo,.
Concedei-nos,
a nós que celebramos esse dulcíssimo e amantíssimo Coração, a graça de –
pelos méritos e intercessão da mesma Bem-Aventurada Virgem – nos
tomarmos conformes ao Coração de Jesus..
Por Cristo Nosso Senhor. Amém..
AS
NOVES AVES MARIAS Ato de contrição: "Prostrados em vossa
presença, Oh! adorável Trindade!, vos bendigo e dou graças pelo inefável
mistério da Encarnação no ventre da mais pura das virgens, vitima propicia da
Divina Justiça pelo mundo pecador, eis aqui ao mais ingrato dos pecadores, que
confundido e envergonhado reconhece vosso amor infinito e ardentíssima
caridade, vos adora, bendiz e glorifica a vos que desde o ventre puríssimo de
Maria vos entregastes a padecimentos, desprezos e vexações, sendo inocente e
ainda vos fixais em mim com olhos de misericórdia, em mim, o mais indigno de
vosso perdão, por haver ultrajado vossa santidade e grandeza a troca dos
inumeráveis benefícios que me haveis prodigiado.
Oh! Salvador que a redimir-me tirastes da
escravidão do demônio! Pai que, esquecendo minhas loucuras e extravios, me
busca, me chama e oferece em troca de tanta ingratidão: Amor e bem-aventurança
eterna.
Pequei e me pesa na alma haver-vos ofendido.
Aumentai, Deus meu, meu arrependimento e dai-me
a força eficaz para odiar o pecado e perseverar em vosso santo serviço até o
fim de minha vida. Amém.
Oferecimento: "Vos oferecemos estas nove
Ave-Marias. Oh! castíssima Virgem e Mãe de Deus !, em memória de vossa gloriosa
maternidade e por todas as virtudes com que o Altíssimo adornou vossa alma, vos
rogo não olheis em mim a miséria e indignidade que me revestem, atendei somente
ao honrosíssimo título de Mãe de Deus, titulo que, enchendo-nos de regozijo e
consolo, nos infunde a esperança de que na hora final, esquecendo-se de nossas
ingratidões, somente recordarás que como Mãe do Salvador, quem em sua agonia
vos fez depositaria de sua misericórdia para que a tivesses com os pecadores,
nessa tremenda hora, vos pedimos a useis conosco, Lembrai-vos em ela, que
suplicantes imploraremos vossa assistência, cuja memória nos bastará, pois
sabemos que nunca quem vosso auxilio implora será desamparado e assim confio em
obter a graça de receber em meu peito a vosso Divino menino Jesus Sacramentado,
graça que será o sinal de meu perdão e prenda segura da vida eterna.
Amém".
Rezar a ladainha da Santíssima Virgem, que se
encerra com a seguinte oração:
"Sob vosso amparo nos acolhemos, Oh! Santa
Mãe de Deus não desprezeis nossas suplicas nas necessidades; antes livrai-nos
dos perigos, Oh! Virgem gloriosa e bendita! rogai por nós, Santa Mãe de Deus,
para que sejamos dignos de alcançar as promessas de nosso Senhor Jesus Cristo.
Amém."
Se reza a oração que corresponda, precedendo as
nove Ave-Marias.
Primeira
Jornada:
Virgem Maria, que, por cumprir o mandato de um
soberano da terra, obrigada vos vistes a partir em companhia de vosso castíssimo
esposo José de Nazaré a Belém, atendendo ao edito do César, de que se
apresentasse toda pessoa residente em seu império, e dizer o lugar de origem
para futuros tributos que deveriam pagar, por vosso exemplo, humildíssima
Rainha, vos rogo reanimeis minha fé para que também, submisso e obediente,
possa cumprir com o mandato de nosso Soberano do céu. Amém”.
Segunda Jornada:
" Oh! Virgem Santíssima, assim como vós
sofrestes os rigores da intempérie levando em vosso ventre virginal ao Divino
Jesus feito homem, eu, adorando-vos e venerando-vos, vos rogo me ensineis a
suportar misérias e incomodidades, desprezos e pobrezas, e que minha esperança
se robusteça para seguir vossos passos nas jornadas da virtude. Amém.
Terceira Jornada:
" Oh! Rainha dos anjos, comunicai a minha
alma, Oh! Imaculada Conceição!, a fortaleza com que suportastes as penalidades
de vossa terceira jornada levando por toda companhia a vosso esposo, José, e
aos anjos celestiais que, em coro, cantavam e bendiziam ao filho de vossas
puríssimas entranhas, para que convosco possa eu continuar minha peregrinação
nesta terra. Amém"
Quarta Jornada:
" Oh! Mãe minha! assim como vós suportastes
miséria, vexações e desdenhosas negativas quando sem desanimar pousada
imploravas nesta jornada, transmiti-nos, Oh! Virgem Santíssima, essa mesma
submissão e humildade vossa, para que a minha alma não tentem as vaidades do
mundo e que meu coração só dê albergue ao amor puro, piedoso e singelo perante
vossa Sagrada família. Amém".
Quinta Jornada:
" Oh, Cândida paloma Mãe e Rainha
celestial, que a vossa chegada a Belém, em busca de alojamento, pressurosa vos
empenhastes a cumprir o mandato que ai vos levava, com este exemplo de
submissão que me dais, ensinai-me no caminho da obediência também e sujeitai-me
a vontade de vosso filho para que se vigore meu espírito e avive o fogo de meu
amor e não deixeis, Mãe minha, que vacile minha fé.Amém".
Sexta Jornada:
" Rainha soberana!, que suportastes as
duras fatigas de tão cruel jornada de Nazaré a Belém, de porta em porta pedindo
pousada, que todos vos negavam sem haver encontrado humilde asilo por fim, por
que não ei de suportar eu penalidades da vida para alcançar a graça de ir pelo
caminho da virtude e conseguir contemplar-vos eternamente na Glória?
Amém".
Sétima Jornada:
" Rosa Mística!, e puríssima de aroma
celestial que nesta jornada, a falta de albergue, com abnegação inefável,
submissa aceitastes por asilo a solicita oferta de vosso santo esposo, que
somente conduzir-vos podia a uma gruta, morada e refugio eventual de pastores
que ai, com seus rebanhos, se guarneciam contra chuvas e inclemências do tempo.
