quinta-feira, 17 de agosto de 2017

SEMANA NACIONAL DA FAMÍLIA



Filhos e filhas,

Estamos vivendo a Semana Nacional da Família. Todos os anos, tendo como espelho,  modelo e ideal a Sagrada Família de Nazaré,  a Igreja propõe esta semana de oração e reflexão sobre temas e desafios que envolvem e ameaçam as famílias nos dias atuais.

A Igreja sempre reconheceu e exaltou a importância da família para a construção de uma sociedade equilibrada, justa e fraterna. São João Paulo II a descrevia como a célula mãe da sociedade e a conclamava a ser um santuário de amor, uma pequena igreja doméstica.

Atualmente, um dos grandes desafios que rondam as famílias é a influencia negativa, especialmente pela mídia pejorativa, onde há muito empenho em mostrar situações desastrosas, conflitivas, problemáticas e quase não se mostra relações saudáveis que possam servir de estímulos para se construir uma relação verdadeira.

As nossas crianças e adolescentes estão muito expostos a uma influência terrível e nunca imaginada. Essa influência vai implantando na mentalidade infantil e adolescente uma ideia descompromissada, de sexo fácil, de ficar e deixar. E, de imediato não conseguimos ter uma dimensão concreta sobre esta influência, porque acontece em doses homeopáticas, um pouquinho a cada dia, é em longo prazo, mas o efeito fica. Quando a gente desperta, o estrago está feito. Muitas vezes, estamos chegando tarde, a mídia está ocupando o espaço dos educadores, pais e evangelizadores.

Outro desafio é a necessidade de renovação da vida conjugal, em muitas situações em que o casal se defronta com responsabilidades e para que subsista nos tempos modernos, com as grandes mudanças que vem acontecendo, é preciso uma nova postura na relação.

O amor pode acabar.  O amor se traduz em gestos concretos, por exemplo, o que mais machuca duas pessoas envolvidas numa relação, marido e mulher, e  que vai arranhando o amor, é a desconsideração. É aquela tendência do ser humano de machucar as pessoas não valorizando as qualidades, mas apontando sempre os defeitos e quando a desconsideração se torna crônica, provavelmente este casal, chegou perto da dissolução da relação, porque o ser humano não suporta viver numa relação em que nunca  ele é valorizado. Esta valorização tem que acontecer no dia a dia do relacionamento. Não é uma valorização extraordinária, num momento especial, porque é no dia a dia que a relação vai se enfraquecendo.

Ninguém se casa para a infelicidade e para carregar o peso de uma relação que, às vezes se torna até doentia, uma relação pesada onde não há momentos de alegria, não há momentos prazerosos, não há um compartilhar, uma cumplicidade.

É preciso investir numa formação preventiva, salientando a importância da fase do namoro, do conhecimento mútuo e do noivado. É preciso que os jovens se preparem bem para viver bem uma relação conjugal e familiar. Vale a pena investir na família, ela traz alegria e realização a todos nós.


Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti




Repousar na oração é particularmente importante para as famílias. É, antes de tudo, na família que aprendemos como rezar. Não esqueçais: quando a família reza unida, permanece unida. Isto é importante. Nela chegamos a conhecer Deus, a crescer como homens e mulheres de fé, a considerar-nos como membros da família mais ampla de Deus, a Igreja. Na família, aprendemos a amar, a perdoar, a ser generosos e disponíveis e não fechados e egoístas. Aprendemos a ir além das nossas próprias necessidades, para encontrar outras pessoas e partilhar as nossas vidas com elas. Por isso é tão importante rezar como família. Tão importante! É por isso que as famílias são tão importantes no plano de Deus para a Igreja. Repousar no Senhor é rezar, unidos em família.
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Durante este ano consagrado pelos vossos bispos como Ano dos Pobres, pedir-vos-ia que estivésseis, como família, particularmente atentos à vossa chamada para ser discípulos missionários de Jesus. Isto significa estar prontos para ir além dos limites das vossas casas e cuidar dos irmãos e irmãs mais necessitados. Peço que vos interesseis de modo especial por aqueles que não têm uma família própria, particularmente os idosos e as crianças sem pais. Nunca os deixeis sentir-se isolados, sozinhos e abandonados, mas ajudai-os a saber que Deus não os esqueceu. Hoje, depois da Missa, senti-me profundamente comovido ao visitar aquela casa de crianças sozinhas, sem família. E, na Igreja, quantas pessoas trabalham para que aquela casa seja uma família! Isto significa levar por diante, profeticamente, o significado duma família.
ENCONTRO DAS FAMÍLIAS
DISCURSO DO SANTO PADRE
Mall of Asia Arena, Manila
Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2015