Vós que tudo isto suportastes, dai-me paciência
para suportar amarguras terrenas. Amém".
Oitava Jornada:
" Oh! Santíssima Virgem, Oh! Rainha
Imaculada, se aproxima o feliz momento em que, com resignação sem igual, dareis
a luz ao Redentor do mundo, considerai que, apesar do sofrimento, ainda
solicita ajudastes a vosso amante esposo a limpar de imundícias o lugar que nem
para animais era digno, façais Virgem Santa que possa alcançar a eterna ventura
de ser digno servo vosso. Amém".
Nona Jornada:
"Por fim, Mãe gloriosa, chegou o ansiado
momento em que destes a luz ao menino mais lindo, sábio e adorável, cuja
presença o estábulo embelezou.
Castíssimo Patriarca que, achando-vos a seus
pés, celebrais a glória com os Hosanas de anjos, arcanjos e querubins e em todo
o orbe cristão e com o jubilo de milhões de fiéis que lhe adoram e cantam
"Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade",
e ainda os animais se aproximam lentamente a dar calor com seu alento ao
desnudo corpinho de nosso Redentor.
Suma a aurora do cristianismo, a luz divina que
exalta ao fraco e oprimido, igualando ao rico com o mendigo.
Oh! Maria, por este feliz momento em que
recebestes a homenagem dos humildes, vos pedimos com a mesma humildade que nos
ajudeis com a vontade de vosso Divino Filho. Amém".
São Clemente Maria Hofbauer nasceu
no dia 26 de dezembro de 1751, em Tasswitz, na República Tcheca. Era o
nono de doze filhos nascidos do casal Maria e Paulo Hofbauer. No
Batismo, recebeu o nome de João. Mais tarde, quando eremita, recebe o nome de Clemente. Pensou na carreira militar, como a de seu irmão. Mas foi a meta do sacerdócio que finalmente sobrepujou a carreira militar. Todavia, sendo de família pobre, Clemente tinha poucas chances de ir para um seminário ou entrar para uma ordem religiosa.
A devoção de São Clemente à Santíssima Virgem Maria
A devoção à Santíssima Virgem era um ponto atacado e combatido naqueles tempos de frieza religiosa e jansenismo detestável.
Até
teólogos que se diziam católicos, julgavam dever impugnar o culto de
Maria Santíssima. O Rosário era desconhecido em bastante centros
católicos de sorte que em Viena se tinha em conta de curiosidade o fato
de que na igreja de Santa Úrsula havia um padre que benzia Terços e
Rosários.
São
Clemente era um digno fiolho espiritual de Santo Afonso Maria de
Ligório, o dedicado cantor e defensor acérrimo das Glórias de Maria, e
por isso não podia deixar de consagrar à Virgem Maria um amor terno e
filial. O divino Mestre afirmou que a boca fala ex abundantia cordis,
daquilo que enche o coração; para São Clemente, o decantar no púlpito e
nas palestras familiares as Glórias da Mãe de Deus, era uma das maiores
alegrias e consolações da sua alma.
No púlpito, quando discorria sobre algum mistério da vida de Nossa
Senhora, tornava-se excepcionalmente eloqüente e as palavras jorravam
fáceis dos seus lábios: era o filho amoroso que enaltecia os encômios de
sua Mãe. A
Imaculada Conceição, as Sete Dores de Maria e, sobretudo o mistério da
Anunciação, em que veneramos conjuntamente a encarnação do Verbo e a
maternidade da Virgem, eram o objeto de sua mais terna devoção desde os
dias de sua infância, e o assunto predileto dos seus eloqüentes sermões.
Dificilmente passava-lhe despercebido o toque do “Ângelus” de manhã, ao
meio dia e à tarde; onde quer que se achasse, punha-se de joelhos e com
devoção e amor saudava sua Rainha e Mãe.
A
exemplo de Sto. Afonso nutria uma devoção toda especial para com a
Virgem sob o título do Bom Conselho, de cujas luzes tanto necessitava
naqueles tempos turbulentos; e a Virgem diversas vezes deu mostras de
que aceitava os obséquios do seu devoto Servo, guiando-o, qual estrela
indeficiente através dos escolhos e abrolhos da vida tempestuosa do seu
século.
Começou a estudar latim na casa
paroquial quando tinha quatorze anos. Incapaz de prosseguir os estudos
eclesiásticos, teve que aprender um ofício. Foi mandado como aprendiz a
uma padaria em 1767. Em 1770 foi trabalhar na padaria do mosteiro
premonstratense Klosterbruck.
Em 1771, uma viagem à Itália levou Clemente a Tívoli. Aí decidiu fazer-se eremita no santuário de Nossa Senhora de Quintiliolo e pediu ao bispo local o hábito de eremita. Foi aí que recebeu o nome de Clemente Maria. Manteve para a vida o hábito da oração e do trabalho.
Voltou ao mosteiro para de novo ser padeiro e recomeçar o estudo do latim. Embora tivesse completado os estudos de Filosofia em 1776, não pode ir adiante. Não era o tipo de vida que queria. Não era apostolado.
Voltou para casa e viveu dois anos como eremita em Mühlfrauen. Por insistência da mãe, deixou o eremitério para de novo tornar-se padeiro. Desta vez, conseguiu um emprego numa famosa padaria de Viena, onde encontrou duas senhoras distintas que pagaram seus estudos.
Aos 29 anos, entrou para a Universidade de Viena. Ali ficou frustrado com os cursos das matérias eclesiásticas, cheios de racionalismo e de outras doutrinas nada católicas.
Durante uma peregrinação à Itália em
1784, Clemente e seu companheiro de viagem, Tadeu Hübl, decidiram entrar
numa comunidade religiosa. Os dois foram aceitos no noviciado redentorista de São Julião, em Roma. Na
festa de São José, 19 de março de 1785, Clemente e Tadeu tornaram-se
redentoristas, professando os votos de pobreza, castidade e obediência.
Dez dias depois foram ordenados sacerdotes.
Poucos meses após a ordenação, os dois redentoristas estrangeiros foram convocados pelo seu Superior Geral, Pe. De Paola. Receberam a missão de voltar à Áustria e estabelecer a Congregação Redentorista. Era uma nomeação difícil e insólita para dois homens recém-ordenados. Para Afonso, essa difusão da Congregação além dos Alpes era uma prova segura de que os Redentoristas iriam perdurar até o fim dos tempos.
Varsóvia e São Beno
A situação política não permitiu a
Clemente permanecer no seu próprio país. O imperador austríaco que tinha
fechado mais de mil mosteiros e conventos, não permitiria que uma nova
ordem religiosa fizesse uma fundação. Sabendo disto, os dois
redentoristas foram para a Polônia. Em fevereiro de 1787 eles chegaram a
Varsóvia, cidade de 124.000 habitantes. Embora houvesse lá 160 igrejas e
mais 20 mosteiros e conventos na cidade, pode-se dizer que era quase
uma favela sem Deus. A população era pobre e mal educada, morando em
casas mal conservadas. Muitos tinham passado do Catolicismo para à
maçonaria.
A Polônia vivia uma grande turbulência
política quando da chegada de Clemente em 1787. O rei Estanislau II era
virtualmente um fantoche nas mãos de Catarina II da Rússia. Anos antes,
em 1772, tinha ocorrido a primeira divisão do país - Áustria, Rússia e
Prússia dividiram a presa. Divisão semelhante haveria de suceder de novo
em 1793 e pela terceira vez em 1795. Napoleão e seu grande exército
conquistador em marcha através da Europa haveria de aumentar a tensão
política. Durante os vinte anos que Clemente passou em Varsóvia quase
não teve um momento de paz.
Em Viena encontraram Pedro Kunzmann, um
colega padeiro e com ele eremita na Itália. Ele se tornou o primeiro
irmão redentorista fora da Itália. Chegaram a Varsóvia sem um centavo.
Encontraram-se com o Delegado Apostólico, o Arcebispo Saluzzo, que lhes
confiou a Igreja de São Beno para o trabalho com os de língua alemã.
Iniciou um trabalho com os órfãos. Quando o número de meninos foi demasiado para a sua casa, Clemente inaugurou o Refúgio Menino Jesus. Para dar comida e roupa aos garotos, tinha de pedir esmola.
No começo, quando os Redentoristas
abriram a igreja, havia pouca gente. O povo tinha muitas coisas que os
afastavam de Deus, e achavam difícil confiar naqueles padres
estrangeiros. Com o tempo, São Beno se tornou o centro florescente da
Igreja em Varsóvia.
Em 1791, quarto ano depois da sua
chegada, os Redentoristas ampliaram a casa dos meninos. Abriram um
internato para meninas, posto sob a direção de algumas nobres senhoras
de Varsóvia. O dinheiro para financiar tudo isso provinha de alguns
benfeitores, mas Clemente ainda precisava mendigar à procura de ajuda
para os seus muitos órfãos.
Na igreja, Clemente com seu grupo de cinco padres e três irmãos redentoristas, começaram o que chamaram de missão perpétua.
Quem fosse a São Beno em qualquer dia poderia ouvir sermões em alemão e
em polonês. Os padres estavam disponíveis para atender confissões a
qualquer hora do dia e da noite.
Em 1800 o crescimento era visível não só
no trabalho na igreja mas também na comunidade redentorista. O número
de Redentoristas trabalhando em São Beno era de 21 padres e 7 irmãos.
Havia também cinco noviços e quatro seminaristas poloneses.
Reprodução.
Todo esse trabalho era feito em
condições nada favoráveis. As batalhas chegaram a Varsóvia durante a
Semana Santa de 1794. Os Redentoristas, como todo morador da cidade,
sentiram sua vida em perigo constante. Três bombas atravessaram o teto
da igreja mas não explodiram. Na ocasião das batalhas, Clemente e seus
companheiros pregavam a paz. Isto apenas serviu para aumentar os gritos
de protesto contra os Redentoristas, considerados traidores.
Quase desde o princípio, foram atacados
de dois lados. Politicamente eram estrangeiros. Outro tipo de ataque era
ainda mais doloroso. Um ataque pessoal, da parte de pessoas que
deixaram a Igreja para se tornarem maçons. Encontravam-se nos seus
grupos secretos para tramar contra os católicos, prejudicar os
sacerdotes, impedir o culto público e fechar as igrejas.
Os Redentoristas tinham sempre de ficar
atentos às emboscadas. Seus inimigos ficavam à espreita para atingi-los
com pedras ou bater-lhes com varas. Certa vez alguém deu um pernil
envenenado aos padres. Quatro deles morreram intoxicados. Foi uma
terrível tragédia para Clemente. Providencialmente, quatro jovens
entraram na comunidade pouco depois deste incidente.
Ainda mais doloroso para Clemente foi
perder seu colega e grande amigo Pe. Tadeu. Tadeu recebeu um falso
chamado para um doente. Muitas horas depois foi lançado para fora de uma
carruagem em grande velocidade, depois de ter sido torturado e moído de
pancadas. Alguns dias depois morreu em decorrência da agressão.
Clemente ficou profundamente contristado com a morte do amigo.
Os ataques continuaram. Os Redentoristas
passaram a ser alvo de zombarias nos teatros. Os padres poloneses do
lugar chegaram a tentar deter o trabalho feito pelos Redentoristas.
Depois de vinte anos edificando a fé do povo de Varsóvia, eram atacados,
assaltados e atormentados. Em 1806 foi promulgada uma lei proibindo os
sacerdotes locais de convidar os Redentoristas para pregar missões em
suas paróquias. Veio depois uma lei que impedia os Redentoristas de
pregar e de ouvir confissões na sua própria igreja de São Beno.
Diante disto, Clemente apelou
diretamente ao Rei da Saxônia que governava a Polônia na época. Embora
soubesse do bem que os Redentoristas estavam fazendo, ele era impotente
para deter os maçons que queriam ver os Redentoristas fora da Polônia. O
decreto de expulsão foi assinado dia 9 de junho de 1808. Onze dias
depois, a igreja de São Beno era fechada e os quarenta Redentoristas lá
residentes foram levados para a prisão, onde ficaram quatro semanas, até
lhes ser dada ordem de voltar cada qual para seu país.