                                             A família no livro de Gênesis A Semana da Família é uma oportunidade para nossa reflexão, oração e apoio a todas as famílias. A família é um querer divino e tem suas raízes na família divina a SS Trindade. Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança, ou seja, Deus vive em comunidade e aliança de pessoas. Assim deve ser a família. Ao concluir a criação. Deus abençoou o homem e a mulher e exultando de alegria exclamou “está muito bom” (Gn1,31). O próprio Deus se comove e tomado de assombro, admiração e exultação, manifesta seu contentamento pela família. Desde o princípio, a família é projeto de Deus (Mt 19,4).

Deus declara que “não é bom o homem estar só” (Gn 2,18). O individualismo, o isolamento, a solidão não fazem bem. A vocação humana é a reciprocidade, a complementaridade, o relacionamento, a comunicação. É na família que todos estes valores acontecem desde a fecundação da vida. O berço da comunicação e do crescimento humano é a família. Ela é a primeira sociedade, a primeira instituição, a primeira comunidade. Como sofrem as pessoas sem pai, sem mãe, sem filhos, sem irmãos. A desagregação familiar desorienta as pessoas e desordena a sociedade.

A mulher é criada como ajuda, auxiliar, companheira do homem (Gn 2,18.22). A mulher tirada da costela é um símbolo profundo, ou seja, homem e mulher devem ser amigos, companheiros, parceiros. Eles se completam, se ajudam, mutuamente. Seu destino depende do diálogo, da comunicação, da ajuda mútua, da convivência harmoniosa, da reciprocidade. Homem e mulher são chamados a viver lado a lado não acima, nem abaixo, nem contra o outro. Sua vida e felicidade dependem da convivência diária.

Quando o homem viu a mulher exclamou estupefato e impactado, “osso de meus ossos, carne de minha carne” (Gn 2,23). Esta declaração cheia de assombro é também a confissão, o reconhecimento da igualdade de dignidade entre o homem e a mulher. Todo machismo, exclusão, feminismo, discriminação não cabem no projeto de Deus. Desde o princípio o Criador quis a igualdade de dignidade dos sexos, igualdade e dignidade da pessoa humana, ou seja, do homem e da mulher.

O Criador deixou uma ordem, uma condição, um imperativo para que a família seja um bem para os esposos, os filhos e a sociedade: “o homem deixará seu pai e sua mãe, se unirá à sua mulher e ela será uma só carne” (Gn 2,24). O que caracteriza a família é a unidade, a comunhão, a convivência. Ser uma só carne é aceitar o outro como ele é, unir corpos, almas, corações, ideais, esperanças, formar comunidade de vida e de amor, superando as deficiências e criando empatia, formando o “nós” e em doação mútua, em perdão constante, em oração conjugal e familiar, é ser uma só carne. É preciso, porém, deixar pai e mãe, ou seja, cortar as dependências, apegos e assumir a liberdade e a responsabilidade da formação de uma nova família. Não podia faltar o mandamento do Criador em favor da transmissão da vida: “Sede fecundos” (Gn 1,28). A família é sacrário da vida, berço do amor onde a vida é transmitida, respeitada, cuidada e promovida. Os pais são colaboradores do Criador e o amor conjugal é fecundo. Quando um bebê nasce ele é responsável pelo nascimento de uma família. Com o bebê nasce um pai e uma mãe, ele transforma o casal em família. Quem embala um bebê, está embalando o futuro do mundo. Os filhos têm direito de ter um pai e uma mãe e direito à presença deles em casa. Que a família acredite naquilo que ela é.

Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Londrina





A Família e seus símbolos



            Tão prioritária é a família na vida da pessoa, da sociedade e da Igreja, que nos servimos de símbolos para avaliar e explicar sua centralidade. Vamos aqui nos ocupar com alguns símbolos, provavelmente os mais conhecidos, porém muito significativos e iluminadores, para que a família recupere sua credibilidade e seu primado.

1- Família, nossa “primeira pátria”. É nosso primeiro chão, nossa identidade original, nossa casa. Nela somos gerados, cuidados, educados como cidadãos e dela recebemos as condições para a convivência pública e as virtudes sociais. Sem a família, primeira pátria, não teremos a segunda pátria, a comunidade nacional, o povo, a nação. A família é a primeira sociedade natural. Está no centro da vida social.

2- Família, nosso “segundo útero”. Entendemos por segundo útero, a educação, cultura, valores que recebemos na família. Ela é o útero cultural, educacional, espiritual, religioso, ali nascemos para a convivência humana e recebemos as condições para sermos pessoas centradas, civilizadas, humanizadas, amadurecidas.

3- Família, “patrimônio da humanidade”. Todos os povos têm a família como instituição, organização e patrimônio social. È a mais antiga instituição social com a função procriativa, econômica, educativa e afetiva. Pela alteridade, reciprocidade e complementariedade a família é o primeiro lugar de nossa convivência humana. É a primeira sociedade natural, uma comunidade natural, um patrimônio da humanidade.

4- Família, “tesouro dos povos”. É a maior riqueza da pessoa e da sociedade, porque gera a vida, facilita o relacionamento, é escola de “comunhão com os outros e de doação aos outros”. Nela recebemos as primeiras noções a respeito do amor, do bem, da verdade, dos valores. Nela aprende-se ser pessoa.

5 - Família “ninho da vida”. A família está a serviço da vida. A vida é concebida, gerada, nascida, desenvolvida, amada, amadurecida na família. Ninho é símbolo de calor humano, do afeto, do cuidado, significa também abrigo e proteção da vida. Na família se desenvolve a “ecologia humana”.
6-Família “berço de vocações”. Na família as vocações e as profissões têm sua origem, motivação, incentivo. A família que cultiva a espiritualidade, participa da comunidade, respeita as vocações, educa para os valores e ensina as limitações, torna-se berço de vocações e de profissões.

7- Família “sacrário da fé”. O sacramento do matrimônio, a educação e vivência da fé fazem da família o sacrário da fé onde os pais transmitem para as novas gerações o tesouro da fé. É preciso falar de Deus aos filhos, ensinar religião e praticar a oração. Tudo isso colabora para a serenidade, motivação e educação dos filhos. A espiritualidade familiar defende nossos lares dos ataques do mal.

8- Família, “igreja doméstica”. É a primeira comunidade religiosa, onde os pais são sacerdotes pelo batismo, são os primeiro catequistas. A família é uma comunidade de vida, de amor e de fé. Nossas casas são também santuários.

9- Família “santuário do amor”. A Palavra de Deus ensina que “não é bom o homem estar só” (Gn 2,18). O fundamento da família é a união entre um homem e uma mulher, no sacramento do matrimonio, para o bem deles mesmos, dos filhos e da sociedade. Como aliança de amor, comunidade de amor a família é a realização das pessoas no amor em distintas experiências: amor conjugal, amor filial, amor fraternal, amor familiar, amor social.

10- Família “escola de valores”, a função educativa, cultural, ética da família tem singular importância. Ela é o primeiro lugar de humanização, célula vital da sociedade, educadora de valores e de limites, promotora das virtudes. Os pais são mestres. Os filhos aprendem imitando. O bem da pessoa e o bom funcionamento da sociedade estão conexos com o bem-estar conjugal e familiar.