Viena: um novo começo
Em setembro de 1808, depois de exilado
da Polônia, Clemente chegou a Viena. Lá ficaria até a morte, quase treze
anos depois. Em 1809, quando as forças de Napoleão atacaram Viena,
Clemente trabalhava como capelão de um hospital, cuidando dos muitos
soldados feridos. O arcebispo, vendo o seu zelo, pediu-lhe que cuidasse
de uma pequena igreja italiana na cidade de Viena. Aí permaneceu quatro
anos, até ser nomeado capelão das irmãs ursulinas em julho de 1813
Cuidando do bem-estar espiritual das
irmãs e dos leigos que frequentavam sua capela, a verdadeira santidade
de Clemente manifestou-se ainda mais claramente. Naquele altar a sua
devoção revelava-o como homem de fé. No púlpito falava as palavras que o
povo precisava ouvir. Pregava de tal modo que pudessem conhecer os
pecados deles, experimentar a bondade de Deus e viver suas vidas
conforme a vontade divina.
Reprodução. São Clemente tinha o costume de bater à porta do sacrário para conversar com Jesus.
Naqueles
primeiros anos do século XIX, Viena era um importante centro cultural
europeu. Clemente gostava de entreter-se com estudantes e intelectuais.
Os estudantes vinham - a sós ou em grupos - para sua casa a fim de
conversar, fazer uma refeição ou pedir conselho. Boa parte deles se
tornou Redentoristas. Trouxe para a Igreja muitos ricos e artistas.
Em Viena Clemente sofreu novos ataques.
Por certo tempo foi proibido de pregar. Depois foi ameaçado de expulsão
por se ter comunicado com o seu Superior Geral redentorista em Roma.
Antes que a expulsão fosse oficializada, o Imperador Francisco da
Áustria deveria assiná-la. Na ocasião o Imperador fez uma peregrinação a
Roma, onde visitou o Papa Pio VII e ficou sabendo quanto era estimada
sua obra. Soube também que podia recompensá-lo pelos seus anos de
serviço dedicado permitindo-lhe começar uma fundação redentorista na
Áustria.
Assim, em vez de um decreto de expulsão,
ganhou uma audiência com o Imperador Francisco. Rapidamente os planos
estavam feitos. Foi escolhida e restaurada uma igreja para se tornar a
primeira fundação redentorista na Áustria. Mas isto haveria de iniciar
sem Clemente. Ele caiu doente no início de março de 1820 e morreu no dia
15 de março do mesmo ano. Morreu com a gratificante notícia de que o
seu segundo sonho tinha sido realizado.
Canonização
Clemente Hofbauer foi beatificado no dia
29 de Janeiro de 1888 pelo Papa Leão XIII, e canonizado no dia 20 de
maio de 1909. Em 1914, o Papa Pio X concedeu-lhe o título de Apóstolo e Patrono de Viena.
O que fez de Clemente um santo? Não
fez nenhum milagre que nos deslumbrasse, nem teve visões para nos
maravilhar. Teve até faltas - um temperamento alemão irritadiço, uma tendência a ser áspero. No entanto, se nós pudéssemos passar algumas horas com ele, iríamos descobri-lo como um homem de uma fé excepcionalmente forte, de extraordinária calma e paz, e de incansável zelo apostólico.
A simplicidade foi a principal
característica da sua santidade. Aceitava a vontade de Deus do jeito que
ela vinha, e fez todo o bem de que foi capaz. Levou uma vida de
inocência e de serviço, dedicando-se a louvar a Deus e a levar os outros
a servi-lo. Pelo seu modo totalmente simples de se tornar santo, Clemente é um modelo para todos.
Oração pela conservação da Fé (São Clemente Maria Hofbauer)
Ó meu Redentor, chegado estará o momento terrível, em que não
restarão mais do que poucos cristãos animados do espírito de Fé? O
momento em que, provocado pelos nossos crimes, nos retirareis Vossa
proteção? As faltas e a vida criminosa dos Vossos filhos têm enfim
impelido irrevogavelmente a Vossa Justiça a se vingar? Autor e
consumador da nossa Fé, nós Vos suplicamos na amargura do nosso coração
contrito e humilhado: não permitais que a bela luz da Fé se extinga em
nós. Lembrai-Vos das Vossas antigas misericórdias; lançai um olhar de
compaixão sobre a vinha que foi plantada pela Vossa direita, regada com o
suor dos Vossos Apóstolos, inundada pelo sangue de milhares de Mártires
e lágrimas de tantos generosos penitentes, e fertilizada pelas orações
de tantos Confessores e Virgens inocentes.
Ó divino Mediador, olhai para estas almas fervorosas que num rapto
contínuo para a Vossa Misericórdia, Vos imploram pela conservação do
mais precioso de todos os tesouros. Diferi, ó Deus justíssimo, o decreto
da nossa reprovação, voltai os Vossos olhos dos nossos pecados, e
fixai-os sobre o Sangue adorável que, derramado sobre a Cruz, nos
adquiriu a salvação e intercede quotidianamente por nós sobre os nossos
altares. Ah! Conservai-nos a verdadeira Fé Católica Romana! Aflijam-nos,
embora, as enfermidades; os pesares nos consumam; acabrunhem-nos as
desgraças; mas conservai-nos a nossa santa Fé, porque, ricos deste dom
precioso suportaremos de boa mente todas as dores, e nada poderá turvar a
nossa felicidade. Ao contrário, sem o soberano tesouro da Fé, a nossa
desgraça será indizível e imensa.
Ó bom Jesus, autor da nossa Fé, conservai-a pura; guardai-nos
firmemente na barca de Pedro, fiéis e obedientes ao seu sucessor, o
Vosso Vigário na terra, a fim de que a unidade da Santa Igreja seja
mantida, a santidade animada, a Sé Apostólica livre e protegida, e a
Igreja universal dilatada para bem das almas.
Ó Jesus, autor da nossa Fé, humilhai e convertei os inimigos da
Igreja; concedei a todos os fiéis e príncipes cristãos e a todo o povo
fiel, a paz e a verdadeira unidade; fortificai-nos e conservai-nos todos
no Vosso santo serviço, para que, vivendo para Vós, morramos também em
Vós. Ó Jesus, autor da nossa Fé, viva eu para Vós e para Vós morra.
Amém.
Bom Deus do Céu, escolhestes São Clemente como missionário do Reino
de Deus e através do serviço aos pobres e abandonados ele consagrou sua
vida a Jesus Cristo. Concedei-nos a perseverança necessária para o
trabalho de evangelização e dai-nos um coração caridoso, par que
imitemos em nosso cotidiano as ações de São Clemente. Pedimos isso em
nome de Cristo, vosso Filho e Senhor nosso. Amém.
Crianças,
doentes, estudantes, damas e nobres, todos, sem exceção, o conheciam e
estimavam. Suas pregações atraíam milhares de pessoas, especialmente
jovens e intelectuais.
Deus é admirável nos seus santos”,
diz com sabedoria um secular canto litúrgico. E, de fato, onde
poderemos distinguir com maior facilidade o braço poderoso do Altíssimo
do que nas figuras incomparáveis de Seus justos e eleitos?
Representantes de todas as raças, povos e condições sociais, em suas
pessoas pulsa a força do evangelho, brilha a luz da virtude e se torna
realidade o título de nossa Santa Igreja, uma vez que a chamamos
Católica porque essa palavra quer dizer “universal”.
Sempre que nos aprofundamos no conhecimento da alma de um
bem-aventurado, deparamos invariavelmente com admiráveis reflexos da
pessoa adorável de Jesus, que ali encontrou correspondência à voz de Sua
graça: “Se alguém Me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e
Nós viremos a ele e nele faremos a nossa morada” (Jo 14, 23). Nesse
sentido, o Santo Padre Bento XVI nos ensina: “Cada santo que entra na
História já constitui uma pequena porção do retorno de Cristo, um novo
ingresso dEle no tempo, que nos mostra Sua imagem de um novo modo e nos
deixa seguros de Sua presença”1.
Um luzeiro para o norte da Europa
Numa manifestação de imensa bondade, Deus suscitou no intrincado
período de passagem do século XVIII para o XIX grandes homens segundo o
Seu coração, que empunharam corajosamente a chama da caridade. Foram
santos tão modelados segundo as máximas do Evangelho que quase diríamos
terem seguido pessoalmente as pegadas do Mestre nas míticas paragens de
Israel.
É entre tais heróis que encontramos São Clemente Maria Hofbauer, um
dos gloriosos padroeiros de Viena, suscitado pelo Senhor para
transformar a sociedade de seu tempo com as simples armas do fervor e da
oração.
Nosso Santo veio ao mundo em Tasswitz, pequena aldeia rural, hoje
pertencente à República Checa, situada a cem quilômetros ao norte de
Viena. Levado à pia batismal no mesmo dia de seu nascimento, 26 de
dezembro de 1751, recebeu o nome de João Evangelista. Sua humilde
família foi abençoada com doze filhos, entre os quais João era o nono.
Apesar das muitas dificuldades enfrentadas pelos pais, reinava
naquele lar cristão um grande zelo pela Lei de Deus, no cumprimento da
qual todas as crianças foram formadas. Quando a morte arrebatou a vida
do chefe da família Hofbauer, a mãe de Clemente — seu nome de religioso,
com o qual passou para a História — levou-o aos pés do crucifixo da
paróquia e lhe disse: “Meu filho, a partir de agora, é Ele o teu pai.
Cuida de andar sempre pelos caminhos que são do Seu agrado”. Tinha ele,
por essa época, apenas sete anos.
Discípulo sem mestre
Assim se descortinaram para São Clemente, em tão tenra idade, os
grandes obstáculos da vida a serem vencidos. Encontramo-lo ainda criança
como aprendiz de padeiro, e na adolescência como auxiliar no refeitório
da abadia premonstratense de Klosterbruck. Ansiava ele pela vida
consagrada, sem discernir claramente sua vocação específica nem possuir
meios para trilhar esta sublime via. Pode-se dizer que toda a sua
juventude foi uma incessante busca pelos desígnios divinos a seu
respeito.
Sem se sentir chamado a ser um dos filhos de São Norberto, junto aos
quais trabalhou com dedicação e aprendeu as primeiras letras, partiu o
jovem de 24 anos para um local retirado em Mühlfrauen e viveu aí como
eremita por um ano.
Num paradoxal trajeto forçado pelas circunstâncias e permitido por
Deus, teve de abandonar sua ermida e voltar aos trabalhos de
panificação, para depois retomar a vida de absoluto recolhimento e
oração, quando retornava de uma peregrinação a Roma. Encantou-se nesta
circunstância com os ermitões de Tívoli, aos quais se uniu com alegria
por um fecundo período.
Pode parecer surpreendente que um santo tão chamado ao apostolado e à
pregação quanto São Clemente tenha passado metade da vida sem descobrir
sua vocação, e longos períodos em completo silêncio e isolamento. Mas
Deus nada faz de muito grande repentinamente, nem confia Seus superiores
desígnios a homens pouco experimentados nas vias espirituais. Nos
períodos de trabalho como padeiro ou de recolhimento e solidão,
germinava na alma do humilde camponês a semente de uma transformadora
santidade, a qual só cresce à sombra da piedade e só frutifica na
proporção da solidez de suas raízes.
A força de um novo carisma
Seu desejo de se tornar sacerdote intensificou-se na vida eremítica.
Convencido interiormente de que chegara o momento, São Clemente partiu
rumo a Viena, onde tinha esperanças de começar os estudos eclesiásticos.
Ali, três nobres damas se compadeceram dele e pagaram suas despesas, o
que lhes mereceu para sempre a gratidão do santo e as copiosas bênçãos
de Deus.
Após um período em Viena, São Clemente partiu outra vez para a Cidade
Eterna, desejando completar sua formação teológica. Grande foi sua
consolação quando lá conheceu, com um companheiro de viagem, Tadeu, os
sacerdotes da Congregação do Santíssimo Redentor, a instituição fundada
havia pouco por Santo Afonso de Ligório. Já no primeiro contato, sentiu
que estavam encerrados os anos de incessante procura: Deus o chamava
para ser redentorista, e não deixava lugar para dúvidas.