11- Família “célula da sociedade”. É a primeira comunidade, portanto, existe antes da sociedade e do Estado e tem direitos próprios e inalienáveis. A sociedade e o Estado estão para a família, ela é a célula do organismo social. Cabe ao Estado defender e proteger a família com políticas públicas efetivas.

Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Londrina



AMIGOS DA FAMÍLIA

         A família é um bem que gera outros bens, como por exemplo, a felicidade da pessoa, o bem comum, a solidariedade, a convivência com o diferente. O capital mais precioso, a riqueza das nações, o tesouro e patrimônio dos povos, é a família. Tudo isso é verdade pelo fato de a família ser lugar de relacionamento humano, de convivência com os outros, de comunicação interpessoal numa “rede de comunicação”: paternidade, filiação, fraternidade, parentesco, nupcialidade.
         O primeiro ensaio das virtudes sociais acontece na vida familiar a saber: a confiança, a cooperação, a alteridade, a comunicação, a partilha. Estes são bens relacionais que promovem a vida social. Quem é amigo da família certamente promove a “cidadania da família”, seus direitos, sua centralidade, enfim, a “cultura da família”. A reciprocidade dos sexos e das gerações, a transmissão da vida acontece na família enquanto fundamentada no matrimônio entre um homem e uma mulher.
         O primeiro amigo da família é o próprio Criador que exultou de alegria, admiração e contentamento diante do homem e da mulher quando disse “está muito bom” (Gn 1,31); A família é uma instituição divina querida por Deus: “Não é bom o homem estar só” (Gn 2, 18). Assim, na família se vive a reciprocidade, a complementaridade, a intercomunicação.
         Amigo da família é cristianismo, de modo especial, a Igreja católica em sintonia que outros cristãos. João Batista, foi o primeiro mártir da família e Santo Maximiliano Kolbe, deu sua vida por um pai de família no campo de extermínio nazista. Das famílias a sociedade recebe bons cuidados, bons cristãos, sacerdotes, religiosos e religiosas, além de uma miríade de santos. Todos estes são grandes benfeitores da sociedade.
         Amigo da família é todo teólogo que percebe a instituição familiar como projeto de Deus, instituição natural, bem social, comunidade de vida. Portanto, a família é um “querer divino” que não é invenção do poder público, nem da cultura, nem do indivíduo. É um projeto de Deus desde o princípio (Mt 19,4). Ainda mais, a família é um fenômeno universal.
         Que a família seja amiga de si mesma, que acredite naquilo que ela é, que ela se torne aquilo que deve ser: um grande recurso para a sociedade enquanto é ninho da vida e formadora de cidadãos.
         Amigos da família devem ser os governos através de políticas públicas, os meios de comunicação pela transmissão de valores, as escolas que são uma continuação da cultura familiar, sem falar das pastorais e movimentos religiosos. Tudo o que fizermos pela família ainda é pouco.
         Revitalizando a família estamos contribuindo para a felicidade das pessoas, o soerguimento da sociedade, a esperança de um novo mundo. O povo brasileiro valoriza mais a família que o dinheiro, o trabalho, a saúde, revelou a pesquisa do Ipea. Como amigos da família faremos do mundo uma grande família.
O Documento de Aparecida afirma que a família é “um dos eixos transversais da ação evangelizadora”. Na verdade, quando nos referimos aos dependentes químicos, aos encarcerados, aos alunos de nossas escolas, aos doentes dos hospitais, aos catequizandos etc, estas pessoas têm tudo a ver com a família, com os pais, com a experiência familiar. Os problemas e as soluções dos problemas destas passam pela família. Eis o que se entende por família como “eixo transversal da ação pastoral”. Portanto, a pastoral familiar deve ter prioridade entre outras tantas pastorais. Esperamos você na caminhada pela família.

Dom Orlando Brandes
Folha de Londrina, 20 de agosto de 2011
Na Semana Nacional da Família
Artigos de Dom Orlando Brandes

Ano 2009 - A família e seus símbolos
Ano 2010 -  A Família no livro do Gênesis
                                      Ano 2011 - Amigos da Família