Era o ano de 1784, e o venerando fundador, próximo já dos noventa
anos, passava os dias sofrendo e rezando por seus filhos. Quando soube
do ingresso desses dois virtuosos jovens germânicos no noviciado, Santo
Afonso consolou-se sobremaneira e fez esta impressionante profecia: “Não
duvideis, a Congregação há de durar até o dia do Juízo, porque não é
obra minha, mas de Deus. Enquanto eu viver, ela continuará na
obscuridade e nas humilhações; depois da minha morte, porém, ela
estenderá suas asas, sobretudo nos países do Norte. Estes padres farão
muito pela glória de Deus”2.
Não se enganava o eminente Doutor da Igreja, pois a grandiosa expansão
dos padres redentoristas pelo mundo deveu-se em larga medida ao impulso
inicial dado por aquele novo filho, um dos consolos de sua ancianidade.
Ergue-se a chama do fervor
Os abençoados dias de noviciado foram de imenso valor para São
Clemente, que teve a alma modelada segundo o espírito do fundador e o
carisma da ordem. Sua profissão religiosa não tardou muito, e a ansiada
ordenação sacerdotal se deu no dia 29 de março de 1785, quando contava
34 anos de idade. Logo ele se transformou, à imagem de Jesus, no bom
pastor que dá a vida por suas ovelhas.
Os superiores enviaram-no para além dos Alpes, incumbindo-o de
atividades missionárias junto aos pobres. Seu trabalho apostólico
iniciou-se em Varsóvia, onde lhe foi confiada a Igreja de São Beno,
nessa época completamente abandonada. O triste estado material do templo
bem representava o desamparo espiritual das almas que na cidade viviam,
afundadas na indiferença e tibieza, sem instrução religiosa nem vida
sacramental.
São Clemente tinha consciência do perigo que corria aquele rebanho, e
lançou-se com ardor na obra de evangelização. Começou com os meninos
abandonados, para os quais fundou uma escola nas próprias dependências
de São Beno. Compadecia-se da ignorância geral sobre as verdades da Fé,
tanto entre o povo humilde como entre as pessoas ilustres; para
solucionar esse problema, pregava constantemente. Aos poucos, o singular
sacerdote ia vencendo a inércia espiritual. Crianças, jovens,
operários, damas e cavalheiros, todos sem exceção, lotavam a igreja para
ouvir suas palavras cheias de unção, capazes não apenas de convencer,
mas também de mover os corações para as vias da santidade.
Necessidades supremas, remédios extraordinários
Durante os vinte anos de sua permanência na Polônia, as atividades
realizadas na comunidade de São Beno foram o foco de uma imensa
transformação, duradoura e eficaz. Para a obtenção desse êxito, o
principal recurso do santo, o mesmo que usou depois em Viena, foi
simples e digno de nota: tratou ele de revestir de beleza e
magnificência todas as cerimônias litúrgicas, estimulando nas almas o
senso do sagrado. “As solenidades públicas atraem por seu esplendor e
aos poucos cativam o povo, o qual ouve mais com os olhos do que com os
ouvidos” 3, costumava dizer.
Com efeito, São Clemente revestia de preciosos ornatos o recinto
sagrado, particularmente nos dias festivos. Os paramentos, os cânticos, o
cerimonial impecável, tudo concorria para que se revelasse aos olhos
dos assistentes a pulcritude da Santa Igreja, a Esposa Mística de Cristo
“toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito
semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef 5, 27).
Acompanhemos a sua própria narrativa do que então se realizava num único dia na igreja dos redentoristas:
“Aos domingos e dias santos, às cinco horas da manhã há instrução
para os operários e empregados, que não podem ouvir, em outra hora, a
palavra divina, havendo em seguida uma Missa para eles […]. Todos
os dias há uma Missa às seis horas com exposição do Santíssimo, durante
a qual o povo canta, havendo em seguida uma instrução ao povo em
polonês. Durante a instrução celebram-se Missas para aqueles que não
compreendem alemão nem polonês. Às oito horas, Missa cantada a cantochão
com uma pregação em polonês, e logo em seguida uma outra em alemão.
Terminada essa instrução os meninos da escola vão à igreja, onde começa a
Missa solene com a grande orquestra: assim encerra-se o culto da manhã.
Depois do meio-dia: aos domingos e dias santos há catecismo para
as crianças às duas horas; às três horas as irmandades cantam o Ofício
Parvo de Nossa Senhora; às quatro horas há pregação para os alemães,
seguida de Vésperas Solenes. Terminadas estas, uma pregação em polonês e
enfim a visita ao Santíssimo Sacramento e a Nossa Senhora segundo o
método do venerável Servo de Deus, Afonso de Ligório. Nos dias úteis os
exercícios da tarde começam só depois da aula. Todos os dias às cinco
horas da tarde há pregação em alemão, visita ao Santíssimo e em seguida
outra pregação em polonês, via sacra e cânticos sacros em louvor de
Jesus Sacramentado e da Santíssima Virgem; rematando tudo, se faz com o
povo o exame de consciência, rezam-se os atos cristãos, procede-se à
leitura da vida do Santo cuja festa a Igreja celebra no dia seguinte, e
por fim a Ladainha de Nossa Senhora, findo o que fecha-se a igreja”4.
Essa impressionante atividade apostólica, que alguns qualificavam de
exagerada, não era suficiente para atender todos os fiéis, pois muitos
tinham que se contentar com a assistência do lado de fora. Tampouco
esgotava o desejo que São Clemente sentia de fazer o bem, e representa
apenas uma parcela de seu apostolado. Dedicava-se ademais à formação dos
noviços, à fundação de novas casas da Congregação, às obras de
caridade, à imprensa católica… Não é fácil, senão impossível, enumerar
todos os benefícios que brotaram de seu insaciável coração.
O apóstolo de Viena
Eram dias difíceis para a liberdade religiosa aqueles do final do
século XVIII. As novas instituições não eram vistas com bons olhos, o
que levou o rei Frederico Augusto da Saxônia a assinar um decreto de
expulsão dos redentoristas de Varsóvia. Apesar do grande sofrimento, mas
com cristã resignação, São Clemente partiu da Polônia com os seus. Ele
soube ver aí um sinal da Providência: “Deus é o Senhor que dirige tudo para a Sua glória e o nosso bem; quem se levanta contra nós, leva-nos para onde Deus quer” 5.
Foi deste modo que a comunidade se dispersou e ele chegou a Viena em
1808. Restavam-lhe os últimos 12 anos de vida, nos quais transformaria a
cidade imperial. A princípio trabalhou na igreja dos italianos, até que
foi como capelão para o convento das ursulinas. Lá, iniciou a pregação e
o apostolado que atraía milhares de pessoas, especialmente jovens e
intelectuais. Os versados em ciência viam nele uma luz superior a seus
próprios conhecimentos, e se deixavam instruir pelo sacerdote que os
conduzia para a Fé. Não passava uma única semana sem que ele levasse a
cabo alguma grande conversão.
Eis uma amostra da impressão causada por suas pregações: “Ele
prega como alguém que tem poder. O poder da sua vocação vem da força da
sua Fé, que se acha como que encarnada nele e se expressa em cada feição
do seu rosto e em cada um dos seus movimentos6”. Disse outra testemunha: “Nunca
vi alguém que soubesse tornar o cristianismo tão amável, como ele.
Durante suas pregações penso muitas vezes que deve ter sido assim que
pregaram os apóstolos7”.
Triunfal glorificação
Não havia entre os católicos quem não conhecesse e estimasse o
padre Clemente: as crianças, que o seguiam por todas as partes; os
necessitados e doentes, que o tinham sempre à cabeceira como insuperável
consolo; os jovens, que enchiam sua casa para serem formados nos mais
nobres princípios cristãos; e os grandes aos olhos do mundo, os quais
perto de São Clemente tornavam-se como crianças junto a seu pai.
Quando ele morreu, em 15 de março de 1820, uma enorme multidão veio
prestar sua última homenagem ao pastor insuperável que o Senhor e Sua
Mãe lhes enviaram. Era o início da glorificação do Servo de Deus, cuja
memória haveria de figurar não só entre os homens, mas, sobretudo, no
Coração de Deus. O irmão que salva seu irmão salva sua própria alma, e
brilhará no Céu como um Sol por toda a eternidade.
A devoção de São Clemente à Santíssima Virgem Maria
A devoção à Santíssima Virgem era um ponto atacado e combatido naqueles tempos de frieza religiosa e jansenismo detestável.
Até
teólogos que se diziam católicos, julgavam dever impugnar o culto de
Maria Santíssima. O Rosário era desconhecido em bastante centros
católicos de sorte que em Viena se tinha em conta de curiosidade o fato
de que na igreja de Santa Úrsula havia um padre que benzia Terços e
Rosários.
São
Clemente era um digno fiolho espiritual de Santo Afonso Maria de
Ligório, o dedicado cantor e defensor acérrimo das Glórias de Maria, e
por isso não podia deixar de consagrar à Virgem Maria um amor terno e
filial. O divino Mestre afirmou que a boca fala ex abundantia cordis,
daquilo que enche o coração; para São Clemente, o decantar no púlpito e
nas palestras familiares as Glórias da Mãe de Deus, era uma das maiores
alegrias e consolações da sua alma.
No púlpito, quando discorria sobre algum mistério da vida de Nossa
Senhora, tornava-se excepcionalmente eloqüente e as palavras jorravam
fáceis dos seus lábios: era o filho amoroso que enaltecia os encômios de
sua Mãe. A
Imaculada Conceição, as Sete Dores de Maria e, sobretudo o mistério da
Anunciação, em que veneramos conjuntamente a encarnação do Verbo e a
maternidade da Virgem, eram o objeto de sua mais terna devoção desde os
dias de sua infância, e o assunto predileto dos seus eloqüentes sermões.
Dificilmente passava-lhe despercebido o toque do “Ângelus” de manhã, ao
meio dia e à tarde; onde quer que se achasse, punha-se de joelhos e com
devoção e amor saudava sua Rainha e Mãe.
A
exemplo de Sto. Afonso nutria uma devoção toda especial para com a
Virgem sob o título do Bom Conselho, de cujas luzes tanto necessitava
naqueles tempos turbulentos; e a Virgem diversas vezes deu mostras de
que aceitava os obséquios do seu devoto Servo, guiando-o, qual estrela
indeficiente através dos escolhos e abrolhos da vida tempestuosa do seu
século.
A devoção de São Clemente à Santíssima Virgem Maria
A devoção à Santíssima Virgem era um ponto atacado e combatido naqueles tempos de frieza religiosa e jansenismo detestável.
Até
teólogos que se diziam católicos, julgavam dever impugnar o culto de
Maria Santíssima. O Rosário era desconhecido em bastante centros
católicos de sorte que em Viena se tinha em conta de curiosidade o fato
de que na igreja de Santa Úrsula havia um padre que benzia Terços e
Rosários.
São
Clemente era um digno fiolho espiritual de Santo Afonso Maria de
Ligório, o dedicado cantor e defensor acérrimo das Glórias de Maria, e
por isso não podia deixar de consagrar à Virgem Maria um amor terno e
filial. O divino Mestre afirmou que a boca fala ex abundantia cordis,
daquilo que enche o coração; para São Clemente, o decantar no púlpito e
nas palestras familiares as Glórias da Mãe de Deus, era uma das maiores
alegrias e consolações da sua alma.
No púlpito, quando discorria sobre algum mistério da vida de Nossa
Senhora, tornava-se excepcionalmente eloqüente e as palavras jorravam
fáceis dos seus lábios: era o filho amoroso que enaltecia os encômios de
sua Mãe. A
Imaculada Conceição, as Sete Dores de Maria e, sobretudo o mistério da
Anunciação, em que veneramos conjuntamente a encarnação do Verbo e a
maternidade da Virgem, eram o objeto de sua mais terna devoção desde os
dias de sua infância, e o assunto predileto dos seus eloqüentes sermões.
Dificilmente passava-lhe despercebido o toque do “Ângelus” de manhã, ao
meio dia e à tarde; onde quer que se achasse, punha-se de joelhos e com
devoção e amor saudava sua Rainha e Mãe.
A
exemplo de Sto. Afonso nutria uma devoção toda especial para com a
Virgem sob o título do Bom Conselho, de cujas luzes tanto necessitava
naqueles tempos turbulentos; e a Virgem diversas vezes deu mostras de
que aceitava os obséquios do seu devoto Servo, guiando-o, qual estrela
indeficiente através dos escolhos e abrolhos da vida tempestuosa do seu
século.
Deus filho redentor do mundo, tende piedade de nós
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós
Santíssima trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós
São Clemente, homem santo de Deus.................. Rogai por nós
São Clemente, sacerdote dedicado....................... Rogai por nós
São Clemente, filho de Maria............................... Rogai por nós
São Clemente, pregador da palavra de Deus...................
São Clemente, administrador dos sacramentos da igreja............
São Clemente, homem de fé.............
São Clemente, homem de penitência...............
São Clemente, homem de oração.................
São Clemente, homem da santa Eucaristia................
São Clemente, homem de pura castidade..................
São Clemente, homem fiel a Deus...............
São Clemente, testemunha do amor de Cristo...........
São Clemente, defensor da justiça................
São Clemente, defensor dos pobres e marginalizados................
São Clemente, defensor dos fracos................
São Clemente, distribuidor da paz.................
São Clemente, distribuidor da alegria cristã...............
São Clemente, consolador dos aflitos................
São Clemente, auxilio dos doentes....................
São Clemente, homem de alegria......................
São Clemente Maria, nosso padroeiro......... Rogai por nós, rogai por nós, rogai por nós.
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, senhor
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, senhor
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.
A devoção de São Clemente à Santíssima Virgem Maria
A devoção à Santíssima Virgem era um ponto atacado e combatido naqueles tempos de frieza religiosa e jansenismo detestável.
Até
teólogos que se diziam católicos, julgavam dever impugnar o culto de
Maria Santíssima. O Rosário era desconhecido em bastante centros
católicos de sorte que em Viena se tinha em conta de curiosidade o fato
de que na igreja de Santa Úrsula havia um padre que benzia Terços e
Rosários.
São
Clemente era um digno fiolho espiritual de Santo Afonso Maria de
Ligório, o dedicado cantor e defensor acérrimo das Glórias de Maria, e
por isso não podia deixar de consagrar à Virgem Maria um amor terno e
filial. O divino Mestre afirmou que a boca fala ex abundantia cordis,
daquilo que enche o coração; para São Clemente, o decantar no púlpito e
nas palestras familiares as Glórias da Mãe de Deus, era uma das maiores
alegrias e consolações da sua alma.
No púlpito, quando discorria sobre algum mistério da vida de Nossa
Senhora, tornava-se excepcionalmente eloqüente e as palavras jorravam
fáceis dos seus lábios: era o filho amoroso que enaltecia os encômios de
sua Mãe. A
Imaculada Conceição, as Sete Dores de Maria e, sobretudo o mistério da
Anunciação, em que veneramos conjuntamente a encarnação do Verbo e a
maternidade da Virgem, eram o objeto de sua mais terna devoção desde os
dias de sua infância, e o assunto predileto dos seus eloqüentes sermões.
Dificilmente passava-lhe despercebido o toque do “Ângelus” de manhã, ao
meio dia e à tarde; onde quer que se achasse, punha-se de joelhos e com
devoção e amor saudava sua Rainha e Mãe.
A
exemplo de Sto. Afonso nutria uma devoção toda especial para com a
Virgem sob o título do Bom Conselho, de cujas luzes tanto necessitava
naqueles tempos turbulentos; e a Virgem diversas vezes deu mostras de
que aceitava os obséquios do seu devoto Servo, guiando-o, qual estrela
indeficiente através dos escolhos e abrolhos da vida tempestuosa do seu
século.
A devoção de São Clemente à Santíssima Virgem Maria
A devoção à Santíssima Virgem era um ponto atacado e combatido naqueles tempos de frieza religiosa e jansenismo detestável.
Até
teólogos que se diziam católicos, julgavam dever impugnar o culto de
Maria Santíssima. O Rosário era desconhecido em bastante centros
católicos de sorte que em Viena se tinha em conta de curiosidade o fato
de que na igreja de Santa Úrsula havia um padre que benzia Terços e
Rosários.
São
Clemente era um digno fiolho espiritual de Santo Afonso Maria de
Ligório, o dedicado cantor e defensor acérrimo das Glórias de Maria, e
por isso não podia deixar de consagrar à Virgem Maria um amor terno e
filial. O divino Mestre afirmou que a boca fala ex abundantia cordis,
daquilo que enche o coração; para São Clemente, o decantar no púlpito e
nas palestras familiares as Glórias da Mãe de Deus, era uma das maiores
alegrias e consolações da sua alma.
No púlpito, quando discorria sobre algum mistério da vida de Nossa
Senhora, tornava-se excepcionalmente eloqüente e as palavras jorravam
fáceis dos seus lábios: era o filho amoroso que enaltecia os encômios de
sua Mãe. A
Imaculada Conceição, as Sete Dores de Maria e, sobretudo o mistério da
Anunciação, em que veneramos conjuntamente a encarnação do Verbo e a
maternidade da Virgem, eram o objeto de sua mais terna devoção desde os
dias de sua infância, e o assunto predileto dos seus eloqüentes sermões.
Dificilmente passava-lhe despercebido o toque do “Ângelus” de manhã, ao
meio dia e à tarde; onde quer que se achasse, punha-se de joelhos e com
devoção e amor saudava sua Rainha e Mãe.
A
exemplo de Sto. Afonso nutria uma devoção toda especial para com a
Virgem sob o título do Bom Conselho, de cujas luzes tanto necessitava
naqueles tempos turbulentos; e a Virgem diversas vezes deu mostras de
que aceitava os obséquios do seu devoto Servo, guiando-o, qual estrela
indeficiente através dos escolhos e abrolhos da vida tempestuosa do seu
século.